O MAR DA BAHIA
Acabo de assistir uma reportagem da TV Globo sobre o Arquipélago de Abrolhos e sua vida marítima.
As baleias, em grande número aí chegam para seu acasalamento e procriação. A reportagem apresenta um tema muito importante, ambiental e econômico e que o Brasil ainda não se deu conta da sua grandeza e das possibilidades futuras.
Qualquer telespectador fica impressionado com o que vê, com as informações apresentadas. Uma riqueza de peixes, crustáceos, algas e vegetação neste mar maravilhoso do sul da Bahia. E, se tem algo de idealismo e visão do futuro, decepciona-se pela falta de interesse e de ação cientifica dos órgãos governamentais.
Precisamos imitar os chineses na agressividade de tentar resolver seus problemas, como a escassez de energia, de uma forma dinâmica e de grande impacto no beneficio da população. Enquanto isso, nós ficamos nos “babas” na praia, na construção de campos de futebol e ouvindo discursos de políticos despreparados para o presente e o futuro do Brasil.
Novamente volto aos meus escritos antigos. Encontro um texto, não muito antigo, feito em 2009 e entregue à UESC como uma sugestão colaboradora. Antevi e ainda vejo uma atividade técnica e cientifica sobre o mar e suas potencialidades e riqueza.
Passados esses anos, tento novamente motivar esta importante instituição de ensino e pesquisa cientifica. Iniciar urgentemente a construção de uma estrutura de pesquisa sobre os recursos marítimos e também dos rios, visando novos conhecimentos e projetos para uso do mar em beneficio da sociedade brasileira.
Aí está minha ideia na esperança de que interessados discutam o tema e a repercussão sensibilize a atual administração universitária e o governo da Bahia, nesse importante estudo cientifico.
6. CENTRO DE BIOLOGIA MARINHA E DE RIOS
Ainda jovem com os amigos e companheiros, diariamente ia à praia. O mar, esta imensidão de água com sua praia branca e limpa, era nossa distração, nossa academia de ginástica, nosso banho saudável e cenário das “meninas” de maiôs bonitos e excitantes.
Agora, quando a idade registra um acúmulo de experiências e sabedoria, os nossos olhos têm outro panorama nesta grandiosidade do mar, irradiado pelo sol quente e vizinho permanente do céu.
Que pensam hoje os adultos e idosos sobre o mar com suas ondas constantes e ruidosas?
Talvez, o mesmo que os pensamentos e sentimentos dominantes na juventude. Todavia, predominando a tranqüilidade dos gestos e movimentos e um sentimento apaixonado e saudoso das lembranças do passado.
Outros, ainda na maturidade das ações reconhecem novos atributos ao mar e suas atividades imprevisíveis e constantes. A vida lhes ensinou que este mundo marítimo não é só lazer e exercícios. Aos poucos foram descobrindo a imensidão deste mar, repleto ainda de algo desconhecido e misterioso; nele há vida, há uma sociedade diversa, cheia de habilidades, de competições harmoniosas, de riquezas e lendas. Nele escondem-se segredos e momentos de horror.
Assim, passamos a ver o mar com outros olhos; grande meio de transporte, captação de energia, reserva petrolífera, fonte de produção de alimentos, reserva para água potável, preservação de espécies e manutenção do meio ambiente.
Felizmente no mundo atual, alguns cientistas já iniciaram estudos sobre a utilização da energia produzida pelas ondas, a exploração do petróleo no mar já é uma constante; empresas estudam e transformam a água salgada em condições de uso, outras procuram preservar espécies em risco do desaparecimento e promovem ações, evitando a destruição futura do meio ambiente marítimo.
No Brasil, muitas espécies já são consideradas “sobrepescadas”; entre elas a Lagosta, variedades de Sardinhas, Camarão e muitos peixes, inclusive os de água doce (tambaqui amazônico). Evoluímos na tecnologia de captura de peixes, com equipamentos de sonares e localização por satélite dos cardumes, mas em muitos casos com ações destruidoras do meio ambiente e o desperdício, descartando cerca de oito milhões de toneladas/ano de pescado em condições de consumo. Para cada tonelada de camarão pescada, outras quatro de peixes são jogadas no mar (diz Miguel Petrere Junior da Universidade Estadual Paulista).
Os estudos oceanográficos iniciaram em São Paulo (1946) no Instituto Paulista de Oceanografia., hoje Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Possivelmente este Instituto seja o maior centro de estudos, pesquisas e formação de profissionais do Brasil. Com recursos financeiros, navio, embarcações, e equipamentos e laboratórios especializados oferece novos conhecimentos sobre a vida no litoral deste oceano atlântico que banha a costa brasileira.
Outras instituições brasileiras já iniciaram estudos e trabalhos científicos nesta área. A Universidade do Rio de Janeiro, a Universidade Federal da Bahia e a UEDC oferecendo curso de Oceanografia. Todo este esforço ainda é insignificante em relação à grandiosidade do oceano e o desconhecimento que se tem dos mistérios que se esconde no mar.
O litoral brasileiro se estende por mais de 7.500 km abrangendo 27 Estados ; o Estado da Bahia tem a maior costa, com 932 Km. (12,6 %). O “Projeto Tamar”, criado em 1980, representa o maior esforço técnico nesta área., preservando as espécies de Tartarugas Marinhas em vários locais da costa brasileira; de 1992 a 2007 foram lançadas ao mar 30 milhões de filhotes de tartarugas.
E o que fazemos nesta bela região brasileira? O município de Ilhéus tem 92 km de encontro com o mar. Algumas tentativas regionais foram desenvolvidas; a maioria sem grandes resultados ou mesmo “abandonada”.
O Diagnóstico Socioeconômico da Região feito pela Ceplac concluiu seus estudos com alguns documentos: “Recursos Hídricos”, “Aspectos da Atividade Pesqueira” e um Seminário sobre a Pesca na Região em 1976/77; posteriormente, sensibilizada pelo potencial existente para a produção de peixes e camarão, construiu em sua sede tanques para criação e adquiriu uma área de 38 hectares, na bacia de Camamú para estudos dos manguezais e projeto a ser desenvolvido com empresários na produção de camarões. É a Estação de Carcinicultura Onaldo Xavier de Oliveira, produtor rural e entusiasta desta idéia; possui instalações, laboratórios, viveiros e berçários. A meta final foi estimada no aproveitamento de 30 mil hectares em viveiros produzindo 30 mil toneladas/ano de camarões e oferecendo sete mil empregos diretos. Em 1981 visitamos o Programa de Aquacultura em Sete, cidade do sul da França; ficaram em nossas mentes as palavras do técnico responsável; “os oceanos vão ficar poluídos e precisamos nos preparar para o futuro”.
Hoje, todos estes programas, sem resultados concretos nas pesquisas ou na produção, estão praticamente abandonados.
A Prefeitura de Ilhéus, sensível à importância do mar e do meio ambiente atendeu proposta do idealista Soane Nazaré de Andrade, ex- reitor da UESC criando a Maramata – órgão com objetivo de divulgar a importância dos recursos marítimos e florestais, contribuindo para a preservação das espécies em risco de desaparecimento. Recentemente estabeleceu o “Parque Marítimo da Pedra de Ilhéus”, impedindo a pesca em área delimitada para permitir o crescimento populacional dos peixes.
A UESC por sua vez iniciou curso e preparação de professores em oceanografia. Técnicos especializados foram contratados, mas continuam ansiosos na espera de melhores condições e possibilidades de desenvolver projetos mais ambiciosos.
Todas estas excelentes sugestões e iniciativas não tiveram êxito e resultado satisfatório, especialmente quando se considera a importância do problema e os recursos existentes no mar desta região. Talvez, a falta de sensibilidade dos órgãos governamentais, seus dirigentes e a sociedade como um todo, sobre a potencialidade dos recursos marítimos e o que podem representar para a população brasileira e a humanidade; quando 1 bilhão de pessoas no mundo passam fome.
Falta visão futura e coragem para enfrentar este desafio.
Que devemos fazer? Que poderia fazer a UESC?
Primeiramente compreender a importância e os benefícios a serem alcançados dos recursos hídricos – mar e rios – e decidir por realizar atividades técnicas de pesquisa e ações concretas na produção de bens.
Elaborar um Projeto que contemple além da formação de profissionais, a realização de estudos e pesquisas e promova ações associativistas e empresariais para produzir bens úteis e necessários para a população.
Criar um CENTRO DE BIOLOGIA MARINHA E DE RIOS com objetivos científicos e educativos, envolvendo outras organizações, governos e empresas nacionais e internacionais.
Realizar Convênios com a Prefeitura Municipal de Ilhéus, no sentido de absorver a área da Maramata, para instalar o futuro Centro, com suas instalações, laboratórios, museu do mar e facilidades para desenvolver estudos no Parque Marítimo da Pedra de Ilhéus.
Realizar Convênio com a Ceplac no sentido de orientar e administrar a Estação de Carcinicultura localizada em Camamú, nos estudos e programa de produção empresarial de camarões.
Convenio com a Marinha do Brasil para estudos de oceanografia.
Dar ao Centro um caráter mais abrangente relacionando com instituições nacionais e internacionais em estudos e pesquisas a serem desenvolvidas no mar, nos rios e nos manguezais.
Estas são algumas idéias para um Projeto visando conhecer e usufruir dos recursos hídricos existentes nesta região. Quem sabe, teremos no futuro, um grande pólo de estudos do mar, dos peixes, dos crustáceos, das algas e outras espécies além da oportunidade de turismo com Museu do mar e Aquário semelhante ao Oceanário de Lisboa, Portugal.
Brasília, 25 de junho de 2009.



























































