PARA TODOS E NÃO PARA POUCOS
Há poucos dias os veículos de comunicação anunciaram em todo território nacional o aumento salarial de 61,7% dos parlamentares da Câmara dos Deputados.
Como feito por eles próprios, o tititi das ruas logo sugeriu o insuportável “legislando em causa própria”, sendo bem sugestivo de um transeunte o desabafo “Pô, assim não dá. Enquanto os caras fazem o que querem, o meu aumento foi só uma merrequinha!”.
Fazer o quê se as leis emanam de lá! Ao questionamento do povo frente à fantástica iniciativa, os argumentos dos ilustres cidadãos se pautavam nos infortunados salários congelados há três anos e na busca por uma isonomia com o harmônico Judiciário, além do enfático discurso do “bom salário”, em vez de o deputado andar a procura de artifícios espúrios.
Até aí, para quem tem a hombridade e obrigação de ajudar o Executivo a tocar a nação pra frente… A remuneração deve estar sim à altura da responsabilidade e do trabalho prestado.
No entanto, embora uma minoria virtuosa, salvando a pátria, mereça o respeito brasileiro pelo exercício do cargo, a gente sabe que não é harmonicamente que a banda toca na Casa. Entre as variadas desafinações conhecidíssimas, a do conceito popular de “Câmara inchada”, e do presidencial “300 picaretas”, incluindo na pauta o inusitado comportamento confesso de seus membros em usarem meios artificiais para complementar as parcas recompensas, bem ilustram e comprovam o descompasso.
O admirável foi a rapidez como se deu o ato! Foi vapt vupt! Ligeirinho os chamados partidos da base do governo e da oposição deixaram as aparentes rusgas de lado e ó: não pensaram nem naquele tal efeito cascata e no banho que esperam tomar as patotas das Assembléias estaduais! No caso dos edis zebrou: eles estão p. da vida porque somente terão direito a revigorante ducha no ano de 2013.
Essas coisas dão ou não motivos para nos deixar perplexos? Ainda mais se acrescentarmos a praxe da instituição de mudar o ritmo –trocando como se fosse o axé baiano para uma valsa dolente– quando o assunto é para beneficiar o trabalhador do dia-a-dia e o aposentado! Interessante também para nós eleitores é saber que dentro da orquestra câmeral, existem músicos oposicionistas radicais que jamais tocam –simplesmente no intuito de tentarem ganhar aplausos da galera– peças musicais se não forem originais, sobretudo as palacianas.
Este arrazoadozinho, nobres parlamentares, não pugna em absoluto pela abstinência salarial de suas excelências, apenas trata-se de uma simples ajudinha nestas vésperas de um novo ano, a campanha do “salário justo” para todos e não para poucos, em coerência com a propagada intenção do governo (ao qual integra o Poder Legislativo) em diminuir as desigualdades no país.
Heckel Januário


























































