O sepultamento de Joel da Conceição Castro ocorreu por volta das 11h30 desta terça-feira (23), no cemitério do Campo Santo

Luto: Jeanderson Castro (irmão) e o pai de Joel (Foto: Ludmilla Cohim).

Luto: Jeanderson Castro (irmão) e o pai de Joel (Foto: Ludmilla Cohim).

Muita comoção durante o enterro do menino de 10 anos que foi vítima de uma bala perdida no bairro Nordeste de Amaralina, em Salvador. O sepultamento de Joel da Conceição Castro ocorreu por volta das 11h30 desta terça-feira (23), no cemitério do Campo Santo.

Com faixas, cartazes e ao som do toque do berimbau e roda de capoeira, os familiares, vizinhos, amigos da escola e do bairro, velaram o corpo do menino que era torcedor do Bahia, e por isso, foi enterrado junto com a bandeira do time.

Após o momento do adeus, todos os presentes saíram em uma caminhada rápida pelo bairro Federação como forma de protesto pelo crime que chocou os moradores do local.

Entenda o caso
A criança foi baleada na cabeça por volta das 23h do último domingo (21), na rua Aurelino Silva, no bairro Nordeste de Amaralina. Uma equipe da polícia militar estava fazendo uma operação na área quando começou um tiroteio. O menino estava próximo a janela de casa se arrumando para dormir quando foi baleado. Ele foi levado para o hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos e morreu.

Amigos e familiares levaram faixas de protesto e pediram justiça durante velório de Joel

Amigos e familiares levaram faixas de protesto e pediram justiça durante velório de Joel

Os pais de Joel, vizinhos e parentes já prestaram depoimento para a polícia que investiga se a bala que atingiu o menino pertencia a arma de algum policiail militar da Rondesp (Rondas Especiais) ou se o disparo foi deflagrado pelos traficantes. Já o horário do enterro ainda não foi definido.

PMs afastados

Os policiais militares envolvidos na ação que resultou na morte do menino Joel da Conceição Castro, de 10 anos, foram afastados de suas atividades externas. A assessoria de comunicação da PM informou na tarde desta segunda (22) que eles atuarão nos serviços administrativos até que as investigações sobre o caso sejam concluídas.

O Mestre Ninha, pai de Joel, e os vizinhos, acusam a PM de já chegar atirando e ainda dizem que não houve nenhum tiroteio na comunidade naquela noite. As duas versões serão investigadas pela 28ª Delegacia, responsável pelo caso.

A vítima
Joel pretendia ensinar capoeira para “os gringos” e ser mestre como seu pai. Estampado em uma campanha publicitária da Bahiatursa, órgão estadual responsável pelo turismo na Bahia, o garoto Joel tinha a arte como uma das suas paixões.

Para a campanha, feita pela agência de publicidade Objetiva, o menino foi escolhido entre personagens da vida real, segundo a Assessoria Geral de Comunicação do governo estadual (Agecom).

No vídeo, Joel aparece ao lado do pai, mestre Ninha, e diz que quer ser como ele, “um mestre de capoeira”. De acordo com o pai do garoto, o filho iria viajar para a Itália em 2011. “Ele era dinâmico e todo mundo gostava dele. Desde pequeno aprendeu a jogar capoeira com o pai”, contou um parente.

Joel estudava na 3ª série da Escola Municipal Maria Amália Paiva, no Nordeste de Amaralina. “Ele era um dos nossos melhores alunos”, destacou mestre Mico que junto com o pai de Joel desenvolve trabalhos na Associação de Capoeira Gingado Baiano. “Nosso trabalho é resgatar as crianças da rua e dar uma ocupação”, frisou.

Redação CORREIO DA BAHIA