Sepultadas as vítimas jovens e inocentes, as famílias enlutadas e dilaceradas pela dor da perda, agora entram em evidência as investigações para indiciar os culpados.
Há como negar que os principais (ir)responsáveis são os proprietários da boate e os integrantes da banda que idealizaram e executaram a brincadeira com fogo em recinto fechado? Há. Para isso servem os advogados.
A folhetinesca TV Globo, através do melodramático Fantástico, entrevistou um dos sócios da boate, enfermo, debilitado num leito hospitalar, tentando em vão e às lágrimas eximir-se da culpa, a ponto de empurrá-la a terceiros. Estratégia de sua defesa, que ainda teve a canja de se pronunciar na mesma matéria. Tentar transferir e diluir a culpa entre bombeiros, prefeitura, engenheiro, banda e seja-lá-quem-mais pode ser estratégico, mas é feio. Na própria reportagem, o sócio da boate foi desmentido pelo engenheiro, que alegou nunca ter recomendado o material utilizado para isolamento acústico. O entrevistado, após afirmar que jamais havia sido utilizado fogo na boate antes, foi desmentido por filmagens de eventos passados. Justificou que a série de irregularidades em prevenção e segurança se deviam ao fato dele não ser “estudado no assunto”. Desculpa esfarrapada. Eu também não sou “estudado” no assunto, mas aprendi a manusear um extintor de incêndio e, há anos, mantenho um na cozinha de casa, recarregando-o religiosamente uma vez por ano. Por que não contratou uma consultoria especializada? Resposta: a velha mentalidade de que investir é sinônimo de gastar. Agora, sim, vai precisar gastar tudo que tem e o que não tem.
Negligência, imperícia, imprudência, ingenuidade, imbecilidade… não importa. Que se faça justiça e os culpados sejam punidos. No mínimo.

Nilson Pessoa