Luiz Castro em: DECOLORES
PONTAL DE ILHÉUS
O significado da palavra Pontal se compreende em: Ponta-de-Terra compreendida entre a confluência de dois rios. No caso do Pontal de Ilhéus, trata-se dos rios Cachoeira e Engenho.
Sempre achei o Pontal um lugar lindo para viver e morar, um verdadeiro sonho. Na década de 60, a nossa Ilhéus tinha uma população aproximadamente de 50.000 habitantes e o meio de transporte coletivo era bastante precário. A empresa de ônibus era pertencente a José Ribeiro e existiam a linhas para os Bairros da Conquista, Malhado e Barra. A Estrada de Ferro de Ilhéus funcionava com os motrizes fazia para os Bairros do Malhado e alguns distritos da zona norte da cidade. O Bairro do Pontal era servido de transporte marítimo por lanchas da Prefeitura e tempos depois passou a ser administrada pelo Instituto de Cacau da Bahia. Existiam também embarcações e pequeno porte conhecidas por besouros. O Cais da Lancha ainda existente fica próximo aos fundos do Ilhéus Hotel. Naquele tempo o mar era bastante revolto, quando as embarcações passavam pelo canal balançavam que parecia que ia afundar. Muitas vezes a proa da lancha batia com tanta força no mar que respingava água nos passageiros. Minutos depois voltava ao normal e a viagem seguia.
Sempre admirei a beleza do Pontal de Ilhéus, principalmente naquele tampo onde a maioria das ruas era cobertas de areia e somente algumas eram calçadas. Quando por lá passeava achava interessante as cadeiras colocadas nos passeios pelos moradores que conversavam por muitas e muitas horas. As residências tinham enormes quintais com grandes arvoredos principalmente mangueiras. Ia sempre ao Aeroporto, o barulho das turbinas dos aviões me fascinava, adorava assistir a decolagem e pouso, achava esplendido, de fato reconheço que se trata de grandes inventos.
Dizem que os antigos moradores tentaram emancipar o bairro, sua economia era suficiente. Além do cacau contava também com o cultivo da piaçaba, mandioca e outras opções que a agricultura oferecia.
O Bairro do Pontal era o lugar apropriado para veraneio. Varias famílias de cidades circunvizinhas alugavam residências e se deliciavam das maravilhas que o lugar propiciava.
Lembro-me de inúmeros moradores que deixaram saudades pelo amor que tinham pelo Pontal, a exemplo de Antonio A. Perez, Antonio Alciato de Carvalho, Seu França e David Maia. Guardo, também, recordações do campo de areia da praia onde era disputado o campeonato de futebol com os craques locais: Coquita, Zé Pequeno, Paulista, China, Cipá, Robson e João Borges. Lembro-me do Bar Copacaba de Quintino onde servia deliciosa caipirinha e do Restaurante Cabana da Sereia onde servia a melhor moqueca de peixe e mariscos com aquele pirão que somente Dona Matilde sabia fazer.
Logo depois foi construída a Ponte Ilhéus-Pontal que por justiça deram o nome de Ponte Lomanto Júnior. Era um velho sonho dos Ilheenses que até o Imperador D. Pedro II quando de sua visita a Salvador, prometeu construí-la. Tempos depois o então candidato à Presidência da Republica Getulio Vargas, em seu discurso de campanha afirmou: “ Construam-me uma ponte para o Catete e eu construirei a Ponte Ilhéus-Pontal “ . Com esta promessa feita em praça pública, em 1950, quando visitou pela primeira vez a rica região cacaueira do sul da Bahia o candidato teve cerrada votação, eleito presidente da República, não pode cumpri-la. Finalmente em 15 de agosto de 1966, foi inaugurada a ponte com as presenças do então Presidente da República Marechal Castelo Branco e o Governador Lomanto Júnior, além de outras autoridades militares, políticas, civis e religiosas.
Impressionado com a vibração dos habitantes de Ilhéus, ao receber a ponte, o Presidente Castelo Branco, ao se despedir, disse ao Governador Lomanto Júnior: “ Agradeço, comovido, o gesto de V. Exa., que dividiu comigo a maior festa popular que o meu governo assistiu.” – Manchete nº 750, de 03 de setembro de 1966.
Após a construção da ponte houve inumeros melhoramentos no bairro, bem como outros bairros surgiram em direção a Olivença. O Pontal por sua vez continua lindo e seus habitantes continuam desfrutando das belezas que ainda existem.
Viva o Pontal de Ilhéus!
Luiz Castro
Bacharel Administração de Empresa
1991,




























































