O desastre de Fukushima cortou o impulso novo que a energia nuclear estava ganhando no mundo. Aqui, nem se fala, já que somos uns espasmódicos e Maria vai com as outras. Esta energia é limpa. A quebra controlada do átomo permite gerar energia elétrica sem a queima de combustíveis fósseis nas termelétricas e sem a devastação das florestas e rios para a construção de hidrelétricas.

Só há duas fontes energéticas de magnitude, a hidrelétrica e a nuclear. As demais, como a eólica, a solar e a da biomassa, são importantes complementos, sobretudo para a composição de uma matriz energética sustentável, interligando-se.

O acidente de Chernobyl, na União Soviética, em 1986, assustou o mundo, mas apenas houve 47 vítimas (é lógico que não é para ceifar ninguém), quando se propagara um numero maior de 4 mil. Esta usina era operada de modo acintosamente descuidado e a tecnologia do reator era sabidamente ineficiente, como foi informado pela imprensa.

O caso de Fukushima não foi nada disso, mas provocado por um terremoto de uma magnitude rara. Aí, não tem “tatuzinho”, aquele da piada, que agüente.

A segurança nas usinas atômicas tem sofrido um constante aprimoramento, em razão da consciência dos cientistas, procurando sempre gerar novos conhecimentos sobre os reatores e as práticas de manejo dos rejeitos.

Aqui no Brasil, temos um exitoso exemplo, Angra dos Reis. Mesmo num país com pouca seriedade pública, como infelizmente é o nosso, há um nicho de homens de ciência comprometidos com o saber e com o bem-estar da sociedade. São Físicos da mais alta estirpe, de conceito internacional.

Enquanto muitos condenam as novas usinas, inclusive a que seria instalada em Alagoas e na Bahia, ninguém fala nos riscos das fabriquetas de rojões de São João que tantos pobres trabalhadores tem matado. Nos incêndios em casebres, barracos e cidades de lonas que ceifam vidas. Fiquemos nesses dois exemplos elucidativos. O prezado leitor, com certeza, agregará tantos outros.

Riscos existem em qualquer atividade humana. Imaginemos um balão, brincadeira de pessoas irresponsáveis, caindo em Cubatão, eivado de indústrias químicas? A explosão de um caminhão tanque numa marginal pinheiro, SP, em hora de “pico”? Fios de alta tensão sobre barracos de papelão em tantas periferias por esse Brasil injusto por aí afora? Prédios mal construídos se despencando? Aeroportos mal sinalizados com carência instrumental? Enchentes em rios assoreados e queda de barreiras em zonas desmatadas? No geral, só afetam aos pobres e, por isso, ninguém está aí e escondem tudo por debaixo do tapete, não se contabilizando as vítimas.

E, finalizando, mais importante é se atentar para o gerenciamento das usinas nucleares, não se podendo negligenciar colocando pessoas despreparadas, só porque tem QI político, quando o cargo exige alta capacitação profissional de pesquisadores do ramo. (Maceió, 30 de março de 2011).

Luiz Ferreira da Silva
Engenheiro-agrônomo, FFA e Escritor
luizferreira1937@gmail.com