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fevereiro 2013
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COLOCARAM UMA BOMBA NO COLO DO PREFEITO

Alan Dick Megi

Armaram uma poderosa bomba com poder para deteriorar irreversivelmente a qualidade de vida da nossa bela Ilhéus e a colocaram nas mãos do Prefeito Jabes Ribeiro.

Essa bomba tem o poder de ir destruindo gradativamente, ao longo de alguns anos, todas as boas coisas com que a natureza presenteou aos ilheenses e todas as boas coisas que os ilheenses construíram ao longo da sua história.

Para entender melhor, imagine comigo algumas coisas que podem acontecer num futuro próximo:

Imagine que a partir de agora e nos próximos anos, você olhe em direção ao convento da Piedade, onde se avista aquele belo exemplo da arquitetura neogótica, que faz parte dos cartões postais de nossa cidade, e lá não veja mais aquela bela edificação. E veja apenas alguns edifícios de grande porte. Imagine ainda, que você resolva ir até lá, levando alguns visitantes amigos seus que vem conhecer Ilhéus, para mostrar a eles o convento que se esconde por trás dos edifícios e também para chegar ao mirante, para, lá de cima, tirar fotos e contemplar a bela paisagem da praia da Avenida Soares Lopes, do Morro de Pernambuco e da baía do Pontal. (eu já levei muita gente a esse mirante, para mostrar, com muito orgulho, a beleza da minha cidade)

Mas lá chegando, com extrema dificuldade devido à enorme quantidade de carros que se dirigem aos edifícios naquelas estreitas ruas, e, de cima do mirante, você só consiga avistar os fundos de enormes edifícios com 20 pavimentos situados na Cidade Nova e Avenida Soares  Lopes. E não mais enxergue a linha do horizonte e o azul do mar. Não enxergue mais a lua nascendo a brilhar sobre a água com seus reflexos prateados, como em poucos lugares do mundo tem-se o privilégio de ver. Nada mais! Somente edifícios, como nas cinzentas metrópoles das quais todos procuram fugir!

Ao seu lado um vendedor ambulante lhe oferece cartões postais antigos nos quais se pode observar, por trás de edifícios de 10 pavimentos (os atuais), um belo mar azul recortado com o morro de Pernambuco, e nesses cartões postais há uma legenda:  “ASSIM ERA ILHÉUS ATÉ 2012”.

Imagine agora as ruas totalmente alagadas por qualquer chuva, porque todo o solo da cidade foi impermeabilizado e não há mais áreas para absorver parte da água da chuva.

E ao lado do seu apartamento ou da sua casa, que lhe custou muito adquirir, construíram um enorme paredão sem qualquer recuo, sem qualquer espaço parecido com aquele que na sua casa você deixou para poder sentir a brisa fresca que vem do mar e para ter a luz do sol penetrando pelas janelas, mantendo seu lar saudável. E com esse paredão construído no lote vizinho, não há mais vento nem sol. E devido à sombra permanente e à falta de ventilação, o bolor e o mofo toma conta de sua casa. E sem espaço para plantar árvores, nem mesmo no passeio da rua, a temperatura da cidade que hoje é de no máximo 32 graus, passa a ser de 40 graus. Seu patrimônio tão arduamente conseguido em uma área que outrora era considerada nobre sofre uma brutal desvalorização!

Seguindo adiante, você estaciona em frente à outrora imponente catedral, e vê ao fundo, no alto do outeiro de São Sebastião, conhecido pelo marco histórico de fundação da cidade, um enorme edifício. Tão grande que, a seus pés, a catedral parece pequenina! Que coisa esquisita! Que coisa ridícula! E as estreitas ruas totalmente “engarrafadas” pela grande quantidade de carros que se dirigem a esses prédios construídos em lugares errados.

E adeus aos turistas e adeus aos que hoje vem investir e morar em Ilhéus em busca de qualidade de vida!

Esse cenário acima descrito pode parecer alarmista e exagerado, mas infelizmente não é!

Isso pode realmente acontecer se for aplicada uma lei promulgada no ano passado de forma irregular e totalmente ilegal, pois contraria o plano diretor do Município (ao qual está subordinada) e contraria a lei federal conhecida como Estatuto das cidades, além de não ter sido discutida com a comunidade, o que é obrigatório. O Ministério Público já foi acionado, mas ainda não se tem notícias de qual atitude tomará para impedir a continuidade das inequívocas ilegalidades.

Não sou contra a construção de grandes edifícios. Ao contrário, como arquiteto, sou totalmente favorável a eles e acho que são necessários e úteis no processo de urbanização. Mas eles têm que ser construídos nos lugares certos, onde a infraestrutura seja adequada, onde não causem problemas. Eles devem ser construídos com projetos modernos e com parâmetros urbanísticos atuais, para não retornarmos ao urbanismo da idade média.

E Ilhéus tem muitas áreas onde se pode construí-los sem problemas, basta que seja elaborada uma lei adequada e compatível com os anseios de todos. Os anseios de todos os que desejam o verdadeiro progresso: O progresso que traz qualidade de vida aos habitantes.

Agora resta saber como o prefeito Jabes Ribeiro será lembrado: como aquele que conseguiu desarmar a bomba que lhe entregaram, ou como aquele que a detonou?

Alan Dick Megi – Arquiteto e Urbanista, especialista em Planejamento Urbano e Gestão de Cidades.

4 respostas para “COLOCARAM UMA BOMBA NO COLO DO PREFEITO”

  • Caro Dr. Alan,

    Desta vez o senhor foi longe e fez um alerta que precisa ser levado a sério.

    O boom no momento é a construção de edifícios, veja o exemplo da Avenida Lomanto Junior/Baía do Pontal.

    Inclusive meu amigo José Rezende está registrando com fotos tudo o que existia antes das construções dos edifícios, e é um trabalho que no futuro servirá para lembrarmos com saudade do que era a Baía do Pontal.

    Esta situação já deveria estar na pauta das secretarias de planejamento, obras e meio ambiente, para refletirem como deve ser a ocupação do solo e das áreas públicas, pois um progresso desordenado traz lá na frente alguns e inevitáveis problemas.

    Uma vez tive uma conversa com o Profº Carlos Pereira Neto e ele emitiu uma opinião semelhante à sua, abordando a maneira como a cidade estava crescendo e necessitando de alguns ajustes para definir a ocupação do solo.

    Como técnico de planejamento urbano e gestão de cidades, continue nos brindando com seus comentários.

    ZÉCARLOS JUNIOR

    • ALAN says:

      Caro Zé Carlos.
      Obrigado pelo apoio. Quando escrevo e informo sobre esses assuntos, as vezes desagradáveis, faço com o objetivo de aumentar a participação da sociedade nos assuntos que dizem respeito ao futuro da cidade. Faz muita falta a participação da sociedade para que os integrantes do executivo e do legislativo possam saber o que ela deseja, e assim eles não fiquem apenas recebendo pressões dos grupos mais fortes em organização ou em poder econômico. Temos que participar mais e mostrar nossa força.

  • Romilson Santos says:

    Enquanto geógrafo, concordo plenamente com o texto, porém devemos concordar que, a cidade é um imenso condomínio ao qual o Prefeito eleito se candidatou para administrar. Dessa forma, cabe a ele agora arcar, com a ajuda de todos, com todas as mazelas às quais a nossa linda cidade tem sofrido ao longo dos últimos trinta anos e dessa forma tentar minimizar o quanto possível com as atitudes tomadas por todos esses prefeitos com a anuência dos vereadores. Vale ressaltar que um dos cartões postais dessa maravilhosa cidade, a Av. Soares Lopes, com um projeto de Burle Marx, inclusive na administração do atual Preteito, que torna o referido espeço quase que imune a modificações, tendo se tornado assim um enorme ELEFANTE BRANCO, utilizado entre outras coisas, em um imenso banheiro público.
    Como ilheense, desejo que todos, inclusive e principalmente os vereadores eleitos, se unam para tentar devolver à nossa cidade o título de “PRINCESINHA DO SUL DA BAHIA”.

  • GILBERTO CORREIA says:

    Concordo com o texto, com a coerência da preocupação, bem como os comentários, mas discordo do título. Na comunicação escrita, ele tem que ser coerente com o corpo do texto. Afinal, o título é o nome do texto. Pois bem, a crítica é “colocaram a bomba no colo do prefeito”. Ora, ele brigou pelo posto,sabendo do ônus e do bônus. E brigou feio, como vinha fazendo há algum tempo. Então, não tem porque “colocaram”, ele buscou, então, se vire!.

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