Antônio Francisco Leal Lavigne de Lemos

(Ton Lavigne)

Descendente de uma das famílias mais tradicionais de Ilhéus, filho de Francisco Lavigne de Lemos e de Cora Bastos Leal, que ao casar-se passou a chamar-se, Cora Leal Lavigne de Lemos, nasceu em Salvador, Bahia, no Hospital Português, em 17 de outubro de 1942. Ton tinha mais seis irmãos: Eduardo, Luiz, Domingos José, João, Maria Luiza e Carolina, sendo ele o mais velho de todos.

Assim que nasceu veio para Ilhéus indo morar com o avô paterno na Fazenda Rosário, às margens do Rio Almada, no Iguape.

Quando criança teve uma grave enfermidade que o fez perder o movimento das pernas, todos pensavam que não haveria cura para o seu problema, foi levado para Salvador, Rio de Janeiro e não encontraram solução. Sua Mãe, desesperada, começou a levá-lo para a Catedral de São Sebastião e colocá-lo sobre o túmulo de Dom Eduardo, pedindo-lhe que curasse o seu filho. Um dia, milagrosamente, ao ser colocado sobre a lápide, Ton começou a andar. O caso de Ton é um dos milagres atribuídos a Dom Eduardo Herberhold. A partir deste dia passou a ser devoto de Dom Eduardo, sempre fazendo orações sobre o seu túmulo na Catedral.

Fez a sua alfabetização numa escola do Estado, na Fazenda Rosário, com a professora Aldice Pinto da Silva, indo depois estudar no “Ateneu Fernando Caldas”, onde concluiu o curso primário. Fez o curso ginasial no Instituto Municipal de Educação, IME. Com o curso ginasial concluído foi estudar em Salvador, no Colégio Maristas, e no Colégio Central. Voltando a Ilhéus concluiu o curso secundário no IME. Formou-se em Bacharel em Direito pela faculdade de Direito de Ilhéus em 19 de dezembro de 1970. Na mesma época em que fez a faculdade de direito, fez também o curso de filosofia na Faculdade de Filosofia de Ilhéus, não concluindo o curso.

Com a morte de seu pai quando tinha 20 anos de idade, assumiu a administração dos bens da família.

Muito culto, grande conhecedor da história de Ilhéus, entusiasmado pela beleza e exuberância do Rio Almada aos dezoito anos tornou-se poeta, nunca publicou um livro, mas sempre publicava seus poemas e suas crônicas em jornais e revistas da cidade, publicou seu primeiro poema no jornal “A Voz do Estudante”. Em 26 de junho de 1981 tomou posse na Academia de Letras de Ilhéus, cadeira de nº 18, cadeira esta que tem como patrono Fernando Caldas e Joaquim Lopes Filho como fundador, depois sendo ocupada por Ele, sendo por sua morte ocupada por Ruy Póvoas.

“O Rio”

é um de seus poemas, escrito em março de 1972.

A água escura escorrendo

livre por entre as pedras,

levando a areia grossa encardida

nos caminhos do mar de Ilhéus…

O Cachoeira vive murmurando

a conversa da água e da pedra,

em suas pequenas corredeiras

entre poços negros e calmos.

Singelo, vem de não muito longe

misturado do Salgado e do Colônia,

trazendo da vida o gosto do sal e a

bravura livre dos pataxós.

Rio calmo, na sua tranqüilidade,

vestido de luz e tenro vento gostoso,

deslizando maneiroso as pedras negras,

imprevisíveis nas suas enchentes.

O Cachoeira é o mais belo poema

que a inspirada natureza daqui escreveu.

Com a aposentadoria de José Calazans Bastos, Oficial do Registro de Imóveis do 1º Ofício da Comarca de Ilhéus, foi nomeado interinamente Oficial do Registro pelo Governador do Estado da Bahia em 16 de junho de 1967, depois  habilitado por concurso, foi nomeado definitivamente Oficial do Registro de Imóveis do 1º Ofício em 10 de março de 1969, aos 27 anos de idade.

Cacauicultor, dono da Fazenda Alegrias, na rodovia Ilhéus – Itabuna, junto a UESC, fazenda que pertencia a sua família desde 1800; funcionário público, poeta, acadêmico, grande defensor da história de Ilhéus, sua terra de coração. Foi Presidente do “Diretório Central do Estudante” no IME, militante do movimento estudantil contra a ditadura militar; Secretário de Educação do Município de Ilhéus no governo de Edmon Darwich; Editor-chefe da Revista Desfile, publicada em Ilhéus; Diretor da Escola de Samba de São Sebastião, de onde foi autor, junto com Saul Barbosa, de sambas enredo da Escola; fez parte diversas vezes do corpo de jurados em concursos culturais da cidade. Muitas vezes foi convidado a ser candidato a Prefeito de Ilhéus, nunca aceitando os convites.

Em 22 de junho de 1980 casou-se com Suely Hage da Silva com quem teve os seguintes filhos: Leonor, Antônio e Geraldo.

Faleceu na madrugada do dia 5 de abril de 2004, cinco minutos depois da meia noite, no “Hospital da Cidade”, em Salvador, cidade onde havia nascido há 62 anos.

Seu corpo foi sepultado no Cemitério da Vitória, no mesmo dia do seu falecimento, às cinco horas da tarde.