PLUFT, O FANTASMINHA

Exatamente no ano de 1967, em plena revolução no Brasil, foi fundada a SETA – Sociedade Estudantil de Teatro Amador, tendo como diretor artístico Washington Póvoas, o qual convidou um grupo de estudantes do IME – Instituto Municipal de Ensino, para fazer parte do elenco da peça infantil PLUFT, O FANTASMINHA, escrita pela dramaturga brasileira Maria Clara Machado, que conta a história do rapto de uma menina (Maribel) pelo malvado pirata Perna-de-Pau. Escondida no sótão de uma velha casa, ela conhece uma família de fantasma e faz amizade com Pluft, um fantasminha que tem medo de gente, mas cria coragem e se transformou em um herói em defesa da menina Maribel, neta do Capitão Bonança Arco-Iris ameaçada por um marinheiro de maus bofes, o Pirata da perna de Pau.

No meio da confusão, quem não perde a calma é Mamãe Fantasma, antiga fantasma de ópera, que vive na cozinha fazendo pastéis de vento. Já outro menino da especial família, o tio Gerundio, ao saber dos perigos que corre Maribel, chama os velhos fantasmas de navio para ajudar. Afinal, tudo se resolve com o auxilio de três bons marujos, revoltados com a malvadeza do Perna de Pau.

O Tio Gerundio, que passa o dia inteiro dormindo dentro de um baú; e Xisto, o primo aviador que surge apenas no final para fazer um salvamento espetacular da menina.

A trama se concentra na procura do tesouro do avô da menina, o Capitão Bonança, que morreu no mar deixando lá no fundo a sua herança. Mas a grande chave da poesia criada pela autora é a amizade que surge entre a Menina Maribel e o Fantasminha Pluft. Os momentos de comicidade ficam por conta dos amigos de Maribel, o trio de marujos João-Julião-Sebastião, que vai a sua procura para salvá-la. Um dos momentos de maior encantamento é no encontro entre Pluft e a Maribel, que, com medo de Pirata, chora, o que arranca do fastasminha a exclamação: “Que lindo, que lindo, que lindo… Mamãe, mamãe, mamãe, acorde! A menina esta derramando o mar todo pelos olhos”. Diante da explicação da mãe, Pluft diz que também quer chorar e a mãe torna explicar “Fantasma não chora, Pluft, senão derrete”.

Embora inicialmente Pluft e Maribel morram de medo um do outro,acabam ficando amigos a ponto de o fantasminha ajudá-la, conseguindo enfrentar seus receios e comprovando assim um processo de amadurecimento. Além de desvendar o caso, Pluft descobre sua própria identidade, assim como uma maneira de conviver com o outro, o diferente, que no texto é o ser humano.

A história do fantasma criança que descobre o mundo dos fantasmas adultos e dos seres humanos, foi considerada por estudiosos um texto sobre o medo de crescer e de amadurecer. Esse medo de Pluft, o fantasminha, é um sentimento autêntico e comum aos seres humanos, o que cria empatia com o público. Essa peça teatral longe da caricatura mostra-se como uma experiência enriquecedora para o amadurecimento das crianças.

Um fato curioso foi que apesar de tratar-se de uma peça infantil, todo sclipt da peça teve que passar pela Policia Federal para ser examinado todo seu texto, pois caso tivesse alguma coisa que fosse de encontro a ditadura o sclipt era apreendido e os responsáveis tinham que responder a inquérito policial.

O elenco foi composto por: Pluft – O fantasminha (Rui PT); A menina Maribel (Vânia); Mãe – Fantasma (Dalva Sampaio); Tio Gerundio – Marinheiro Fantasma (Zé Rabat); Xisto – Primo fantasma (Nilton Montagil – Tite Veterinário); Prima bolha – agente da policia secretíssima fantasma ( sobrinha da Dalva); Julião (Zé Matos); João Marinheiro (Luiz Lavinsky); Sebastião Marinheiro (Mario Castro); Pirata Perna de pau – (Luiz Castro) ; Capitão Bonança fantasma (Eduardo Melquiades); Contra regra (Cabloquinho); direção geral (Washington Póvoas).


Luiz Castro
Participante do Elenco