A Justiça decretou, no início da tarde desta terça-feira, 23, a prisão temporária de três suspeitos pela decapitação das adolescentes Janaína Cristina Conceição, 16, e Gabriela Alves Nunes, 13, na última sexta-feira, 19, em Salvador.

Alex Silva Santos, conhecido como “Lequinho”, Adriano Silva Nunes e Risovaldo Hora Costa, “Riso”, estão sendo procurados no bairro do IAPI. Os três possuem histórico de crimes contra o patrimônio, segundo informações da polícia.

Os acusados integrariam uma quadrilha de traficantes. Segundo a polícia, um dos suspeitos, Adriano Silva Nunes, é irmão do traficante Tadeu Silva Nunes, um dos três homens que foram acusados de assassinar a tiros, em março do ano passado, o policial Federal Leonardo Maia Fonseca, 30 anos, alvejado quando entregava uma intimação por crime eleitoral na região do IAPI.

Tadeu e os outros suspeito de envolvimento no assassinato do agente federal morreram em uma suposta troca de tiros com a polícia.

Durante as buscas, o pai de “Lequinho”, Valfredo Miranda e Silva, de 46 anos, foi preso, porque tinha um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas.

Valfredo foi condenado em 2006 a uma pena de cinco anos e meio. Contudo, a polícia não trabalha com a hipótese de seu envolvimento com o crime. Durante depoimento à polícia, Valfredo Miranda disse que desconhece o paradeiro do filho, com quem não teria contato “há algum tempo”. De acordo com o delegado titular da 11ª Delegacia, Omar Andrade, que coordena as investigações, o pai do suspeito foi encaminhado para a Penintenciária Lemos Brito.

Depoimentos – Onze pessoas, a maioria familiares das garotas Gabriela e Janaína, já foram ouvidas pelo delegado, “Riso” e “Lequinho”, têm passagens pela polícia por tráfico de drogas. ”Lequinho” também é acusado de outros homicídios. “Tão logo os assassinos das duas adolescentes sejam capturados, poderemos esclarecer a motivação de um crime praticado com tamanha crueldade”, afirmou o titular da 4ª CP.

Na tarde desta terça foram ouvidos a avó de Adriano Silva Nunes e, novamente, o dono do chip de onde partiu a ligação dos sequestrados para a família das vítimas, Cleiton Alcântara de Jesus, 25 anos. O delegado afirmou que a participação de Cleiton no crime foi descartada.

O caso – Os adolescentes sairam de casa na tarde da última quinta-feira (18), deixando um bilhete para os pais, no qual diziam que ficariam bem. Na sexta, elas entraram em contato com as famílias por telefone informando que haviam sido sequestradas. Os criminosos pediram R$ 50 mil e duas armas para libertar as meninas. Duas horas depois do pedido de resgate, os corpos das garotas, decapitados e com marcas de tortura, foram deixados em uma rua de Salvador. A polícia acredita que elas conheceram os criminosos pela internet.

Samuel Lima e Filipe Costa, do A TARDE