REFLEXOS DA “REVOLUÇÃO DE 64” EM ILHÉUS
Recentemente fui procurado por uma estudante universitária do Curso de Letras da UESC, a qual declarou ser leitora assídua da coluna “DECOLORES” e que gostaria de ler fatos históricos relacionados a “Revolução de 64” com reflexos em nossa cidade. Imediatamente me transportei para o passado longínquo, pois, na época tinha apenas 14 anos de idade. Mergulhei no tempo e extrair algumas lembranças ocorridas em Ilhéus na época do episodio. Vamos aos fatos: Sempre observei que meu saudoso pai tinha certa queda pelo regime comunista. Sonhador que era, pensava na reforma agrária e que todos um dia teriam direitos iguais. Seus principais amigos eram seguidores ferrenhos do regime comunistas e diariamente na Praça Dom Eduardo se reuniam para trocar idéias à respeito. Antes do acontecimento do Golpe Militar participei junto com meu pai dos comícios dos candidatos a Presidente da Republica do Brasil, principalmente o de Janio Quadros chamado de “O homem da Vassoura” que prometia varrer a corrupção do País. No conceito do meu pai o líder maior era o candidato a Vice João Goulart conhecido por Jango, comunista de carteirinha.

Apesar de Janio Quadros ter sido vitorioso em menos de seis meses renunciou ao cargo argumentando que forças estranhas levou a tomar essa decisão. imediatamente o Vice assumiu o poder e em conseqüência veio o golpe militar.

Diante do episodio vários acontecimentos ocorreram em Ilhéus: Dois Prefeitos durante a revolução foram presos por improbidade administrativa. Houve várias prisões com funcionários do Banco do Brasil, Petrobras e Estrada de Ferro de Ilhéus. Determinada Professora de Historia foi presa em plena sala de aula por considerar Tiradentes herói nacional, ficando incomunicável em regime de cativeiro. Proprietários de bancas de jogo de bicho foram detidos. A SUNAB tabelou os preços dos produtos alimentícios e os espetáculos culturais passaram a ter censura prévia. Nessa ocasião eu fazia parte de um grupo de teatro denominado SETA – SOCIEDADE ESTUDANTIL DE TEATRO AMADOR, e na ocasião estávamos ensaiando a peça infantil “PLUT O FANTASMINHA” de Maria Clara Machado. Para apresentar a peça teria que enviar o slipt para PF para ser submetida a censura. Ocorreu, no entanto que o prazo expirou e até hoje não chegou a autorização para apresentação da peça. Ficamos somente nos ensaios internos no IME. Certa feita estava passando pelo armazém da firma Silva Azevedo na Rua Marques Paranaguá e verifiquei que estava havendo fiscalização da SUNAB para tabelamento de determinados produtos. Imediatamente entrei numa enorme fila para adquirir as mercadorias desejadas por preços módicos. A fiscalização estipulou que o freguês tinha direito apenas a duas unidades de cada produto. O Brasileiro que não é bobo colocava filhos e parentes na fila para usufruir da ocasião.

Naquela época falava-se muito que os comunistas iriam invadir o País pelo mar e que já existiam submarinos nas costas Brasileiros inclusive em Ilhéus. A noticia provocava medo nas pessoas principalmente nas crianças.

Em outra ocasião fui passear em Maragogipe no Recôncavo Baiano, terra natal do meu saudoso pai. Lá existia um foco de comunistas que eram bastante visados pela Revolução. Ao participar de uma festa de aniversario em casa de um parente, lá encontrava-se muitos convidados. O assunto principal era sobre o Golpe de 64 e seus malefícios. Daí é que em determinado instante um “comunista” interrompeu a discussão e questionou sobre minha presença, pensando que eu era um espião disfarçado.

Ainda sobre o Golpe Militar, lembro-me que uma amiga que juntamente com esposo foram presos e torturados na Bahia por ser lideres estudantis. Tempos depois o rapaz desapareceu e nunca foi encontrado.

Esse movimento, que completou 48 anos em março, foi um golpe de Estado ocorrido no Brasil. Na madrugada de 31 de março para 1º de abril de 1964, líderes civis e militares conservadores derrubaram o presidente João Goulart. Mas, resumidamente, dá para dizer que o movimento surgiu para afastar do poder um grupo político, liderado por João Goulart, que, na visão dos conspiradores, levava o Brasil para o “caminho do comunismo”.
O fato, relembrado foi como um dos períodos mais tristes da história brasileira foi responsável pelo desaparecimento de milhares de pessoas. O chamado crime de opinião sentenciava estudantes, sindicalistas, professores e todos os tipos de civis que se manifestassem contra o regime opressor. Tachados de comunistas, eles eram perseguidos, raptados e sofriam tipos de torturas.

Após 21 anos ininterruptos um grupo, liderado por grandes nomes da nossa política como Ulysses Guimarães, Tancredo Neves e outros, lutaram pacificamente pela volta da democracia com movimentos como as Diretas Já. E foram eles que conquistaram e deram inicio ao processo de redemocratização do país.
Viva a democracia !

Luiz Castro
Bacharel Administração de Empresa
Fespi 1991,