por Edgard Siqueira

Em função do que tenho pesquisado, posso afirmar que, a demarcação pleiteada pela FUNAI em nossa região,  será uma das que irá prejudicar mais pessoas de uma só vez. Em torno de 22.000 pessoas.

Mas, também, podemos afirmar que, em nenhum outro lugar a disposição para lutar contra esta injustiça é igual a dos bravos agricultores da nossa região. Toda vez que são chamados para participar de alguma ação, imediatamente, deixam os seus afazeres cotidianos e se fazem presentes.

O exemplo mais recente foi à ocupação do aeroporto por quase trinta dias. Debaixo de sol e chuva deslocaram de suas propriedades e enfrentaram noites de inverno rigoroso para os nossos hábitos. Esta disposição é um diferencial nesta luta. Aqui ninguém pode se queixar que deixou de fazer o possível por falta de apoio. Aqui não se está fazendo mais, é por falta de uma estratégia convergente e possível.

Independentes das dificuldades  continuaram lutando para manter o que conseguiram honestamente e com muito sacrifício. Mas, após a ocupação do aeroporto, tenho ouvido com preocupação alguns desabafos que refletem uma decepção com as noticias exitosas divulgadas pelos Lideres do Movimento e que não se confirmaram.

No dia 17 de agosto deste ano, após retornarem de Brasília, foi amplamente divulgado que “Ministério da Justiça acata pedido dos agricultores”. “Durante a reunião (em Brasília) foram apresentadas três reivindicações ao Ministério da Justiça: apuração imediata dos crimes praticados por supostos índios Tupinambás; devolução a consenso, imediata, de todas as propriedades invadidas, além da revisão imediata do relatório que segundo os agricultores é bastante tendencioso e fraudulento”. A noticia parece grande coisa, mas, não é. O título da matéria é habilmente omisso, “o Ministério da Justiça”, não fala, não assina, não desmente e nem pode ser responsabilizado por nada ter acontecido.

Nos causa espécie que este fato não é a primeira vez que acontece. Em 17.07.2010 na edição nº 635 da Revista Época, na coluna com um nome apropriado “Vamos Combinar”, alguém plantou a noticia que todos nós gostaríamos de ouvir “A FUNAI apronta decreto que anula a demarcação dos Tupinambás de Olivença…”. Coincidentemente, também, num período eleitoral, atraindo a todos.  Foram ágeis para dar a noticia e sonâmbulos para se indignarem com  a farsa montada contra os agricultores. Aliás, nunca se indignaram como se fosse algo banal.

Outra decepção foi a noticia muito festejada de que “Em caso de novas invasões, além da policia agir imediatamente devolvendo o imóvel ao seu legitimo proprietário, dando-lhes segurança necessária, ainda conduzirão os invasores que terão que provar a sua verdadeira identidade indígena, além de abrir um inquérito criminal para apurar todos os delitos cometidos pelos supostos índios”. Infelizmente, se foi um  blefe não funcionou. Logo após esta noticia ter sido divulgada, duas propriedades foram invadidas. Convenientemente, fato não divulgado.

Em função do teor da noticia, o Capitão Comandante da Força Nacional foi procurado por um proprietário que teve o seu imóvel invadido e ouviu do atencioso militar “Estamos a sua disposição, mas, só podemos agir com um mandato judicial”. Uma constatação de que nada mudou. Neste momento, o mínimo que o agricultor precisa é saber com quem realmente pode contar.

Ninguém pode garantir que o êxito de uma manifestação  será alcançado. Agora, é imprescindível que a verdade prevaleça. Se obtivermos êxito, ótimo, se não, é obrigação do Líder injetar ânimos. De maneira simples  “Companheiros, todos estão de parabéns. Desta vez não nos atenderam, mas, a luta continua. Vamos preparar outra manifestação imediatamente. Faremos tantas quantas forem necessárias para alcançar o nosso objetivo”. Se todos tiverem a noção exata do perigo, sem duvida, o esforço e a disponibilidade de lutar serão maiores.

Como sabemos, esta batalha vai durar muito tempo, o balanço sugerido é no sentido de avaliarmos o que não deu certo e que pode ser alterado. (tudo)

Alguns não se cansam de dizer inverdades sobre os fatos que envolvem a demarcação, e eu, não me canso de dizer a verdade sobre estes fatos.