Os nove PMs envolvidos no suposto tiroteio que provocou a morte de Joel serão ouvidos hoje e amanhã na 28ª Delegacia

“Não tem como continuar uma vida normal. A gente sempre espera Joel chegar”. A frase é da mãe de Joel da Conceição Castro, 10 anos, sete dias depois da morte do garoto durante ação de policiais militares da 40ª CIPM, no Nordeste de Amaralina.

O menino, que teve o sonho de se tornar um mestre de capoeira como o pai interrompido por uma bala perdida, foi lembrado ontem, na Igreja de São José do Nordeste de Amaralina. A missa também contou com a participação de grande parte da comunidade, além de integrantes da torcida organizada Bamor – Joel era tricolor e foi enterrado com uma bandeira do Bahia.

Mãe de Joel abraça emocionada padre da Igreja de São José; pai tocou berimbau

Durante o culto, o pai, que também se chama Joel, entrou na igreja emocionado tocando berimbau. “A gente tem que levar a vida agora. Talvez ele veio pra cá cumprir a missão dele que seria acordar a população para o que tá acontecendo”, reflete o pai que carregou o filho nos braços clamando pelo socorro não recebido dos policiais que faziam a incursão no bairro.

Os nove PMs envolvidos no suposto tiroteio que provocou a morte de Joel serão ouvidos hoje e amanhã na 28ª Delegacia, também no Nordeste. Segundo Mirian, moradores pretendem criar um projeto social com o nome de Joel.

“O projeto de capoeira para as crianças será em homenagem ao o que ele representou para o bairro”, afirmou. Após a missa, uma pequena passeata foi feita até a casa da família. Uma roda foi formada e crianças do bairro jogaram capoeira em lembrança ao amigo falecido.

Felipe Campos | Redação CORREIO DA BAHIA
felipe.campos@redebahia.com.br