Isso mesmo. Somos nós, consumidores, que movemos toda Economia. Somos nós que, nesse País, não recebemos os melhores salários do mundo (longe disso), mas pagamos a maior carga de impostos do planeta, consumindo bens que, lá fora, custam metade do preço. Somos verdadeiros heróis e deveríamos ser tratados como tais por quem produz, fabrica ou vende produtos e por quem nos presta serviços.
As agências reguladoras nacionais começaram a despertar de uma hibernação quase sem fim e resolveram entender o nosso valor. Sabem da nossa participação fundamental no inegável desenvolvimento que o Brasil vivencia de uns tempos pra cá. Começaram a agir a contento, num discreto e eficiente efeito cascata, como eu desejava (clique aqui).
Primeiro foi a ANATEL, punindo as concessionárias de telefonia por causa do mau atendimento ao consumidor. Agora são as operadoras de planos de saúde, punidas pela ANS pelo mesmo motivo. As concessionárias de eletricidade já levaram seu puxão de orelha e as tarifas vão cair ano que vem. E deve vir mais coisa por aí, com foco em melhorias ao consumidor brasileiro.
Tudo bem, o governo já descobriu o valor e a importância do consumidor. E os comerciantes e prestadores de serviços de Ilhéus?
Enfatizo Ilhéus porque essa é, sem dúvida, uma característica acentuada aqui. Já ouvi de um sociólogo que chega a ser uma questão cultural da cidade e tem a ver com o passado (monocultura do cacau, coronéis, etc.), mas o mau atendimento existe em todo lugar, sobretudo no norte e nordeste. No sul e sudeste, a coisa melhora. São Paulo é um bom exemplo.
Já que o Brasil vem se desenvolvendo economicamente, vamos nos desenvolver também e criar a consciência de que, se sustentamos toda a cadeia econômica, temos que ser bem tratados e bem atendidos como consumidores. Vamos enfiar na cabeça de certos comerciantes que eles não estão nos fazendo caridade alguma em nos vender seu produto ou serviço, estariam se não estivéssemos pagando. Não retorne a uma loja onde você foi atendido por alguém mal educado e de cara amarrada. Não volte mais a uma loja que se recusou ou colocou mil empecilhos para substituir um produto com defeito. Leia e compreenda o nosso Código de Defesa do Consumidor. Saiba dos seus direitos. Vamos mudar isso!

Nilson Pessoa