Mila Cordeiro | Ag. A TARDE

  • Maria de Lurdes, baiana de acarajé: “Ofereço o caruru em ação de graças por um pedido alcançado”

Católicos e religiosos do candomblé vão celebrar, nesta terça-feira, 4, o Dia de Santa Bárbara que, na Bahia, é  associada ao orixá Iansã. Há quatro anos com título de patrimônio imaterial da Bahia, o festejo abre o ciclo de festas populares de verão, embora a estação só comece oficialmente no próximo dia  22.

As homenagens começaram sábado passado, com missa na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Pelourinho. Este ano, o tema é Santa Bárbara, discípula de Jesus Cristo e protetora da humanidade em tempo de tempestade.

A programação terá o auge nesta ter com a missa campal, às 8h30, celebrada pelo capelão do templo, padre Gabriel dos Santos Filho. Já os religiosos do candomblé vão oferecer caruru em diversos pontos da cidade.

“Juntos a nossa fé fica mais forte, mas eles cultuam uma santa e nós um orixá. A associação feita entre as duas divindades foi no passado, quando os negros não podiam manifestar religião. Hoje, nós separamos uma coisa da outra”, explica a ialorixá Mãe Jacira de Iansã.

Independentemente da crença, o vermelho é a cor do dia. Ele está presente na ornamentação das ruas e nas vestes dos participantes da festa religiosa.
O vermelho simboliza o fogo, e Santa Bárbara também é a padroeira dos bombeiros. No candomblé, Iansã tem sob o poder dela o fogo, os raios e os ventos.

Promessa – Mesmo longe do circuito oficial da festa, a baiana de acarajé Maria de Lurdes Miranda, devota de Santa Bárbara, não deixa de comemorar a data. No tabuleiro dela, no bairro do Imbuí, é oferecido um caruru para cerca de mil pessoas.

Para alimentar tanta gente, os preparativos começam cedo. Lurdinha, como é conhecida, já garantiu seis mil quiabos na panela. Quem passar pelo local na terça está convidado a participar de um banquete completo. Além do caruru, ela serve vatapá, arroz, farofa de azeite, frango e acarajé.

“Faço isso em ação de graças por um pedido alcançado. E ainda é pouco, pois tudo que tenho em minha vida eu agradeço sempre a ela. Não sou nada sem o apoio que recebo dos meus orixás”, disse a baiana, que há 27 anos prepara a iguaria.

Catiane Magalhães

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