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HISTÓRIAS DE UM ILHEENSE – MINHA ADOLESCÊNCIA NO CARNEIRO DA ROCHA

Por Tomé Pacheco

Tomé Pacheco

Tomé Pacheco

Considero riquíssima em detalhes. Prestei admissão para o Colégio Estadual, passei com louvor no 1ª ano, mas levei “bomba” nos dois seguintes, como havia contado no capítulo anterior. Naquela época, em 1967, repito, o aluno não podia em colégio público levar duas “bombas” em seguida, pois ficava proibido de estudar. Quando isso acontecia o aluno tinha que ir procurar um particular. Com 16 anos minha mãe me perguntou se eu queria estudar ou jogar bola; eu prontamente disse-lhe que queria jogar bola é claro, então ela falou: vá jogar porque não vou gastar estudo com você. Aí eu fiquei até os 20 anos curtindo: de dia praia e de noite, bola, na rua onde é hoje o Hospital Bartolomeu. Lembro que formamos um time com o nome ADAMIS: eu o Bita, Rubinho e Bleic para jogarmos de chuteira, e começamos a treinar na Rua Suburbana, onde hoje é o SAC.

Um dia daqueles pela manhã estávamos treinando quando aparece de revólver em punho e nos atingindo com os maiores palavrões um senhor chamado Ceará. Estava quase para nos agredir, quando ao se aproximar mais um pouco, reconhece o Rosa, que era o nosso técnico e foi logo “Até você compadre Rosa, no meio desses vagabundos”.

A “Ponte do Boi”, onde os navios pegavam os bois, cacau etc., era outro local onde brincávamos. “Pega-Pega” era uma das brincadeiras preferidas. Consistia em se esconder entre os navios e as alvarengas. Era grande o número dos participantes dessa brincadeira: Eu, Bita, Rubinho, Béa, Jorge Bode, Paulo Careta, Paulo Zira, Dagô, Guilherme, Catende, Juari(Sapatão), Tico, Zé Quiabo e outros.

Volto a falar como já exposto anteriormente, que aos 16 anos já tinha a certeza que queria ir embora. Com esse pensamento, bastou minha irmã Adília receber o pagamento de salário, dar mole e eu passar a mão. Com esse dinheiro comprei uma passagem para São Paulo, na companhia São Geraldo que ficava atrás do Santa Clara. Já estava dentro do ônibus, com uma sacolinha do supermercado Messias quando adentrou minha mãe, irmã e irmão chorando e pedindo para que eu não fosse, porque São Paulo era muito frio e eu não tinha nem um capote. Aí então eu falei: “Tudo bem. Mas um dia eu vou”

Em 1970 fui servir ao “Tiro de Guerra”, para tirar o último documento que faltava. Aprontei tanto que certa vez o Sargento Torres falou para o cabo: “Cuidado com Tomé. Olho nele, porque eu não quero só exonerá-lo, e sim expulsa-lo do Exército”. Foi mesmo que nada. Certa feita a minha turma foi guardar a Petrobras, um dos pontos sensíveis da cidade, pois estava correndo um papo que Marighella, famoso guerrilheiro da época, estava querendo tomar de assalto o Tiro de Guerra. Por volta das 2 horas da manhã eu estava com sono e frio, aí me deu na cuca de subir em um dos tanques de gasolina e dormir lá por cima. Os meus colegas ficaram me procurando até as 5 da manhã quando nosso monitor Silvio teve a ideia de subir nos tanques. Foi aí que num deles me encontrou roncando. Mandaram-me descer e me levaram preso onde fiquei 5 dias detido. Era meu primo Sírio que levava comida pra mim. O Sargento Torres falava: “Magalhães, não ande com o Tomé. Ele é maloqueiro e você é um cara trabalhador. Você vai se arrepender”. Não sabia ele que Magalhães trabalhava na “Padaria Luso”, e era quem dava a dica onde tinha pão e leite às 5 da manhã. Assim quando íamos para o (Tiro de Guerra), surrupiávamos, os pães e o leite leite que eram postos nesses locais.

Estou terminando este capítulo, mas para elucidar o conjunto, farei também um repeteco dum trecho postado no anterior. Ao terminar o Tiro de Guerra eu tinha feito um curso na Marinha de “Carvoeiro” me preparando para ir embora. Foi nesta época, em 1971, que papai por trabalhar na Sucam, me arrumou um emprego de “Borrifador de Casa” na cidade de Ubaira, para que eu juntasse dinheiro e pudesse ir embora, mas não conseguir juntar nem um centavo. No meu retorno, já com o documento do curso de “Carvoeiro”, estava mesmo decidido a ir para Santos (SP) ou Vitória do Espírito Santo, ou embarcar em qualquer navio e zarpar mundo afora. Foi quando o meu primo Sírio ficou desempregado e me sugeriu: “Vamos pra São Paulo que lá eu tenho 2 tios. Pelo menos tem lugar para você ficar. Falei: “Topo qualquer coisa a fim de não ficar aqui”

Aguardem os próximos capítulos.

 

1 resposta para “HISTÓRIAS DE UM ILHEENSE – MINHA ADOLESCÊNCIA NO CARNEIRO DA ROCHA”

  • Jose Rabat Chame says:

    Meu caro amigo Tomé

    Grande lembrança tenho do Time do Adamis.
    Jogávamos com um chapéu de pano na cabeça amarrado por um cordão e se não me falha a memória as cores eram azul, vermelho e branco. O nosso técnico era Rubinho, irmão de Railda e depois foi César Militão. Eu fazia o meio campo com Jorge Pedro, sobrinho de escotereiro e de Zezito Rico. Jogávamos o campeonato na liga de “Cochó”.

    Abraço forte e obrigado por me fazer reviver aqueles bons tempos.

    Do amigo e conterrâneo

    José Rabat Chame

    Vitória da Conquista – Ba

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