Transcrito do jornal Diário da Tarde de 21 de agosto de 1942

Comendador Firmino Alves

O QUE ITABUNA DEVE AOS SERGIPANOS

Recordando uma entrevista concedida a imprensa pelo saudoso Firmino Alves.
A elevação da antiga tabocas a categoria de cidade em 21.08.1910.

Sobre a fundação da cidade de Itabuna fato que hoje se comemora, o Comendador Firmino Alves, quando em vida, concedeu uma entrevista a um órgão da imprensa, narrando os primórdios do que hoje é uma das maiores e mais florescentes cidades do sul da Bahia.

Começou o entrevistado dizendo que tivera notícias da existência daquelas terras quando menino, pelo seu avô José Severino de Oliveira, que viajava para a vila de Abadia e só então soubera da grande quantidade de terrenos incultos que havia pelo sul baiano.

Contava 14 anos de idade, tendo seu pai adquirido pôr compra aos caboclos, habitantes naquele tempo na região, algum terreno. Vieram juntos ele e o pai , começando a trabalhar nas duas margens do rio, hoje chamado cachoeira, quando o verdadeiro nome é Itabuna, nome que mais tarde ele deu a cidade.

Nessa altura da entrevista o repórter perguntou ao Comendador Firmino Alves se já se cultivava muito o cacau.

O ancião depois de sorrir respondeu que uns cultivavam 10 pés, outros 20, isso nada representando, pois muito pouco se trabalhava.

Então ele e o pai, trabalharam bastante na burundanga e na Faz. Boa Lembrança, onde hoje passa a estrada de ferro, e depois de alguns anos tornava-se independente.

Continuando, disse que tendo necessidade de fazer uns balcões para uma casa de comércio na fazenda, teve uma idéia que só depois compreendeu a sua grandeza.

Em 1892, foi a sua terra natal para trazer carpinas e fez tal propaganda da fertilidade do solo onde vivia e das possibilidades em se fazer fortuna, que trouxe não somente os operários de que necessitava como também de quarenta de seus conterrâneos.

Depois disso vieram muitos outros, fornecendo ele mesmo as passagens pôr intermédio da firma Bessa, Ribeiro e & Ltda. Seus correspondentes na Bahia.

Não vinham como seus trabalhadores ou empregados, apenas ele os guiava, começaram a plantar e em pouco tempo todos estavam em boa situação financeira.

E assim o arraial de Tabocas tomou grande desenvolvimento, havendo até uma escola primária conseguida do governo de Ilhéus e em 13.09.1906, sob o governo do Dr. José Marcelino tornou-se a Vila de Itabuna e no dia 28.08.1910 foi elevada a categoria de cidade quando governava o estado o Dr. João Ferreira de Araujo Pinho.

O entrevistado ainda falou sobre sua família dizendo ter se casado em Itabuna, havendo do seu consorcio seis filhos dos quais estão vivos três, tendo também muitos netos e parentes outros em Sergipe.

Para terminar referiu-se a comenda que lhe fora concedida pelo Papa Pio X e a carta do então Arcebispo Primaz D. Jerônimo Tomé da Silva, fazendo-lhe entrega da condecoração enviada pôr Sua Santidade.

O Comendador Firmino Alves fez uma pausa e disse: – Pode publicar no seu jornal que o que Itabuna é se deve aos sergipanos.

E assim finalizou a entrevista com o velho fundador de uma das maiores e mais progressistas cidades da região meridional da Bahia.