Precisamente dia 27 último, final de tarde. De repente, me vi na Baía do Pontal, Av. Lomanto Jr, regressando do Centro para a Zona Sul, após uma tarde estafante e cheia de problemas. Faltava um pentelhinho de sapo pro pôr-do-sol, coisa de uns vinte minutos. Resolvi parar e me desligar de tudo: da renúncia de Bento XVI às desculpas do padre pedófilo de Niterói, sem deixar de lado a greve dos vigilantes, que me impediu de receber um dinheirinho no banco, fruto da ação indenizatória que movi contra uma “grande” empresa fornecedora de serviço essencial que, de tão desorganizada e mal administrada, mais parece um cacete armado de fundo de quintal (rimou).
Há muito tempo não me desligava assim. Esqueci do mundo e sentei à beira da baía a admirar o crepúsculo, sob a brisa fresca que carregava a maresia. Comecei a reparar cada pedacinho de paisagem onde a vista alcançasse. O navio de cruzeiro prestes a zarpar do Porto do Malhado, a Catedral de São Sebastião destacada entre os edifícios, o deslumbrante Morro de Pernambuco, o Cristo na sua solitária imponência, o Alto da Conquista e suas torres-antenas e os novos prédios da Lomanto, insistentes em encobrir o morro do Jardim Pontal, mas ainda não. Dos males o menor, o verde ainda existe e persiste. Parece que a Princesa do Sul é maior do que tudo e consegue transpor as barreiras do tempo, do progresso e até dos maus tratos a que foi submetida num passado recentíssimo, quase presente. Ilhéus sofre, mas é forte, tal e qual seu povo.
É… isso é que é uma cidade muito retada de bonita, mô fio!

Nilson Pessoa