Toda copa do mundo de futebol tem seus dois personagens – o mascote e bola – ambos batizados com nomes geralmente escolhidos por votação do público.
A bola da Copa de 2014 recebeu o nome de Cafusa. É até legal, tem a ver com a miscigenação, característica marcante do nosso País. Mas acharam de dar o significado CArnaval, FUtebol e SAmba às três sílabas. Aí eu não gostei. Pode ser implicância da minha parte, mas acho que foi-se o tempo de se propagar e sustentar a imagem do Brasil no manjado e pejorativo tripé carnaval/futebol/samba. Não me pergunte por quê, mas me faz lembrar da época da ditadura militar, me traz de volta à mente a dolorosa frase de Charles De Gaulle “O Brasil não é um país sério”, me remete ao século passado, quando o País era uma republiqueta de bananas, subdesenvolvida, submissa e sustentada pela agiotagem do FMI; tempos em que o Brasil, perante a comunidade internacional, era só um imenso balneário turístico para lazer nas suas praias e safaris nas suas selvas, o país cuja capital era “Buenos Aires”, o país que eles imaginavam “selvagem”, onde seu povo indígena circulava nu pelas ruas, armado de arcos, flechas e tacapes, o país onde se falava um dialeto estranho e onde ninguém conhecia o idioma inglês, o país do povo preguiçoso e alienado que só pensava em festa.
Tudo bem, continuamos sendo o país do carnaval, futebol e samba, mas o mundo todo já está careca de saber (e boa parte dele não vê nada de importante nisso). Basta, vamos começar a divulgar a outra face, a nova face do Brasil do século XXI que, apesar dos pesares, se desenvolve e se moderniza. Ainda estamos longe de alcançar uma condição satisfatória, principalmente no campo social, mas é fato, avançamos bastante nos últimos doze anos. Lembro que passei toda minha vida escolar ouvindo que “o Brasil é um país em desenvolvimento”. Mentira, éramos completamente subdesenvolvidos, éramos apenas carnaval, futebol e samba, e só recentemente começamos a engatinhar rumo ao desenvolvimento.
Opa, mas lá no início o assunto era o FUtebol… o Brasil pegou uma chave difícil, osso duro. Atenção jogadores e técnico, cuidado com aquela desculpa esfarrapada de sempre: “É, não começamos bem, mas vamos crescer na competição”. Vão abrindo logo os olhos pois, dessa vez, se não começar bem, SAmba. E nada de CArnaval.

Nilson Pessoa