ALLAN KARDEC

Admira-se de haver sobra a Terra tantas maldades e tantas paixões inferiores, tantas misérias e enfermidades de toda a sorte, concluindo-se que miserável coisa é a espécie humana. Esse julgamento decorre de uma visão estreita, que dá uma falsa ideia do conjunto.
Faríamos uma ideia muito falsa da população de uma grande cidade, se a julgássemos pelos moradores dos bairros mais pobres e sórdidos. Num hospital, só vemos doentes e estropiados; numa galé, vemos todas as torpezas, todos os vícios reunidos; nas regiões insalubres, as maiores partes dos habitantes são pálidos, fracos, doentes e oprimidos pela falta de proteção e da união trazida da paz e do amor.
Pois bem: consideremos a Terra como um arrabalde, um hospital, uma penitenciaria, um pantanal, porque ela é tudo isso a um só tempo, e compreenderemos porque as suas aflições sobrepujam os prazeres.
Porque não se enviam aos hospitais as pessoas sadias, nem às Casas de Correção os que não praticam crimes, e nem os hospitais, nem as casas de correção, são lugares de delícias!
Ora, da mesma maneira que, numa cidade, toda a população não se encontra nos hospitais ou nas prisões, assim a humanidade inteira não se encontra na Terra. E como saímos do hospital quando estamos curados, e da prisão quando cumprimos a pena, o homem sai da Terra para mundos mais felizes, quando se acham curados de suas enfermidades morais.
O homem não procura elevar-se sobre o seu semelhante, mas sobre si mesmo, aperfeiçoando-se.
Um sentimento de amor e fraternidade une a todos os homens, e os mais fortes ajudam os mais fracos. Todos os sentimentos ternos e elevados da natureza humana apresentam-se engrandecidos e purificados.
Os ódios, as mesquinharias do ciúme, as baixas cobiças da inveja, são conjuntos sistemáticos ainda utilizados por seres irracionais.
O duelo pode, sem dúvida, em certos casos, ser uma prova de coragem física, de menosprezo pela vida, mas é incontestavelmente uma prova de covardia moral, como o suicídio.
Os suicidas não têm coragem de enfrentar as adversidades da vida. Os duelistas não a têm para suportar as ofensas.
Só é verdadeiramente grande aquele que, considerando a vida como uma viagem que tem destino certo, não se incomoda com as asperezas do caminho, não se deixa desviar por um instante da rota certa.
Uma maravilhosa página de exemplo nos oferece o humilde e grande autor dessa reflexão!


Enviado por Eduardo Afonso
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Ilhéus – Bahia