No dia que os corpos foram encontrados, Gabriela e Janaína não apresentavam sinais evidentes de imobilização

A separação da cabeça do corpo foi o que causou as mortes de Gabriela Alves Nunes, 13 anos, e Janaína Cristina Brito Conceição, 16, assassinadas no último dia 19, no IAPI. O perito criminal Fábio André Lima, do Departamento de Polícia Técnica (DPT), disse ontem que a decapitação foi realizada por vários golpes de facão no mesmo ponto e com emprego de muita força.

Lima foi o responsável pelo levantamento cadavérico do crime que teve repercussão internacional, devido a frieza de seus executores.

Foi através da análise dos corpos das duas vítimas que o perito chegou a essa conclusão, confirmada por outro profissional do DPT. “Conversei com o médico-legista que examinou o corpo e ele confirmou que as jovens morreram na decapitação”.

No dia que os corpos foram encontrados, Gabriela e Janaína não apresentavam sinais evidentes de imobilização. O perito suspeita que elas tenham sido dopadas. “Para confirmar isso será realizado o exame toxicológico”, disse.

As costas de Gabriela e Janaína estavam ilesas, mas no tórax haviam alguns cortes, provavelmente realizados durante a decapitação. A situação é indício de que elas estavam de frente quando foram atacadas pelos seus algozes.

Torturas

O perito confirmou que as meninas foram torturadas. “Eles tiveram parte do cabelo arrancado e Gabriela apresentava uma lesão na cabeça”. Segundo ele, reforçando sua análise sobre a causa das mortes, o ferimento na cabeça de Gabriela era superficial – ou seja, não provocaria a morte iminente.

O perito criminal Fábio Lima observou ainda que Gabriela e Janaína não apresentavam sinais externos de violências sexual. “Mas serão realizados exames específicos para comprovar se as vítimas foram estupradas”. Este resultados – assim como os demais, como análise das impressões digitais do Fiat Punto usado no crime – devem ser divulgados em até 30 dias pelo DPT.

Ontem, durante novas diligências do caso, policiais da 4ª Delegacia, em São Caetano, estiveram na Nova Divinéia e conduziram uma comerciante à delegacia. Ela foi levada para ser ouvida pelo delegado Omar Andrade Leal, pois foi citada no depoimento de Adriano Silva Nunes, 22 anos, um dos acusados de terem matado Gabriela e Janaína.

PRISÂO
Preso anteontem na Praia da Preguiça, Adriano afirmou que a única vez que teve contato com as meninas foi quando ele e as duas jovens estavam em um bar da comerciante junto com Alex dos Santos Silva, 21, o Lequinho, e Risovaldo Hora Costa, 20, o Riso, também acusados de terem cometido o crime.

Disse ainda que sua única participação no crime foi transportar os corpos ensacados do IAPI para a San Martin.

Embora o delegado Omar Leal tenha se negado dar informações sobre o depoimento de ontem à tarde, a comerciante negou a versão de Adriano ao deixar a delegacia. Ela disse que nunca viu as meninas e que, na sexta-feira, Adriano e os comparsas não foram ao estabelecimento. “Olhe que lá frequentam várias pessoas, mas não vi nem elas e nem eles por lá”.
Adriano foi preso após se recusar a dividir um baseado de maconha, no último sábado, na Praia da Preguiça, avenida Contorno. Ele disse “não” a dois homens que o abordaram pedindo umas tragadas da droga.

Em meio à discussão, um dos rapazes o reconheceu como um dos assassinos de Gabriela e Janaína. Após ser reconhecido, Adriano foi agredido e teve as roupas arrancadas por pessoas que estavam na praia. Durante a tentativa de linchamento, policiais da 16ª CIPM, no Comércio, foram acionados.

Quando três PMs chegaram à praia, Adriano havia fugido. Após denúncias de algumas pessoas que estavam ali, a polícia soube que ele era um dos homens que procuram há mais de uma semana.

Mesmo com a boca sangrando e várias escoriações pelo corpo, o acusado entrou no mar e conseguiu nadar até a Bahia Marina, ao lado da praia da Preguiça. Ele foi encontrado pelos PMs embaixo da pista da avenida, apenas de cueca, após ter sido rendido por um segurança.


Bruno Wendel|REdação CORREIO DA BAHIA
bruno.cardoso@redebahia.com.br