Alfredo Amorim da Silveira em: “10TAQUES”.
Edição de 7 de abril de 1942
Olivença
João Moraes
Olivença, a terra dos indígenas, que foi elevada à categoria de vila independente em 1785, é um aglomerado de 82 casas, escorrendo de uma pequena colina em forma de presepe, cercada por uma bela floresta, onde se respira um ar completamente saudável. Ela tem no seu passado, muitas e caras recordações, mormente daqueles dias festivos, quando os < < caboclos >> festejavam o dia de Nossa Senhora da Escada, a sua padroeira, e o Divino Espírito Santo.
Eram festas que atraiam forasteiros de toda a região do sul do estado.
Mas… quando bem não se esperava, surgiu a desordem inimiga da tranqüilidade, e logo após veio a decadência; e não sei por que, Olivença foi condenada a desaparecer, tendo em 1912 perdido a sua categoria de município independente, ou seja, uma existência de 154 anos, ao ponto de serem fechadas as portas do deu templo! Por isso, seus filhos cobriram-se de tristeza e apelaram para o futuro que lhes restituiria o prestígio de Olivença.
Somente com respeito à tradição e por uma questão de fé subsistia a festa da padroeira, realizada, porém sem o entusiasmo primitivo.
Olivença foi desprezada, como o indivíduo que decai da sociedade por ter cometido um crime hediondo. Até os pescadores deixaram de atracar suas jangadas no pequeno porto, por não terem a quem vender o seu pescado…!
De quando em vez, é que passavam ao largo da sua costa, os barquinhos que com as suas velas enfunadas pareciam borboletas alvas, pousadas nas ondas.
Só dois amigos não a abandonaram! O mar, que nunca deixou de beijá-la com suas vagas, semelhando rebanhos de alegres merinós, e o caboclo que não quer morrer longe da sua terra.
Mas o destino lançou o seu protesto, libertando Olivença daquela condenação possivelmente injusta, e em compensação, deu-lhe um clima nordestino, enriquecendo suas águas com propriedades terapêuticas.
E Olivença ressurgiu, curando o aparelho digestivo, moléstias da pele e fazendo andar paralíticos, só com o milagre das suas águas virtuosas.
Logo foram abertas as portas da sua tricentenária igreja; as festas estão voltando ao fulgor antigo e hoje já se vê no seu semblante a alegria de viver, graças aos esforços dos seus amigos, como Adolfo Lima, os irmãos Ricardo e Hortêncio Castro, Edmundo Domingues, Carlos Magalhães e Lourival Mendonça, que muito vêem se interessando pelo progresso da Localidade.
E alem de tudo, Olivença conta com a proteção do governo de Ilhéus, e espera, confiando na boa vontade do prefeito e dos que vierem a governar no futuro, o justo e merecido amparo, no sentido de serem exploradas as suas vias de transporte, modernizadas suas ruas e também melhorando o seu porto, que é um fator da sua vitalidade econômica.
E se todos se unirem num só propósito, Olivença será, no futuro, uma das melhores estações balneárias do nosso estado, pois aos seus habitantes, compete melhorar suas hospedarias em prédios bem agradáveis, fazer aquisição de veículos apropriados para dar melhor conforto aos passageiros, especialmente às famílias que não resistem ao abalo de um veículo, que é mais apropriado para transportar bagagens.
Olivença não deixa de ter os seus inimigos gratuitos, pois, como sabemos; até Cristo teve seus perseguidores! Ultimamente tentaram fechar a sua estrada com 86 anos de trânsito público, parecendo, desse modo, que alguém se sente bem em apertar-lhe a garganta, para asfixiar a sua laboriosa e obreira população.
Mas, tudo contra a justiça e a vontade forte de um povo que confia na lei, tem que fracassar!
Enquanto eles perdem tempo, Olivença cresce! Pois ela é um sanatório que a Natureza doou a esta região.
Trabalhar por Olivença, é fazer a nossa maior riqueza, a saúde.


























































