A força da união.
Todo ano, no primeiro sábado do mês de julho, comemora-se o Dia Internacional do Cooperativismo. Em 2011, em sua 89º edição, o júbilo se dará juntamente com os festejos da independência baiana. Portanto, comemoraremos duplamente a força da união de pessoas em prol do interesse comum.
Em 2 de julho de 1823, a Independência da Bahia ocorreu quando a divisão de interesses colocou de um lado, portugueses, interessados em manter a província como colônia, e de outro, brasileiros, de todas as tendências, que, diferentemente do 7 de setembro (“Nasce o sol ao 2 de Julho, Brilha mais que no primeiro!…”), com armas e sangue, conquistaram a liberdade por todos sonhada.
Na Londres de 1844, nascia o cooperativismo, fruto da associação de tecelões, que exauridos pela exploração econômica a que eram submetidos, decidiram unir seus interesses e se tornarem senhores do próprio laboro, eliminando assim, os atravessadores.
Hoje, em nosso país, apesar das desigualdades sociais, felizmente o interesse da maioria ainda não se voltou para as armas, mas para a busca de um modelo de desenvolvimento sustentável, que gere progresso, emprego, renda e inclusão social com o menor impacto ambiental possível. Contudo, diante de uma economia de mercado baseada no consumo, esse objetivo parece cada vez mais distante. E os problemas sociais se renovam e se avolumam sobre os que financiam as ações paliativas governamentais.
E o futuro? Segundo o IBGE, os jovens representam cerca de 13,5 % da população brasileira, e são mais da metade dos extremamente pobres, ou seja, 16,2 milhões de brasileiros. E de acordo com o censo escolar 2010, houve queda significativa no número de matrículas no último ano, em todas as etapas de ensino. Uma nação é feita de pessoas. E não transformaremos nosso país sem um maciço e permanente investimento em capital humano.
Desde seu marco inicial, o cooperativismo vem se estruturando mundialmente. Em 1895, também em Londres, foi fundada a ACI – Aliança Cooperativa Internacional, que não só congrega e promove o cooperativismo mundial, como o representa em instâncias internacionais. Para se ter uma idéia da força de sua representatividade, a ACI foi a primeira organização não governamental a quem as Nações Unidas concedeu, em 1946, o status de órgão consultivo. Hoje, é uma das 41 entidades que figuram na Categoria I da lista de organizações com status de órgão consultivo das Nações Unidas. A única remanescente do século XIX e que resistiu ao tempo e a todos os acontecimentos dessas últimas décadas, como duas guerras mundiais, revoluções e as mais diversas e profundas mudanças político-econômicas globais.
O mundo, a cada ano, diante da inviabilidade do padrão de consumo humano, reconhece a necessidade de investimentos em ações que promovam a Economia Solidária em suas mais diversas formas, sobretudo através das sociedades cooperativas, que colocam o capital humano acima do capital financeiro. E o ápice desse reconhecimento, se deu dia 18 de dezembro de 2010, durante a 64ª Assembléia Geral das Nações Unidas, quando seus 55 Estados-Membros aprovaram a resolução: “- As Cooperativas e o Desenvolvimento Social”, que declara o ano de 2012, como Ano Internacional das Cooperativas (IYC, sigla em Inglês). Esta é a primeira vez na história que um ano será dedicado ao setor cooperativista.
Mundialmente, esse setor é formado por 1 bilhão de homens e mulheres de todas as idades, raças e credos, que optaram por uma filosofia de vida não centrada no lucro, mas sim na qualidade de vida. No Brasil, é representado por cerca de 7 mil cooperativas, 9 milhões de associados, e algo em torno de 300 mil empregados. Se incluirmos as famílias desses cooperados, falaremos, na verdade, de 30 milhões de brasileiros, que através de suas cooperativas, já representam 5,9 % do PIB nacional, e em 2010, foram responsáveis por US$ 4,417 bilhões (dólares) nas exportações do país, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB).
Mas apesar de lermos em nossa Constituição Federal, em seu artigo 174, parágrafo 2º: – “A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo”, e de pesquisa da Universidade de São Paulo demonstrar que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é maior em municípios que contam com a atuação de cooperativas; nos 13 ramos de atividades econômicas nos quais atua, o cooperativismo brasileiro poderia contribuir mais significativamente com a redução das desigualdades sociais. Um bom exemplo dessa possibilidade vem do setor de reciclagem de latas de alumínio, onde mais de 95% das latas do país são recicladas, e a maior parte da coleta e entrega à indústria é realizada por cooperativas e associações de catadores, que auferem anualmente, pela força de sua união, algo já próximo de R$ 2 bilhões. E dessa força, temos o orgulho de sermos o país recordista em reciclagem de latas de alumínio.
Esse ano, mais uma vez, teremos reduzido nosso percentual de crescimento do PIB. É como vôo de galinha. A vontade de realizar é imensa, mas o peso é grande demais, e as asas não conseguem cumprir a missão.
É preciso dar asas ao empreendedorismo brasileiro e reduzir o peso do Estado. E investir na juventude e na Economia Solidária é o atalho mais curto para o duradouro “vôo” com justiça social. A ACI acredita que a JUVENTUDE possui maior desejo de liberdade e capacidade de se unir em torno de interesses coletivos, mas as esferas governamentais precisam estimular e fomentar mais vigorosamente as ações de Economia Solidária, diferenciando-a tributariamente (e já temos muitos exemplos disso em diversos municípios do país), e ampliando o conceito de ato cooperativo, como ocorre em outros países.
Portanto, nesse 2 de julho, festejemos a capacidade realizadora da união de pessoas em busca de um ideal. E como música de fundo, o Hino ao Dois de Julho, que a Lei do Estado da Bahia nº. 11.901, de 21 de abril de 2010, sacramentou como hino oficial de nosso estado. O hino que celebra a união de brasileiros pela conquista da liberdade.
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Luciano Tavares é cirurgião-dentista e vice-presidente da Uniodonto Ilhéus, cooperativa de trabalho odontológico. (contato: tavareslm@hotmail.com)



























































