Conversa de botequim é porreta porque os partícipes geralmente estão por dentro de qualquer assunto e a solução, caso requeira, está sempre na ponta da língua.

Como cervejeiro confesso (claro, no sentido de consumidor) de longa data, eu tenho participado e apreciado umas e outras, como o diálogo a seguir entre dois frequentadores num desses recintos aqui na Capitania dos Ilhéus, possivelmente motivado pela recente visita do governador.

– E aí? Tá ligado no que está rolando na internet sobre Ilhéus? Rapaz! é coisa de cinema! –Provoca um da mesa.

– Ô cara, deixe de mistério. Vai dizendo logo o que é –retruca o outro.

– É a nova ponte Ilhéus – Pontal. Repito: é coisa de cinema. Só vendo que beleza!

– Tou ligado sim, meu caro. Recebi um e-mail e fiquei inteirado. Estou é boquiaberto em ver um cara crescidinho como você, macaco velho de outros carnavais, caindo nessa de ponte virtual! Isso é jogada política do governador preparando terreno para as próximas eleições!

Qualé nada! Vá ser pessimista assim lá na casa do chapéu! Então me responda por que ele mandou abrir o processo de licitação?

– Ô brother, todos eles fazem isso para enganar a torcida! Me diga qual foram as obras que o governo da Bahia realizou em prol de Ilhéus? E como sabe as promessas abundaram. Corrijo, desculpa: Foram sim inauguradas duas; o Terminal Pesqueiro e o DPT, mesmo assim uma precisando dragar o canal, e a outra em lugar impróprio segundo os entendidos. Mas há de convir ser muito pouco para uma cidade como Ilhéus, ou não é?

– Rapaz! seja um pouco otimista! Vá por mim e anote em sua agenda: Ilhéus terá a primeira ponte estaiada da Bahia. Entende né, ponte estaiada é aquela que a gente chama de suspensa, sustentada por cabos de aço. E coloque mais: significará juntamente com o Porto Sul e a Fiol, com a recente carta branca do Ibama, a transformação da cidade. Ou não deseja o progresso para Ilhéus e Região que passam por umas perrengues danadas?

Não, cara! Tá pensando o quê de mim? Não sendo na tora, não havendo atropelo das imposições legais, como as ambientais, que venha ponte, aeroporto, alargamento da 415 e tudo que temos direito. Só insisto em dizer que não posso acreditar que nenhum cidadão esclarecido vá confiar em político made in Brasil! Mas concordo que ficamos na pindaíba depois da vassoura de bruxa.

–Viu aí? Pelo menos não somos discordantes de tudo. Deixando os veículos e a ponte, o que me diz de nossa população, cresceu ou não cresceu?

– Rapaz, as estatísticas apontam que em Ilhéus ela diminuiu, mas minhas dúvidas persistem! Como explicar então o boom da construção civil e gente saindo pelas beiradas em bairros como Teotônio Vilela, Nelson Costa, Pontal entre outros?

Bata, parceiro. Para mim também se baixou foi na área rural. Por falar em crescimento populacional, o amigo leu, como um leitor assíduo do jornal, o editorial do Diário de Ilhéus do Dia de Finado?

– Pô, foi buscar no fundo do baú. Quanto tempo! Se não me engano não foi aquele abordando o êxodo urbano de defuntos para o Couto e Salobrinho em razão da superlotação e falta de espaçonos nossos três cemitérios, o da Vitória, Basílio e o do Pontal?

– Na mosca, bicho. Corretíssimo. Reparou a maneira bem humorada de reivindicar ao entrante quadro administrativo do município um novo cemitério para a cidade?

– Sem dúvida, sem dúvida. Uma reivindicação séria mesclada de bom humor.

Momento em que um torcedor flamenguista do balcão intervém na conversa e o papo muda pra futebol.

                                                                  Heckel Januário