(*) MELCK RABELO

 A bomba estourou na cidade: o vice-prefeito Mário Alexandre resolveu romper com o prefeito Newton Lima. Para tanto, estimulados pelas raposas políticas Alcides Kruschewsky e Magno Lavigne, exonerou de uma só canetada três secretários municipais tidos como “intocáveis” pelo prefeito Newton. Ao se aproveitar da licença médica do prefeito, afastado paratratamento deuma doença ainda desconhecida, Marão teria feito algumas contas e imaginado que estaria “ao lado do povo” demitindo os secretáriosJorge Bahia, Carlos Freitas e Marcelo Barreto.

Mário Alexandre ainda é neófito em política e no seu entendimento, sairia como herói, pois via naqueles secretários o âmago do desgaste palaciano.Se esse foi o seu entendimento, enganou-se redondamente, pois agora o desgaste de Newton foi dividido com ele. Ou melhor, ao sair com a pecha de traidor,o vice-prefeito conseguiu desagradar gregos e troianos.

A turma do PSB – leia-se Alcides, Magno e Adalberto Galvão–decepcionados com o correligionário Newton Lima,resolveu insuflar Marão a cometer esse suicídio político. Foram espertos, aproveitando uma insinuação de Marão de que estaria disposto a exonerar os três secretários e jogaram tempero na comida. Bem, em princípio Marão estaria saindo como um gestor que “ouviu os anseios do povo”, mas amigos, a história é outra.

Após analisar aquilo que a maioria dos cidadãos já desconfiava, chego à conclusão de que tudo não passou de uma encenação. Newton Lima, fraco e sem atitude, não tinha coragem de exonerar Carlos Freitas – não entremos no mérito das razões – e Marão por sua vez, tinha que encontrar alguma brecha para descolar de Newton.  Foi armada então a Grande Farsa, e de gaiato entraram Bahia e Barretão. Nunca se viu na cidade nenhum clamor para a saída de Bahia e Barretão. Carlos Freitas, talvez, pelo seu temperamento difícil,desagradasse muitas pessoas, mas é inegável que ele era um dos poucos que trabalhava com afinco.

Portanto, essa “voz do povo” só era ouvida por Marão. O vice, auxiliado pela sua genitora – adepta da Lei de Gerson –fez suas contas eleitoreiras e concluiu que teria que se afastar de Newton. Bateram o martelo. O prefeito se afasta, o vice assume, demite aquele que o prefeito não tem coragem de demitir e de quebra sai como herói.  Perfeito! Ou quase… Me engane que eu gosto. No retorno de Newton, ele fez um misancene afastando o fraco e desconhecido secretário de Assistência Social, indicado de Marão, para “provar” que houve realmente um rompimento. Fez outromovimento me-engane-que-eu-gosto reconduzindo Barretão, e deslocando Bahia – que continua sendo o primeiro-ministro – para a pasta o Planejamento.

Como maior prova da farsa, não reconduziuCarlos Freitas, o fiel colaborador que ele não teve coragem de demitir. Qualquer prefeito com vergonha na cara traria de volta todos os exonerados à sua revelia e se fosse o caso, os demitiria posteriormente. Acima de tudo estava em jogo a sua autoridade. Mas nada disso aconteceu. Ainda de quebra, reconduziu o tal Ronaldo – que fora nomeado por Marão para a secretaria de finanças – ao seu lugarzinho de origem. Raspo minha barba se Newton exonerar mais alguma pessoa indicada por Ângela e Marão. É o verdadeiro rompimento de mentirinha.

O pior de tudo isso é que o PT caiu na armadilha e ficará segurando o pepino. A turma do PT de Ilhéus é de um amadorismo que dá dó. Viram alguns cargos vazios e pularam em cima. Ávidos. Não calcularam a encrenca que se meteram, pois ficarão segurando as quatro alças do caixão e não poderão mais largar. O verdadeiro candidato de Newton continua sendo Marão. O candidato do PT será usado na artimanha e poderá ser qualquer um – tanto faz – para o povo besta (como eles imaginam) pensar que Mário Alexandre é oposição.  Com essa lambança toda, sabem quem foi o grande vitorioso?  Jabes Ribeiro, que está na dele, assistindo a tragicomédia A Grande Farsa, de camarote. Sem saber se ri, ou se chora de pena desse incrível exército de Brancaleone.

(*) O autor é aposentado e internauta militante