Raymundo Pacheco Sá Barreto

 

Ficando viúvo de Salústia Fernandes Sá Barreto, com quem teve três filhas: Maria José (Zezé), casada com Nazal Salame Soub; Maria Sofia e Maria Amália, veio de Conquista (Vitória da Conquista) para Tabocas (Itabuna) em 1912, João Diogo Sá Barreto (Bacharel em Direito), depois, por motivos profissionais, se fixando em Ilhéus. Já em Ilhéus casou-se com Maria Amélia (Iná) do Amaral Pacheco, filha do Cel. José Gomes do Amaral Pacheco, e irmã de Raymundo do Amaral Pacheco, de tradicional família ilheense, com quem teve os seguintes filhos: Maria Celicina (Celi), Maria Cleofa, José Pacheco (Zecheco) e o caçula Raymundo Pacheco Sá Barreto, que nasceu em 21 de fevereiro de 1924, na Rua Conselheiro Saraiva nº 46, hoje Rua Antônio Lavigne de Lemos.

Quando criança Sá Barreto estudou em Ilhéus nos colégios Santa Terezinha em 1929, e depois no Ateneu Fernando Caldas, com as professoras Alina Carvalho e Guilhermina Sellmann, onde também estudaram Jorge Amado e Adonias Filho.

Ao completar oito anos de idade, em 1932, falecem seu pai e seu avô materno.

Em 1936 conclui o curso primário e muda-se para Salvador para fazer o curso ginasial, indo estudar no Colégio Nossa Senhora da Vitória, dos Irmãos Maristas. Volta para Ilhéus em 1940 para estudar no Colégio Municipal de Ilhéus (IME), inaugurado no ano anterior.

Em 1941 transfere-se novamente para Salvador, matriculando-se no curso anexo do Colégio Carneiro Ribeiro, onde conclui o curso ginasial em 1943. Em 1944 interrompe os estudos de Direito, foi reprovado em latim, e retorna a Ilhéus.

Em 1945 vai morar com seu irmão Zé Checo no Rio de Janeiro, onde foram donos do ”Bar e Café Amazonas” no Catete, e depois do “Feitiço da Vila” em Vila Isabel. Retornando para Ilhéus em 1947 fundam a Empresa “Sá Barreto & Companhia”, no começo uma representação, depois um atacadista. Com o falecimento do seu sócio e irmão em 1949, a firma não vai adiante e cerra suas portas em 1951.

Em 23 de novembro de 1948 casa-se com Itassucê Leite Sá Barreto, neta do Cel. Basílio de Oliveira, com quem namorava desde os 16 anos, tiveram os seguintes filhos: Amélia Rosa, José Tadeu, Maria Vitória (Tuca), casada com Paulo Paraíso, João Tiago, Raimundo Filho, e Emanuel (Filho adotivo).

Por vocação, em 1950 toma os rumos da política, ingressando no Partido Social Democrático (PSD), fazendo campanha para o candidato a governador do Estado Régis Pacheco.

Com a ajuda do amigo e também tabelião, Zuca Bastos, com a aposentadoria de Pedro Piauhy Filho, Tabelião do Cartório do 1º Ofício de Notas da Cidade de Ilhéus, torna-se Tabelião Interino do mesmo, sendo em abril de 1951 nomeado Tabelião Titular, ficando no comando do cartório até a estatização do mesmo em 1990, requerendo sua aposentadoria um ano depois.

Em 1954 elege-se vereador, junto com Ponciano de Novais Miranda e Ariston Cardoso, no governo do Prefeito Henrique W. Cardoso e Silva, período de 1954/58, pelo PSD, tornando-se vice-presidente da Câmara e líder da oposição.

Candidata-se em 1963 ao Legislativo Estadual, não logrando êxito, sendo nomeado pelo Presidente João Goulart (Jango) agente da Companhia de Navegação Loyde Brasileiro (Companhia de navegação estatal fundada em 1890 e extinta em 1997, quando era governador da Bahia Paulo Souto) em Ilhéus, perdendo o cargo na revolução militar de 1964, retorna às suas atividades políticas, tornando-se Presidente do Diretório Municipal do PSD, de quem foi fundador e primeiro vice-presidente.

Com a dissolução dos partidos políticos na revolução de 1967, torna-se um dos fundadores e 1º Vice-Presidente do “Movimento Democrático Brasileiro” (MDB). Sem abandonar o partido, afasta-se da política por alguns anos para dedicar-se às atividades de seu cartório e suas fazendas.

Entre os anos de 1968 e 1980 torna-se Presidente do Rotary Clube de Ilhéus duas vezes; Secretário e Presidente do Sindicato Rural de Ilhéus (09.01.1978/20.11.1979); Diretor- Tesoureiro do Conselho Consultivo dos Produtores de Cacau (CCPC); escrivão da Santa Casa de Misericórdia de Ilhéus (Hospital São José); Presidente do Cursilho da Cristandade de Ilhéus (Coordenador Diocesano), também por duas vezes; Presidente da Sociedade São Vicente de Paulo, (Abrigo São Vicente de Paulo).

No governo de Antônio Olímpio (1993/ 1996) foi Presidente da Fundação Cultural de Ilhéus, membro do Conselho Fundador da Casa de Jorge Amado.

Sempre envolvido com movimentos em prol do desenvolvimento de Ilhéus, junto com Eusínio Gastón Lavigne e Demóstenes Bérbert de Castro, participou intensamente em prol da construção do Porto Internacional do Malhado e da construção da ponte do Pontal. Foi Conselheiro do “Conselho Estadual de Cultura da Bahia” no governo de Paulo Souto.

Em 1982, de volta à política, candidata-se a Prefeito de Ilhéus, pelo PMDB (Partido Movimento Democrático Brasileiro), ficando em segundo lugar com 10.000 votos entre os quatro candidatos, perdendo a eleição para Jabes Ribeiro.

Candidata-se a suplente de Senador Federal pela Bahia, por uma coligação de partidos em 1986, sendo candidato do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), partido a que havia se filiado, sendo seu presidente, em Ilhéus, de 1986 a 1994, mais uma vez não logrando êxito.

Grande conhecedor de fatos e da história de Ilhéus, em 1981 publicou o livro “Notas de um Tabelião de Ilhéus”; participou do livro “Testemunhos para a História”, escrito por Janete Ruiz Macedo e Antônio Fernando Guerreiro de Freitas, da série “Preservação da Memória Regional”, da EDITUS, editora da Universidade de Santa Cruz (UESC), publicado em 2001. Também participou do livro “Encontro na Academia de Ilhéus” da Editora Folha Carioca, em 1985, junto com Fernando Sales.

Com o falecimento de Carlos Pereira Filho, em 21 de maio de 1985 assume a cadeira de número 34 da Academia de Letras de Ilhéus.

Grande curtidor da vida, e contador de histórias, principalmente da história de Ilhéus, sua terra natal. Em sua casa no Jardim Savoia, todo final de semana havia lautos almoços para os amigos que o iam visitar, regado com muita cerveja, vinho, uísque, e muita conversa boa.

Faleceu no dia 23 de julho de 2003. Seu corpo está sepultado no Cemitério de Nossa Senhora da Vitória, no jazigo perpétuo de sua família.