Rito Brasileiro

Antônio Cavalcanti – Grau 33.: - Servidor da Ordem, da Pátria e da Humanidade. Delegado Litúrgico do Rito Brasileiro para 5ª. Região/Ba.
Nós Maçons do Rito Brasileiro vivemos uma paixão pela Maçonaria praticada pelo nosso RITO. Isso se dá pela força da nossa cultura, dos nossos costumes e pela beleza de Ritualística que com ele é praticada, por isso ser importante refletir no 25 de abril, data que efetivamente ficou reimplantado o nosso querido RITO BRASILEIRO o Rito genuíno de nossa Pátria.
Os últimos acontecimentos no mundo tiveram o efeito de fazer voltar á atenção da humanidade para o futuro, e provavelmente esse porvir chegará a ser, por algum tempo, o centro das preocupações dos povos.
O Rito Brasileiro define a Maçonaria, num dos rituais expedido pelo Grande Oriente do Brasil, como uma instituição que tem por fim tornar feliz a humanidade, voltada, portanto, para o mundo circundante, para o futuro e para o progresso.
Foi Álvaro Palmeira, o verdadeiro ideólogo do Rito Brasileiro, quem escreveu, em 1989: “A tradição é componente do progresso, porque o progresso é uma resultante da Tradição e da Renovação”.
As Lojas do Rito Brasileiro exigem dos seus iniciados, o solene juramento, perante o Supremo Arquiteto do Universo “DEUS”, e a assembleia de Maçons, de fidelidade á potência simbólica e aos princípios tradicionais da Maçonaria.
O Rito Brasileiro não perde de vista o momento que passa, nem o destino que nos espera.
Está explicito no grau correspondente, que o Machado, antigamente usado para derrubar os cedros do Líbano, transformou-se hoje num instrumento alegórico para eliminar as barreiras econômicas, tema da maior atualidade no comércio globalizado.
E foi justamente esse o motivo que tanta discussão provocou na recente reunião da OMC (Organização Mundial do Comercio), realizada em Doha, Estado do Catar, onde novamente vieram à baila as práticas protecionistas dos países mais ricos em detrimento do comércio exterior exercido pelos mais pobres.
E ali estava à delegação brasileira, uma das mais interessadas em eliminar tais artifícios econômicos.
Se nessa delegação maçons houvera, não teriam dificuldade em observar que em vários graus superiores da Maçonaria do Rito Brasileiro podem ser encontradas diretrizes gerais para atuação em condições daquela natureza.
A nova constituição do Rito renova a obrigação do “estudo de todos os grandes problemas nacionais e internacionais com implicação no futuro da Pátria e da Humanidade”.
Daí ser inadequada a qualquer brasilista a atitude de alienação, de indiferença diante de todas as matérias que na atualidade convocam as atenções do País e do mundo.
De maneira especial, prevê-se que o Maçom se envolve com os problemas nacionais e, diante de controvérsias internacionais, saiba tomar o partido do Brasil e do povo brasileiro, não por impulsão xenófoba, mas por autentico patriotismo.
E, para mostrar ao Irmão que não está sozinho, exiba a sentença lapidar do Mestre Álvaro Palmeira, tantas vezes repetida, mas sempre oportuna:
“A MAÇONARIA NÃO TEM PÁTRIA, MAS OS MAÇONS A TÊM”.
O Rito Brasileiro, desde o seu surgimento, em 1914, foi se oficializando sem pressa. Desde então o Rito se declarou teísta, admitindo a existência de Deus, o Supremo Arquiteto, e sua ação providencial no Universo.
Ficou adormecido por várias razões, entre as quais destacamos a eclosão da guerra de 1914 – 1918, dentre outras.
Quando o Rito Brasileiro surgiu veio com 33 Graus, sendo 3 Graus Simbólicos obrigatórios, e as cinco Ordens de Altos Graus.
Em 1919, foi impressa a primeira Constituição do Rito, sendo seu relator o Irmão Octaviano Menezes Bastos.
Desde o inicio a nomenclatura dos 30 Altos Graus se afastou inteiramente da nomenclatura escocesa.
A primeira Loja do Rito foi fundada na Província de Pernambuco, depois, em 1928, surgiu a Loja Ypiranga, e quando tentou trabalhar no Rito Brasileiro, também não teve sucesso.
Acanhadamente surgia uma Loja do Rito Brasileiro aqui e ali, que sem mais nem menos, abatia colunas ou simplesmente mudava de Rito, e essa situação perdurou até a década de sessenta, quando então assumiu a Direção do Grande Oriente do Brasil, o Irmão Professor Álvaro Palmeira, responsável pela consolidação do Rito Brasileiro.
Em 1921, o Grande Oriente de São Paulo, se desliga do Grande Oriente do Brasil, se tornando uma Potencia independente, isso ocorreu por divergências politicas entre o Grande Oriente do Brasil e o Grande Oriente de São Paulo.
Nesse mesmo ano de 1921, tentaram implantar o Rito Brasileiro, editando Rituais nos Três Graus Simbólicos, haja vista que quando da fundação do Rito Brasileiro, esses Rituais não foram editados pelo Grande Oriente do Brasil.
Com os Rituais prontos, a Loja Campos Sales do Oriente de São Paulo, recém fundada, passa a trabalhar no sistema do Rito Brasileiro, tornando-se assim a primeira Loja Simbólica a trabalhar no Rito Brasileiro, mais essa trabalhou por pouco tempo, pois a real intenção dessa Loja era trabalhar no Rito de York, e quando recebeu autorização para trabalhar nesse Rito, abandonou o Rito Brasileiro.
Em 1940, o Irmão Álvaro Palmeira propôs ao Grão Mestre Geral em exercício do Grande Oriente do Brasil Irmão Joaquim Rodrigues Neves, que se formasse uma Comissão para a reestruturação do Rito Brasileiro, que estava adormecido desde os anos 20.
Na Ordem do Dia da Sessão Ordinária do Conselho Geral da Ordem, ocorrida a 22 de julho de 1940, Octaviano Menezes Bastos fez a leitura do projeto da nova Constituição do Rito Brasileiro, que foi aprovado com algumas emendas.
Em 19 de abril de 1941, é aprovada e publicada a Constituição do Rito Brasileiro, devidamente aprovada pelo Conselho do Grande Oriente do Brasil.
No dia 30 de abril de 1941, dá-se a regularização no Rito Brasileiro da Loja Simbólica Brasil.
A Oficina chefe do Rito passou a se chamar Soberano Supremo Conclave do Rito Brasileiro, foi eleito para dirigir o Irmão Octaviano de Menezes Bastos, que passou a ter o título de Soberano Grande Principal (hoje Soberano Grande Primaz) e o Irmão Álvaro Palmeira de Grande Propagador (hoje, Grande Regente).
Devido alguns problemas de ordem pessoal entre os Irmãos Octaviano Menezes Bastos e Álvaro Palmeira, com o Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, Irmão Joaquim Rodrigues Neves, resultou em 1944 na saída do Grande Oriente do Brasil, dos Irmãos Álvaro Palmeira e Octaviano Menezes Bastos, assim o Rito adormeceu neste mesmo ano de 1944.
As Lojas Simbólicas foram abandonando o Rito, até que em 1946, não havia nenhuma Loja Simbólica trabalhando no Rito Brasileiro, sendo a última a sair foi a Loja Brasil.
Em 31 de Maio de 1956, foi fundada a Loja Simbólica “Renovação”, no Oriente do Rio de Janeiro que passou a trabalhar no Rito Brasileiro.
Até 1962 outras lojas foram fundadas no Rito Brasileiro, sem muito sucesso.
Em 1963, o Irmão Álvaro Palmeira foi eleito e empossado Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, neste ano havia apenas três Lojas Simbólicas trabalhando no Rito Brasileiro.
A implantação definitiva e vitoriosa do Rito Brasileiro, só ocorreu em 1968, quando o Irmão Álvaro Palmeira, então Grão Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil, editou o decreto 2080, em 19 de Março daquele ano.
Através desse decreto foi nomeada uma comissão de 15 membros, com amplos poderes de revisão e reestruturação do que fora feito até ali, a fim de por o Rito rigorosamente de acordo às exigências maçônicas da Regularidade Internacional de Rito, conferindo-lhe: “âmbito universal, e separando o simbolismo do filosofismo e constituindo-o em real veículo da renovação da ordem, conciliando a Tradição com a Evolução”.
Até nesta data de 19 de março de 1968, não havia no Brasil, nenhuma Loja Simbólica trabalhando no Rito Brasileiro, a ultima Loja que trabalhou no Rito, foi a Loja “Fraternidade e Progresso III” do Oriente de Petrópolis no Oriente do Rio de Janeiro, que abateu coluna em 1965.
Além, de não haver nenhuma Loja Simbólica, o Rito Brasileiro estava com sua Oficina Chefe, o Soberano Supremo Conclave, adormecida desde o ano de 1944.
O Soberano Supremo Conclave do Brasil para o Rito Brasileiro foi reerguido em 25 de Abril de 1968, o Rito passou a ter nova denominação:
RITO BRASILEIRO DE MAÇONS ANTIGOS, LIVRES E ACEITOS.
A Constituição do Rito Brasileiro foi aprovada em Sessão especial do Soberano Supremo Conclave, realizada em 25 de Abril de 1968, foi lida, discutida e aprovada com algumas emendas, tendo como o primeiro Primaz de Oficio o Irmão Almirante Benjamim Sodré, e o primeiro Grande Instrutor do Rito o Irmão Álvaro Palmeira.
Também em 25 de Abril de 1968, foi fundada a primeira Loja Simbólica do Rito Brasileiro nessa reimplantação, a Loja Simbólica “Fraternidade e Civismo” no Oriente do Rio de Janeiro, o próprio nome é bastante sugestivo, uma vez que o Rito Brasileiro concilia a Tradição (Fraternidade) com a Evolução (Civismo), essa Loja passou a ser a Loja Primaz do Rito Brasileiro.
Em 04 de Maio de 1968, foi fundada a Loja Simbólica “Arariboia” no Oriente de Niterói – Rio de Janeiro, tornando-se a segunda Loja do Rito.
Em 07 de Maio de 1968, foi fundada a Loja Simbólica “Castro Alves” no Oriente de Salvador, tornando-se a terceira Loja do Rito.
Em 24 de Maio de 1968 é fundada a quarta Loja do Rito em Minas Gerais Oriente de Cataguases.
Em 01 de Junho de 1968, é publicada no Boletim do Grande Oriente do Brasil, a aprovação da Constituição do Rito Brasileiro, pelo Conselho Federal da Ordem.
Em 10 de Junho de 1968, foi assinado o Tratado de Amizade e Aliança Maçônica entre o Grande Oriente do Brasil e o Soberano Supremo Conclave do Rito Brasileiro, que é o tratado de Reconhecimento entre a Potência Simbólica e Filosófica.
Em 24 de junho de 1968, o Soberano Irmão Álvaro Palmeira, passa o Grão Mestrado ao Soberano Grão Mestre Geral eleito, Irmão Moacyr Arbex Dinamarco, companheiro de Álvaro Palmeira no Grande Oriente Unido.
Entregando o Grão Mestrado ao seu sucessor, o Irmão Álvaro Palmeira, passa a se dedicar-se exclusivamente ao Rito Brasileiro, que deixava totalmente constituído, com sua Oficina Chefe funcionando e quatro Lojas Simbólicas também funcionando.
Em 27 de julho de 1968, a Assembleia Legislativa Federal, aprova por unanimidade e com aplausos do Plenário de pé, o Tratado de Amizade e Aliança Maçônica, assinado pelo Grande Oriente do Brasil e o Supremo Conclave do Brasil para o Rito Brasileiro.
Em 16 de Julho, foi fundada a Loja Simbólica “16 de Julho” Oriente de Itaboraí no Rio de janeiro, tornando-se a quinta Loja do Rito.
Em 07 de novembro, foi fundada a Loja Simbólica “Estrela de Paracambi”, do oriente e Paracambi no Rio de Janeiro tornando-se a sexta Loja do Rito.
Em 08 de novembro de 1968, foi fundada a Loja Simbólica “14 de Julho” no Oriente de Santo Amaro na Bahia, sendo a sétima Loja do Rito.
Também em Novembro de 1968, fundou-se a oitava Loja do Rito no Oriente de São Gonçalo no Rio de Janeiro.
E por fim, em 28 de novembro de 1968 a Loja Goncalves Ledo V, hoje, Loja Simbólica Elias Ocké foi a nona Loja a ser fundado no Rito Brasileiro, sendo Elias Ocké seu patrono e o maior fundador de Loja do Rito Brasileiro da Bahia, por isso a homenagem e a saudade eterna de todos nós que tivemos a honra de conviver com ele.
(Tenho feito pesquisas para tentar provar que a minha Loja Elias Ocké não foi a nona mais sim a “quinta” Loja fundada no Rito Brasileirodurante sua fase de Reimplantação. Além da existência de documentos comprovando esse fato, o Ir.: Elias Ocké mantinha um grande relacionamento de amizade com o Irmão Álvaro Palmeira, bastando apenas ser reconhecido pelo Grande Oriente do Brasil.)
A partir de sua estruturação em 1968, o Rito Brasileiro passou a se expandir pelo Território Nacional, formando Lojas Simbólicas e OficinasLitúrgicas, constituindo hoje, no segundo Rito mais praticado no Brasil, estando presente em todos os Estado da Federação.
Apenas 44 anos de Reimplantação, se comparar aos nossos Ritos coirmãos adotados pelo Grande Oriente do Brasil, nós somos jovens, todos possuem mais de 200 anos de existência.
A criação do Rito Brasileiro engloba uma historia de ideias, enfatizando que a “Maçonaria é Universal, mas o Maçom tem uma Pátria”. Assim, o Rito Brasileiro vem atender as peculiaridades sócias geográficas que influenciam o Maçom Brasileiro.
Álvaro Palmeira propôs a Maçonaria Social, que remete a maçonaria Universal, a Quarta fase, ao Quarto Período, ao Quartanário. É a Maçonaria dinâmica, participativa, ecológica, preocupada com a sorte da Humanidade.
É o Renascimento maçônico, no que a ordem possui de mais belo e profundo: o Conhecimento e a Fraternidade, esta é a missão destinada ao Rito Brasileiro.
“SALVE O RITO BRASILEIRO, E RITO DA NOSSA PÁTRIA, GENUINAMENTE BRASILEIRO COMO NÓS MAÇONS”.
Saudações Fraternais,
Antônio Cavalcanti – Grau 33.: – Servidor da Ordem, da Pátria e da Humanidade.
Delegado Litúrgico do Rito Brasileiro para 5ª. Região/Ba.
Fonte:
01. RITO BRASILEIRO de Maçons Antigos, Livres e Aceitos – Normas Ritualísticas Estrutura de Willian Felício da Mota.
02. RITO BRASILEIRO de Maçons Antigos, Livres e Aceitos – Mário Name.
03. O RITO BRASILEIRO – Uma Visão da Maçonaria Social ou 4º. Período Histórico da Maçonaria – Carlos Simões.




























































