Nossa população não aguenta mais a tortura mental desta atual  campanha política. Mesmo os mais ingênuos percebem que toda esta gritaria e poluição visual extrapola a mera boa intenção de contribuir, pela via política, pelo progresso e bem estar da população.

Ou ela, ou ele, ou a zebra
terão pela frente o grande desafio de restaurar, reconstruir e revalorizar uma cidade bombardeada e arrazada pela longa inépcia administrativa, de certo modo planejada e premeditada antecipadamente.

Não vale mais voz empostada, postura empolada, impertigada e gestos magnânimes, agora só vale trabalho árduo e transparente apoiado por equipe capaz – com  membros dotados de notório saber e atuando na área da sua exata expêriencia e formação profissional -. Caixa bancário aposentado do Banco do Brasil não poderá mais ser Secretário de Saúde, por exemplo. Precisamos, sim, de tecnocratas capazes de apresentar ao dirigente soluções técnicas e não políticas. Precisamos de uma democracia de fato, não um simulacro que esconde notórios traços  de um  imperialismo tirano que se deseja eterno. Ilhéus tem muitos homens e mulheres de valor, com boas idéias e intenções, mas incapazes de chegarem  ao pleito pelas cercas de arame farpado e terreno minado que os impedem o acesso ao Governo Municipal. O que parecemos viver, aqui em Ilhéus, em vez de  uma Democracia, é uma demo-cracia – o governo do demo -.

 
Não vale mais secretarias com nomes incompreensíveis ao público, mas secretarias funcionais e  independentes a cargo das praiasturismo e eventossaúde ( uma, só para o onipresente abuso das drogas); educação; cultura ( com o Bataclan devolvido à cultura pública local pelo nefasto comércio capitalista-monopolista ); paisagismo ( arborizando as praças e encostas não edificáveis e expandindo as áreas verdes ); desenvolvimento social ( lançando programas de peso na educação da população local a uma convivência social civilizada e responsável ); limpeza urbana ( prestigiada e permanente ); planejamento urbano; obras públicas (contratando empresas que respondam, de fato pela qualidade e durabilidade do seu serviço e organizando as inúmeras invasões do espaço público por rampas de acesso a garagens nas calçadas; portões de garagem que extrapolam os limites das áreas privadas; construções de quiosques de alvenaria nas praças e, até,  um palco elevado que invade uma calçada da Lomanto Júnior. Não podemos permitir que troquem o espaço coletivo pelo apoio a este ou aquele político ou partido. Vamos  indenizar e demolir  até o alicerce as muitas invasões dos espaços públicos, nas encostas da Piedade, acima da rua das Oficinas e diversas  praças no Pontal e outras partes da cidade e dinamitar, solenemente, toda a chamada “Malvinas”, um obscuro setor da central de abastecimento municipal que foge a qualquer tentativa de descrevê-la em palavras.  O que de mínimo se pode dizer é ser esta é um mar de urina, fezes, drogas, prostituição e mau cheiro abafado de baratas, encravado entre o setor das frinhas e das frutas e a área das peixarias. À parte da nova ponte, não necessitamos de muitas novas obras – simplesmente manutenção adequada do equipamento público pré-existente -. Precisamos de empreiteras pagando bem a engenheiros-de-obra ali presentes, que não deixem sub-empreiteiros meterem argamassa ditretamente sobre ferragens enferrujadas, como está ocorrendo agora no Posto de Saúde Herval Soledade do Pontal ); finanças (publicando, diariamente, na internet, todos os pagamentos das despesas contraídas e nos lembrarmos que, a médio e longo prazo, o atual presente será História e, por esta, será julgado, com base no encontro de contas entre a receita municipal e o serviço prestado à comunidade pela “elite” dirigente local).
  
Só assim acordaremos para o Século XX. Para o Século XXI, ainda falta muito trabalho.

Guilherme Albagli de Almeida