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Ânimo minha gente! Tenham confiança!

MEMHED

Já faz algum tempo que deixei de acreditar. A coisa de uns dez anos comecei a me dar conta que eu havia abolido todos os critérios que norteavam a síntese de julgamento com que eu via as atitudes humanas à minha volta. Não que eu houvesse sido tomado por alguma enfermidade que induzisse a apatia ou indiferença excludentes sobre as interações interpessoais. Nada disso. Foi voluntário.

Por diversas vezes me surpreendi tomado por uma autocrítica rigorosa e fundamentalista, enquanto a aplicava sobre os meus próprios princípios morais e o absenteísmo que me fez abominar o interagir nas ações coletivas; na participação e militância, ou no opinar sobre os processos que envolvem atirar movimentos sociais no vácuo das indiferenças dos poderes públicos; lideranças do povo, representantes… Pois sim.
A minha misantropia; a aversão aos “homens-líderes”; a antropofobia evidente é resultante dum pragmatismo existencial muito forte; como se de repente eu pudesse ver enxergar, onde antes minha vista não alcançava. Como se eu houvesse adquirido a capacidade da antevisão do futuro; um amanhecer sem o sol da igualdade e da justiça no decepcionante Mundo Novo onde seus personagens já não necessitam fantasias míticas; aquelas com que antes disfarçavam os cotos da amputação do caráter.

Àquela época, vinte anos passados, ate que não foi difícil vivenciar a nova visão interagente da pirâmide sociológica já em avançado processo de construção; quase acabamento. O difícil mesmo foi encarar em catarse franca, o descobrir duma elipse distorcida imposta à nossa órbita ética; que estávamos deslocados num mundo recém transformado e, para um viver antropofágico acometido de intensa autofagia, sequiosa para banquetear-se da moral com farofa e votos flambados. Um constrangimento imoral.

A antropologia não me classifica jurássico; não sou tão velho assim, embora me sinta no mundo como um verme atipicamente nauseado sob a imposição de nadar numa carcaça apodrecida. Literalmente fora da apetência do meu contexto moral.

Ainda esta semana dei-me por ler profundamente sobre a Sociedade dos Ratos; seu sistema de castas (eleitores, elegíveis e eleitos); sua democracia hierarquizada, suas políticas sociais, seu clientelismo selvagem, sua pirâmide social. Algo um tanto semelhante à nossa sociedade “civilizada” – humana, nem tão humana.

Fiquei surpreso com os artifícios quase humanos, utilizados para ascender e manter-se no topo das pirâmides do consumo e do poder. Senão vejamos: Colocadas por nós, as iscas venenosas servidas aos ratos são deixadas intocadas por alguns dias, em sofismática ignorância. Literalmente ignoradas. Passado esse determinado período de comedida precaução, ratos inferiores (eleitores) são estimulados pela privação dos alimentos, com fome institucional e, sob impositivas determinações superiores, a cheirarem as iscas e, mais adiante, consumi-las numa de suas refeições. Nesse ínterim, no intercurso da dúvida, passam então a serem observados clinicamente pelos ratos de “cima” (a casta predominante; gordos e opulentos). Se não apresentarem reações adversas como convulsões e morte; as iscas passam então à propriedade exclusiva dos ratos de cima, a elite, que irão a consumi-las em seus festins e banquetes à saciedade, com absoluta segurança.

Viram quanta semelhança? Na nossa sociedade, quando “um representante do povo” é pego roubando, ele renuncia ao cargo; passa algum tempo fora do cenário político e volta depois vitorioso e ufanista; reeleito por quem? Pelos ratinhos eleitores. Quando um homem público se dá conta que o “salário” auferido é remuneração insuficiente aos seus méritos e qualidades, e procura provimento repondo a parte que se julga credor, a partir do dinheiro público: Se descoberto empanturrando-se e a seu séquito (homens, mulheres e GLS). Na pior das hipóteses, abre-se uma “Sindicância” corretiva para apurar responsabilidades. Ao final conclui-se por: “Meras inconsistências contábeis. Tudo dentro da mais perfeita normalidade”!

O que nos espanta nisso tudo é o voluntariado altruísta dos aspirantes e pretendentes a cargos eletivos. Todos desesperado para “servirem” ao povo! A resolverem “nossos problemas”, salvarem-nos de nós mesmos, ratinhos insanos. Tanto empenho em eleger-se para servir, que muitas vezes gastam tudo que tem em bens nas campanhas e marketing para exporem méritos e atributos convincentes (?); tomam empréstimos complementares aos ciganos e ate chegam a encomendar a morte de concorrentes postulantes, pré-julgados incompetentes à mesma vaga postulada. Que coisa Linda! Quanto amor pra dar!

Agora me digam: Vale à pena reclamar porque nossa cidade afundou no caos? Que tem gente morrendo por falta de esparadrapo e água oxigenada? Por falta de um analgésico? Que a desordem generalizada impera em nossas ruas centrais e bairros? Que não temos acesso aos demonstrativos de gastos públicos? Transparência opaca pra nós. Insurgimo-nos pra que? Se Davi venceu o gigante filisteu Golias com uma funda, não sei. Pode ter sido com uma catapulta, que é mais plausível. Ou não?

Pra que gastar tempo e tinta com o incorrigível e irrecuperável? Fomos nós que os colocamos onde estão; ratos como fiéis depositários do nosso trigo! Seremos nós mesmos que os reconduziremos, findos os mandatos, de volta aos seus tronos. Nós os reelegeremos inescapavelmente, porquanto nessa pirâmide somos os ratinhos kamikazes: Se, de tão desassistidos, a miséria social não nos matar; nada mais nos matará. Sobreviremos eleitores a despeito das iscas envenenadas que condescendentemente ELES colocam em nosso destino.

Contraditoriamente, mantive intacta a minha moral, más fiz a ablação de alguns elementos sensoriais da minha fisiologia: já não vejo; não ouço nada e não falo. Pra que servem esses sentidos, se deles nada resulta?

Parodiando um velho ditado turco: “Os cães ladram e a caravana defeca”… Pra nós.

Pronto! Agora vou lavar uma trouxa de roupas; varrer a casa e depois dar um “trato” na Edimunda que está toda cheirosa lá na rede a me esperar.


Mehmed

3 respostas para “Ânimo minha gente! Tenham confiança!”

  • Autrpcrítica Fundamentalista says:

    Caro,
    Mehmed
    Assalam Aleikum

    É lógico que com o progresso de uma cidade é necessário, é uma coisa boa, é preciso que existe e que nós procuremos nos adaptar a ela com naturalidade e segurança, sem contudo perder nossas raizes, nossa auto estima.
    Com o progresso, e desenvolvimento, vem também fatores negativos, o MAL querendo sobrepor-se ao BEM, e é isto que entra nossa capacidade de progredir de exigir melhorias, inteligentimente, buscando fazer com que o BEM se sobreponha ao MAL.Isso nós podemos conseguir, buscando as luzes divinas da proteção de Alláh, e pedindo que Alláh, interceda por nós, não deixando que o MAL, prevaleça entre nós.
    Jovens, adolecentes, crianças, busquem nos ensinamentos e na memória de nossos antepassados, os sábios princípios que nos foram passados de geração em geração.
    São esses princípios que regem a nossa sociedade, buscar valores e dias melhores para seus moradores, e isto se faz com uma boa administração pública que agregue valores, voltado para o BEM comum da coletividade, sem ufania.
    Acredito que ainda vale a pena acreditar nos homens , que delegamos por votos o direito de guiar nossa cidade.Que os gestores públicos foram eleitos para “servirem”, ao povo ou renúncia o mandato a eles delegados.
    Não podemos ficar engordando “ratinhos”, roedores de cofres públicos!
    Salamaleque!
    Kalif Rabelo

  • Autocrítica Fundamentalista says:

    Correção de digitação:Autrpcrítica. leia Autocrítica Fundamentalista.

    Kalif Rabelo

    • Mehmem says:

      Condescendente e esperançoso muslime Kalif. Minha admiração e apreço. Assalamoalaykom.
      ‘Le coeur a des raisons que la raison ne connaît pas’, eis aqui um exemplo clássico que sustenta a razão do meu desacreditar cidadão. O fato abaixo, relembrou-me o auto de Natal de João Cabral de Melo Neto; (Morte e Vida Severina).
      Chucram pelo seu honroso e reestimulante comentário.
      Sala’am, Mehmed.

      30/11/2010 – 13h39
      Campanha de Dilma fecha com buraco de R$ 27,7 mi, o triplo da dívida de Serra
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      DE BRASÍLIA
      Ranier Dragon
      A campanha da presidente eleita, Dilma Rousseff, fechou as contas no vermelho, com buraco de R$ 27,7 milhões, o triplo do verificado nas contas do seu principal adversário na disputa, José Serra (PSDB).
      Campanha de Serra à Presidência tem dívida de R$ 9,6 milhões
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      A contabilidade petista, que será entregue por volta das 15h desta terça-feira ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostrará gasto total de R$ 177 milhões (mais cerca de R$ 6 milhões em bens estimáveis), sendo que os R$ 27,7 milhões representam um buraco total de 16%.
      Proporcionalmente, o deficit é maior do que Lula registrou na disputa à reeleição, em 2006, cerca de 10% do que havia arrecadado.
      Segundo o tesoureiro do PT, José de Filippi Jr., as contas da campanha, refeitas, mostraram que o rombo estava em torno de R$ 40 milhões no dia da eleição, em 3 de outubro (o próprio tesoureiro havia informado valor menor na ocasião, entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões), débito que teria sido diminuído graças a cartas enviadas a empresários em nome de Dilma e a um mutirão de dirigentes petistas que buscaram novas doações.
      A dívida será assumida pelo PT, que afirmará à Justiça a intenção de quitá-la em 12 parcelas. Serra acumulou dívida de R$ 9,65 milhões, para um total de gasto em torno de R$ 120 milhões.
      A assinatura de Dilma na prestação de contas foi colhida na manhã desta terça-feira por Filippi Jr. Hoje é o prazo final para a apresentação das contas dos candidatos que disputaram o segundo turno das eleições.
      FINANCIADORES
      Hoje também será possível saber quem foram os maiores financiadores das campanhas presidenciais. Tradicionalmente, bancos e empreiteiras lideram as doações.
      Segundo Filippi, o maior doador de Dilma foi o PT, que repassou a ela cerca de R$ 20 milhões dos cerca de R$ 130 milhões que arrecadou por conta própria. Excluído o valor sobreposto, a campanha de Dilma e o PT arrecadaram quase R$ 300 milhões na campanha.
      Entre as empresas que figuram como maiores financiadoras da campanha de Dilma estão a Camargo Corrêa, UTC, Andrade Gutierrez, CSN e Friboi.
      O custo total desta eleição, que deve ultrapassar R$ 3 bilhões em valores declarados pelos candidatos (média de R$ 20 por eleitor) já é 42% maior se comparado ao de 2006, mesmo sem as contas finais de Dilma, Serra e dos 18 candidatos a governador que disputaram o segundo turno.
      Em 2006, os candidatos gastaram cerca de R$ 1,9 bilhão e, em 2002, as despesas ficaram em R$ 1,1 bilhão, valores corrigidos pelo IPCA.

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