Roberto Carlos Rodrigues

No Oiteiro de São Sebastião, corre a boca-miúda que o prefeito de Ilhéus é um bom cozinheiro. Apregoa por aquelas bandas que o mameluco Lima é especializado em moquecas e frutos do mar. Alardeia-se por ali que suas moquecas de Robalos e Olho de Boi são magistrais e muito bem temperadas no sal-preso, coentros e o seu tempero insubstituível: suco de limões. Por sinal, esse último item é o seu toque culinário especial. Nos sucos de limões, o cozinheiro Newton gosta de deixar as postas de peixes em marinadas de 15 minutos para puder pegar gosto cítrico. Mas não é que Lima está fazendo a mesma coisa com o povo de Ilhéus! Ao seu jeito caboclo ele vai empurrando os dias, tocando as horas, assoviando as melodias de Caymmi e se mantendo no cargo de prefeito como quem observa de longe, passar a alarida caravana dos críticos e descontentes. Estouram crises aqui, escândalos ali, uma decepção política acolá e ele nem tchum! Saem secretários, debandam antigos parceiros e Newton Lima vai cozinhando com fogo brando a sua insossa gestão municipal. Quem apostou que ele ia ou vai renunciar ao cargo de prefeito de Ilhéus, está como molho de pimentas malaguetas nos olhos.

Temos de tirar o chapéu para essa habilidade do senhor prefeito ilheense. Realmente ele nos surpreende com essa sua técnica de hipnose social, – provavelmente aprendida na arte da paciência e da alquimia dos recursos que todo bom cozinheiro tem. Por conta disso, pode a oposição gritar nos últimos gugominhos, fazer manifestações públicas pedindo a sua renúncia ou os cambaus, pois para Newton nada disso importa nem lhe incomoda. A meta do prefeito Lima é sair desse cargo na última hora do último dia legal da sua gestão. No jeito calmo de Lima, o povo ilheense vai tendo a paciência marinada em emolientes sucos de limões colhidos nos férteis terrenos da política.

Newton Lima parece ter aprendido facilmente a arte da política e a exerce como maestria. Nos bastidores governamentais articula como quem joga xadrez no escuro, nas ruas faz-se de ouvido de mercador, para o povo diz que honrará o cargo que este lhe embutiu nas urnas. Para as oposições ele vai colocando lenha na fogueira das vaidades destas e deixando-as como quem chora ao cortar as ácidas cebolas do poder. Enquanto isso, na Câmara de Vereadores de Ilhéus são servidas as saladas hidropônicas das discórdias individuais.

Como cozinheiro amador e dublê de político, Lima vai tocando seus dias á frente da Prefeitura Municipal de Ilhéus sem muito se preocupar como a história tratará a sua gestão ou o que o povo e seus críticos pensam dele. Enquanto isso, nos finais de semanas os aromas das suas suculentas moquecas enfeitiçam os belos ares do Oiteiro de São Sebastião. Nos restantes dos dias Ilhéus fede a lixo, descaso e desprezo. Triste sina de agourentos dias.


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