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Alfredo Amorim da Silveira em: “10TAQUES”.

JIPE

 

Nem só os grandes homens fizeram nome na história de Ilhéus, existiram outros, não tão conhecidos, que nunca fizeram nada, simplesmente existiram, mas ficaram famosos e gravaram seus nomes na história desta nossa cidade, refiro-me aos famosos  desajustados e os queridos loucos da minha época de jovem.

Jipe, foto acima, era natural de Itabuna, que quando jovem tinha vontade de ter um jipe, sempre pedia ao seu pai, é o que dizem, para lhe dar um e o pai lhe dizia que não, que não lhe podia dar, um dia chateado de tanta pidança disse que se ele tinha tanta vontade de ter em jipe que se virasse em um, e ele virou, percorria toda a região com um retrovisor e uma antena em uma mão e uma buzina na outra, uma caixa de madeira  amarrada nas costas, o bagageiro.

O grande Noronha, que adorava dar beliscão nas meninas, dizem que quando jovem teve um ataque de catalepsia, e o deram por morto. No seu enterro, na subida do Cemitério da Vitória voltou ao normal, se batendo no caixão, os carregadores o soltaram no chão e saíram em disparada, não ficou um pra contar a história, por este motivo ficou debilitado, se esta história é verdade ou não, não sei.

Gabí (Gabriel), entregador de marmitas e fazia pequenos mandados, morava no Outeiro de São Sebastião, Buzu era o nome de sua mãe,  não gostava que gritasse o nome dela, ai já viu né,  a turma para lhe abusar gritava bem alto, “Gabí, cadê Buzu” , ele virava na macaca, xingava, jogava pedras, ia a loucura.

Buraco, Sr. Antônio, uns dizem que era natural da região da Saloméia, no Cururupe,  que tinha sido guarda costas de um velho Coronel de Ilhéus, ele dizia que tinha sido cangaceiro de Lampião, ficou cego ainda jovem, andava sozinho por toda a cidade, pedindo ajuda as pessoas, sua única companhia era a sua bengala; como era cego, para lhe ajudar as pessoas avisavam de buracos em seu caminho, “olha o buraco”, e ele não gostava, jogava pedra nas pessoas, xingava, por este motivo ficou  com o apelido de “Buraco”. Conhecia as pessoas pelo tom da voz. Acho que a situação em que a cidade se encontra hoje, um buraco só, é em sua homenagem.

Pó de Arroz,  tinha a cor da pele muito branca, e mania de limpeza, por esse motivo lhe foi dado o apelido de Pó de Arroz, todos os dias ficava nos fundos do Britânia Hotel esperando por seu almoço e reclamava quando não tinha o que ele queria, adorava comer frango.

A Índia, uma cabocla franzina, natural de Olivença, amparada pelas senhoras de caridade da Associação Santa Isabel,  todo ano tinha um filho,  vivia rodeada de cachorros, seus amigos e companheiros, dividia toda a comida que conseguia com eles.

Bigode de Arame, negro, baixinho, com um tremendo bigode, a causa do seu apelido, capoeirista do estilo Angola. Era carregador e vendia mercadorias pelas ruas da cidade num carrinho de feira, tinha a voz fanha, mas grossa, era genial, se estivesse vivo seria um grande publicitário, pois tinha umas criações espetaculares. Tinha uma senhora do Pontal, nesta época ainda não existia a ponte, que criava galinhas, e ele vendia os ovos para ela aqui em Ilhéus, saia empurrando seu carrinho pelas ruas gritando bem alto: “Olha o homem dos ovos de fora”, os ovos eram produzidos no  Pontal!  Outro de seus aprontes: Passava pela rua da  Pimenta de Cima fazendo suas vendas e  gritando, “Na Pimenta de Cima só tem corno”, dava uma paradinha e completava a frase, “Menos meu amigo…”, claro que não posso dizer o nome, mas segundo as mas línguas era o único.

Viroli, grande herói do naufrágio do iate Itacaré em 1937; Sete Espíritos; Pireu; Aluvaiá, e muitos outros que se for falar deles não haverá espaço suficiente, todos foram pessoas que marcaram uma época nesta cidade, nas nossas vidas, tanto que até hoje, quarenta, cinqüenta anos depois, são lembrados pelos hoje idosos, jovens da época, que não conseguem se esquecer deles.

3 respostas para “Alfredo Amorim da Silveira em: “10TAQUES”.”

  • Rainaldo says:

    OLá Srº Alfredo, quando era menino com meus 7 a 8 anos de idade, morava na Rua Carneiro da Rocha e lembro-me muito bem dessas figuras. Jipe passava na rua de conca alcolor azul e camiseta branca de calças jeans e sempre de boné com uma caixa de papelão amarrada nas costa comprava laranja na barraquinha de “Carlinhos” na Praça Coronel Pessoa e buzina be be. Cabocla ou melhor caboca como chamávamos tinha um filho chamado Fernando ele tinha a mesma idade que eu na época. O engraçado que Gabi levava marmitas para o Drº João Adonias Aguiar, delegado da cidade, e Srº Dalmiro Freitas, Herval Soledade, Drº Leonel Cristo, Professora Mita, para a Família Mendonça, ´Dona Bizunga Badaró e que Conzinhava era minha mãe Dona Maria da Glória a primeira pessoa a Fornecer Marmitas em Ilhéus, antigamente as marmitas eram de aluminio e tinha um suporte de madeira. Ah tinha um doido também chamado MIJÃO e PÉ DE BURRO segundo ele perdeu os dedos dos pés no porto quando o navio atracou. Interessante os doidos daquela época era parte do nosso cotidiano, e sem falar de Rita Goiabão que morava no sétimo Céu. Um abraço Rainaldo Costa.

  • paulinho paleta says:

    amigo alfredinho, esquecestes do lendario kun fu e do grande orador da d pedro II. sapa veiga, criaçoes imortais do nosso amigo paulo patury. kkkkk um abraçao em todos dai..

  • Guga says:

    Bom dia a todos
    Gostaria de fazer alguns comentarios a respeito desta materia e tambem se possivel contribuir com mais algumas informaçoes.
    sobre os queridos loucos , um em particular Gabi meu tio, dona Buzú minha vó agradeço a lembrança, assim como aos outros da minha infancia, na lista faltou a homenagem a Noel , que tanbem ficava muito bravo ao ser chamado de (Noel cadé o bode)ele tomava conta do cine Ilheus)Sapa veiga tinha uma banca de jornal na Marques de paranagua,Kondrongo morador do Oiteiro, emfim a todos outros.

    abraços a todos.

    GUGA

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