Por esses dias fui convidada para proferir uma palestra a um grupo de terapia ocupacional que se reúne num dos postos de saúde da minha cidade natal. O convite surgiu porque o grupo havia trabalhado um de meus livros, “Temas do Cotidiano – Sentimentos e Atitudes”, em suas reuniões semanais. Fiquei muito feliz em poder partilhar um pouco sobre as minhas vivências como psicóloga e escritora. O grupo, bastante heterogêneo, é composto por mulheres, e acolhe tanto pessoas com necessidades especiais quanto as que se restabelecem de problemas de saúde.

Fui recebida de modo festivo e todas queriam tirar fotos comigo, fazendo com que eu me sentisse uma verdadeira celebridade. Ao final da reunião, uma mocinha com Síndrome de Down veio me presentear com um vasinho de flores e um cartão de Natal. Ela se mostrava alegre por fazer parte do grupo e aprender a pintar toalhas de banho. Dividiu comigo sua satisfação em contribuir com a confecção de lembrancinhas para a criança da qual seria madrinha. Esclareceu que levaria um mês para aprontar todos os mimos, calculando o tempo empenhado no trabalho. Sinceramente, fiquei emocionada. Aquela jovem, com suas dificuldades, estava empregando seu tempo para agradar a alguém. “Eu sou uma boa madrinha”, disse. Sim; certamente ela é uma adorável madrinha!

Nesse mesmo dia, logo ao acordar, eu havia me deparado com a manchete do jornal noticiando a prisão de mais de sessenta policiais militares acusados de corrupção no Rio de Janeiro. Entre os crimes, a cobrança de propinas dos traficantes para permitir a livre ação do tráfico de drogas. Lamentável! A PM tem razão em não mais aceitar ser humilhada pela ação de policiais corruptos que mancham a reputação da corporação com seus desvios de conduta.

Duas ações diferentes numa mesma época. De um lado uma garota com Down, enfrentando todas as dificuldades inerentes à sua síndrome, empregando seu tempo e seu talento de modo construtivo e amoroso, visando à felicidade de outrem. De outro lado policiais corruptos denegrindo o nome de sua corporação, envergonhando seus colegas, recebendo propinas, fazendo vista grossa ao tráfico de entorpecentes que ceifa a vida de centenas de pessoas e compromete a harmonia de famílias inteiras. Eis aqui um bom exemplo de exercício do livre-arbítrio!

A cada dia que surge temos a opção de fazer o bem ou o mal tanto nas pequenas coisas quanto nas grandes. Esse é o verdadeiro livre-arbítrio que Deus nos deu. Escolha. A quem você deseja servir? Mesmo pessoas limitadas em suas capacidades podem nos dar exemplos de bondade, dedicação, empenho… enquanto outras, mais graduadas, podem pisar em nossos valores mais caros e destruir nossos sonhos. Quem é digno de sua admiração? Faça sua escolha. Afinal, temos assegurado o livre-arbítrio!

Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora.