Cerca de 40 empresas das regiões de Ilhéus, no litoral sul, e Caetité, no sudoeste da Bahia, participam da segunda etapa do Programa de Qualificação de Fornecedores

Givaldo Sobrinho, da Imapel, participa do PQF (Foto: Taironny Maia).

No interior da Bahia, a busca de qualificação deixou de ser peculiaridade apenas de quem almeja um lugar ao sol no mercado de trabalho. Empresas das regiões de Ilhéus e Caetité, respectivamente no sul e no sudoeste do Estado, também procuram se preparar para atuar em um novo ambiente de negócios, que deverá surgir a partir de empreendimentos como o Porto Sul. Focado em futuras oportunidades, um total de 38 empreendedores ingressou na segunda etapa do Programa de Qualificação de Fornecedores (PQF), iniciativa do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) em parceria com a Bahia Mineração (Bamin).

A Bamin terá um Terminal de Uso Privativo em Ilhéus e por ele irá exportar a produção de minério de ferro da mina situada em Caetité. Além da mineradora, a região já atrai o interesse de outras grandes empresas, com expectativa de aquecimento da demanda por produtos e serviços. Preparar os empreendedores locais para atender a essa nova clientela é o objetivo do PQF, lançado em setembro de 2010 e que formará suas primeiras turmas até fevereiro de 2012.

Entre os 38 participantes da segunda etapa do PQF, há por exemplo empresas dos ramos de limpeza, hotelaria, alimentação, segurança, terceirização de mão de obra, construção civil e até mesmo clínicas médicas. “Existe uma gama de empreendimentos que certamente serão influenciados de maneira muito positiva pelo crescimento econômico dessas regiões, e é preciso que as empresas locais estejam preparadas para o momento em que surgirão as oportunidades”, assinala o diretor de Suprimentos da Bamin, Mauro Ribeiro. Ele chama atenção também para o compromisso social que a empresa demonstra, ao se tornar parceira de um programa de qualificação “que resultará na geração de renda e emprego nas comunidades de seu raio de influência”.

Ribeiro diz que, para a Bamin, não importa somente o preço oferecido pelo fornecedor. “Aqueles que atuam com responsabilidade social, observam as normas de segurança do trabalho e respeitam o meio ambiente sempre terão preferência”, acentua. Esses e outros critérios fazem parte da série de temas trabalhados no PQF.

Conhecimentos – O PQF inclui consultorias especializadas e capacitações em gestão, finanças, responsabilidade social empresarial, respeito ao meio ambiente, marketing, segurança, entre outras áreas. São conhecimentos cada vez mais necessários no chamado mundo dos negócios, como atesta Givaldo Alves Sobrinho, gerente da indústria de embalagens Imapel, que funciona há 44 anos em Ilhéus.

De acordo com Sobrinho, a empresa se preocupa mais com a necessidade de qualificação desde que passou a atender clientes do Polo de Informática de Ilhéus, onde são produzidos cerca de 10% dos computadores e periféricos comercializados no Brasil. “Nós tivemos que aprimorar nossos métodos de trabalho para estar em sintonia com o perfil de nossa clientela”, diz.

O participante do PQF aposta na diversificação econômica do sul da Bahia. “Não tenho dúvida de que a diversificação trará crescimento e o PQF vem contribuir com esse processo. A velocidade das mudanças no segmento empresarial é muito grande não temos como fugir dessa procura pela qualificação”, afirma o empresário.

O conteúdo do treinamento é definido em conjunto pelo IEL e a parceira do PQF, que no caso é a Bahia Mineração. “São tópicos que a empresa-âncora entende serem importantes para fortalecer a gestão dos fornecedores”, explica Fernanda Moreira, coordenadora do IEL no sul da Bahia. Ela aponta uma relação direta entre o programa e a melhoria do desempenho dos participantes. “Quando você qualifica a gestão, automaticamente eleva a competitividade das empresas”, pondera Fernanda.