Heckel Januário em: E QUEM IRÁ DISCORDAR?
Intencionava neste início de ano, por ter ficado batido, arrefecer, evitar um pouco o assunto político, mas eis que no finalzinho do passado, via e-mail recebo de um de meus contatos o vídeo “Suécia: O País dos Políticos sem Mordomia”, cujo conteúdo, correspondendo fielmente ao título, para mim, provocativo. Aí, caro ledor, não deu outra: rendi-me à tentação da comparação.
Como um desconhecedor, então uma fuçada no Google deixou-me a conclusão que se tratava de uma série do Jornal Band de televisão levada ao ar em agosto de 2010. Anteriormente, outros canais, provavelmente motivados por sua democracia admirável, também reportaram esse país europeu.
Com foco no unicameral sistema parlamentar de 349 deputados federais de sua monarquia constitucional, o repórter em sincronia com as imagens, logo anuncia que secretárias, apartamento de luxo com empregados, carro com motorista e a aberrante “imunidade parlamentar”, são tipos de mordomias simplesmente inexistentes na Suécia. Comida, roupa lavada e passada, isso nem pensar: são serviços por conta do deputado. O apoio governamental consiste tão somente da cozinha e lavanderia comunitárias com a cláusula de conservarem limpos os ambientes.
Como lá –parodiando o radialista Marinho Santos aqui da Capitania dos Ilhéus– o ditado “O pau que dá em Chico dá em Francisco”, parece pra valer, o chefe de governo, o chamado primeiro-ministro não é agraciado com benesses, e assim, como os demais representantes do povo, tem de se virar lavando ele próprio e direitinho a sua roupa. Em síntese a matéria consiste num relato de uma nação sem privilégios políticos, diferente, portanto da daqui e seus respectivos poderes, em especial ao da parte cabível ao Congresso Nacional.
Prosseguindo na confrontação entre o do norte da Europa e o do português das Américas, o resultado revela dois países ricos, com este produzindo extraordinariamente mais do que aquele. Entretanto, na questão qualidade de vida há uma mudança significativa de figura. A diferença é gritante a favor daquele, a tirar pelo ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) em que o sueco, ocupando a 10ª posição, dá um show no brasileiro, ocupante da nada boa 84ª.
Diante de tal panorama uma pergunta é factível. Por que o Brasil –que recentemente superou o Reino Unido e galgou a 6ª colocação no contexto econômico mundial–, produtor de tanta riqueza, não consegue se transformar num país desenvolvido? Sim, e instigante porque não será novidade se de um intelectual distraído vir à baila a tese da história, e sobre pro descobridor lusitano, mesmo em pleno século XXI. De um governista um bode expiatório já esteja na ponta da língua ou radicalize e coloque a culpa em antecessores não partidários. O analista astuto, com razão, elegerá a eterna deficiência da Educação. O tema da emissora paulista pode ser posto em discussão por algum observador. Do cidadão sofrido e calejado das agruras da vida num canto desses tantos Brasis espalhados por aí, sem mais alternativa, só resta imputar, e certamente imputará a causa do subdesenvolvimento ao político brasileiro. E quem irá discordar?
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Heckel Januário



























































