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AS COISAS SÓ ACONTECEM A PASSOS DE CÁGADO

Movimentos separatistas motivados por processos de retardamento que algumas localidades eram submetidas em relação a outras, sempre estiveram presentes na história do Brasil.

E um fator preponderava: a não contrapartida suficiente dos recursos gerados nos territórios (desde as “províncias”) e canalizados para o poder central. Este ainda era incapaz de bem geri-los em vista de suas enormes áreas.

Por esse, “desrespeito governamental”, registra-se que antes dos ingleses magistralmente enganarem nossas autoridades levando as sementes da nossa Hevea brasiliensis (a Seringueira) para as bandas do sudeste asiático, o atual Estado do Acre, por um triz, não estaria inserido no mapa da América do Sul como República Independente do Acre. Vale muito salientar ter sido o Acre um grande produtor do precioso látex no mundo –e consequentemente forte contribuinte de impostos–, gerando consideráveis divisas ao Brasil, sem, no entanto, ser devidamente recompensado, nem mesmo na infra-estrutura física, nem na social com o seringueiro a padecer de desamparo total.

A Bahia de levantes históricos não deixa de se insurgir na década de 30 do século passado, com a ideia do Estado de Santa Cruz, e mais recente, com a do Estado do Rio São Francisco. Como se percebe, o reclamo ao centralismo igualmente se dá no âmbito estadual. Daí um cenário de administração pública ideal para o deputado federal aqui da Capitania dos Ilhéus, Henrique Cardoso, em 1978, retomando o ideário divisionista, apresentar um projeto de Lei Complementar criando o Estado de Santa Cruz –englobando a quase totalidade do território da Região Cacaueira e alguns limítrofes do Estado de Minas Gerais– e que, faltou pouco, após tramitar por várias Comissões no Congresso Nacional, para a concretização.

Embora um sentimento “autonomista” reinasse à época, é notório, como exposto em diversas publicações, uma efervescência das manifestações separatistas no período revolucionário de Getúlio, quando grupos regionais no país perdem o poder político. Já a manifesta autoria do parlamentar, parece se coadunar com a insatisfação da comunidade cacaueira, intensificada pela ausência da obrigatória assistência, não cumprida em sucessivos governos do Estado

Como se nota, as histórias do Acre e da Região Cacaueira de algum modo se assemelham: até no registro de que se tem que o dinheiro da borracha acreana revitalizara o Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e de que a grana do cacau impulsionou o Estado baiano, em especial, a sua capital.

Bom, este escrito não objetiva de forma alguma iluminar ações regionais separatistas, pois, com o nosso consagrado “individualismo”, um Estado Federativo estaria fadado ao continuísmo. A esta realidade corrobora o conhecido comerciário aposentado ilheense, Mundinho La Vai Bala quando, de maneira hilária, filosofa o seu parecer: “Ora rapaz, nossas questões endógenas inviabilizam de piquete um neófito Estado, e o primeiro mangue se daria com as eleições: pode apostar que na primeira iriam aparecer mais candidatos do que eleitores; e a escolha da capital, escreva aí, seria outra briga retada”.

Mas é um modesto apelo de cidadão, sim, para que os agradecimentos do governador –acompanhado de vice, senadores, deputados, prefeito, vereadores, enfim, de todo a patota governamental, naquela carreata em 23 de outubro na cidade de Ilhéus– pelos votos recebido se traduza (e agora com o reforço da primeira mulher –um fato histórico– a ser eleita Presidente da República, na história do Brasil) numa “era de progresso” (lógico, no plano da natureza, com a devida observância ambiental) para toda a Região sulista, reconhecendo assim, o acentuado déficit –engavetado– da Bahia para com o povo cacaueiro. Sim, que tal tradução não fique eternamente no prelo, e nos livre definitivamente do terrível conceito de que por aqui, as coisas só acontecem a passos de cágado.

Heckel Januário

1 resposta para “AS COISAS SÓ ACONTECEM A PASSOS DE CÁGADO”

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