O VELHO E A BAÍA DO PONTAL
Durante uma das caminhadas que normalmente faço pelo entorno da deslumbrante Baía do Pontal, nesta tarde deparei-me com um velho pescador que estava sentado em um dos raros bancos ainda existentes, olhando para o mar e sentir alguma tristeza em seu semblante.
A maré estava baixa, via-se ao largo um enorme banco de areia, a antiga praia deu sinal de existência e então lhe fiz a seguinte pergunta:
Mestre! Será que um dia vamos ter esta praia de volta? Como era antigamente?
Ele virou o rosto e respondeu: “que saudade daquela praia, hoje estão acabando com a Baía do Pontal, saio todos os dias pra pescar e o que vejo é muito lixo, ratazanas, esgotos, peixe que é bom nada. Dói muito ver o que está acontecendo dia após dia na nossa baía, a boca da barra fechando e os pescadores tendo que ter coragem para sair mar afora”.
O velho pescador, no alto da sua sabedoria e tristeza, disse o que todo pontalense que ama seu bairro sente.
A Baía do Pontal realmente está a cada dia sendo violentada. Da entrada do Bar Chinaê até o Bar Mirante é uma sujeira de dar pena, esgotos jorrando, todo tipo de lixo sendo jogado na encosta (lixo doméstico, entulho, móveis, TV, geladeira, fogão, cama, colchão, pias, vasos sanitários), infelizmente ações protagonizadas por alguns moradores do bairro, uma verdadeira lástima, um desrespeito à beleza da baía aliada à falta de cidadania e educação de pessoas despreparadas para o convívio social.
O que a Baía do Pontal está passando requer um investimento alto para resolver todos os problemas, mas o que nos preocupa é que a situação está fora de controle do poder municipal, não existe sequer fiscalização para inibir a ação desses moradores irresponsáveis e a sujeira está imperando com toda força.
Alguma iniciativa o poder público tem que adotar na Baía do Pontal, pelo menos limpar toda a sua encosta, inclusive definir qual tipo de árvore deve permanecer à beira mar, pois do jeito em que se encontra a coisa está num rumo contrário aos empreendimentos que estão sendo construídos no local.
Nesse momento de apreensão e também de saudade, lembrei-me de Seu Figueirêdo, Alciato, Lino Cardoso, Juca Pinto, Dr. Galo, Laudelino Mendonça, Zilson Bittencourt, Davi Maia, Leleco, Bonfim, Seu Galvão e tantos outros ilustres e saudosos pontalenses, que viveram os anos dourados da eterna Baía do Pontal, que eles lá nos céus não imaginam como se encontra no momento.
É muito triste ver o abandono da bela Baía do Pontal.
ZÉCARLOS JUNIOR




























































Grande amigo Zé Carlos
Como são sábias as palavras deste “velho pescador”, como também seu fiel relato da Baía do Pontal, outrora orgulho dos pontalenses. Estas pessoas que você citou daqueles velhos tempos e outros, se vivos estivessem, talvez já teriam feito alguma coisa.
Só para recordar – Laudelino Rezende Mendonça (meu pai), citado por Zé Carlos, foi um homem que teve a coragem e por conta própria fazer valer seu ideal.
E assim eu cito no livro “Pontal – Ontem & Hoje – Memórias”: Em agosto de 1957, o comerciante Laudelino Rezende Mendonça, resolveu arborizar o bairro do Pontal, e para isso solicitou autorização do prefeito da época, o Sr. Herval Soledade. Com a liberação, inicia-se o plantio das mudas de um lado e do outro das ruas: 13 de Maio, Hermínio Ramos, Coronel Pessoa e parte da “Rua da Frente” (Entre a Escola Barão de Macaúbas e o Tamarineiro), que eram as ruas mais movimentadas do bairro.
O material botânico escolhido para arborização foram as plantas conhecidas por “Fícus” e “Oiti Mirim”. São árvores frondosas quando adultas, por isso de boa sombra, mas a primeira era muito sujeita ao ataque de uma praga popularmente conhecida como “Lacerdinha”, que é um inseto da família dos “Trips”. Estes insetos ao caírem nos olhos causavam uma ardência insuportável e por isso aos poucos foram sendo eliminadas pelos moradores, até o final da década de 60.
As três testemunhas que sobraram, uma está localizada na Avenida Lomanto Júnior, em frente à casa lotérica e serve de sombra para a baiana de acarajé Cecília, que vende seus quitutes aos domingos neste local e as outras duas estão na Rua Hermínio Ramos ao lado do Mercadinho Pontal.
Grato zé, pela lembrança
Rezende
Caro José,
Para corroborar vou acrescentar mais alguns NOMES de saudosos pontalenses. Vou começar com um ilustre vascaíno Caetano do Sinuca, Ricardinho do Picolé, Seu Arouca, Seu Favilla, Dudu Carnebó, Cabinho do Cartório e saudades daquele tempo. São referencias que hoje infelizmente não temos. Se tentarmos citar as referencias de hoje pouquíssimo são lembrados. José Carlos Junior, José Resende Mendonça, me ajudem …
Eu era um adolescente e os nomes citados ficaram marcados.
Abs
Edgard