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O VERDADEIRO E O FALSO DESENVOLVIMENTO DA BAHIA

Caro leitor,

Estamos, hoje, dando as boas vindas para o Fernando Alcoforado que estará conosco enriquecendo (e muito) o nosso site.

Motivo de orgulho e satisfação ter esse homem letrado no nosso quadro. “A ponte” foi feita pelo colega Luiz Ferreira.

Abração, Fernando!

Com votos de mais SUCESSO e fique com DEUS (Sempre!).

Rabat.’.

Fernando Alcoforado*

FERNANDO ALCOFORADO PARA ARTIGOS_Este texto é uma resposta ao artigo Você é contra o desenvolvimento? do economista José Sergio Gabrielli, secretário do Planejamento do governo do estado da Bahia,  publicado no jornal A Tarde em 17 de julho próximo passado. O artigo do economista Gabrielli é uma réplica a nosso artigo A ponte Salvador- Itaparica é inviável economicamente, publicado no jornal A Tarde em 11/07/2013. Cabe observar que analisamos o projeto da ponte Salvador- Itaparica como uma das soluções para o estrangulamento atual do tráfego na BR-324 ao compararmos com a alternativa de duplicação desta rodovia.  Nossos cálculos demonstram que a duplicação da BR-324 é mais econômica tornando inviável a ponte Salvador- Itaparica.

A tese defendida pelo governo do estado da Bahia sempre foi a de que a ponte Salvador- Itaparica deveria ser implantada para desafogar a BR-324. Esta tese foi mudada para a ponte ser utilizada como instrumento de desenvolvimento regional porque o governo do estado deve ter constatado sua inviabilidade como solução rodoviária que comprovamos em nosso artigo e quer implantá-la a todo o custo. Para justificar a implantação da ponte Salvador- Itaparica, o economista Gabrielli defende a tese de que ela poderia integrar Salvador ao sul do Recôncavo, Baixo Sul e oeste do Portal do Sertão. Ninguém contesta esta tese. No entanto, não está comprovada sua viabilidade técnica, econômica e financeira com a apresentação de dados irrefutáveis sobre os benefícios econômicos, sociais e ambientais que o projeto da ponte traria para o desenvolvimento do sul do Recôncavo, Baixo Sul e oeste do Portal do Sertão e para o próprio estado da Bahia.

Ressalte-se que estes benefícios econômicos, sociais e ambientais que o projeto da ponte traria para o desenvolvimento do sul do Recôncavo, Baixo Sul e oeste do Portal do Sertão e para o próprio estado da Bahia têm que ser superiores aos custos de implantação da ponte e de mitigação dos impactos urbanos e ambientais dela resultantes em Salvador, Itaparica e na Baia de Todos os Santos para justificar sua implantação. Reza a boa prática de planejamento regional que a decisão a ser tomada por um governo sério que baseia sua ação na racionalidade administrativa deveria ser precedida de estudos preliminares sobre a integração de Salvador ao sul do Recôncavo, Baixo Sul e oeste do Portal do Sertão a fim de avaliar seus impactos sobre a economia, o território, a sociedade e o meio ambiente. Indo contra toda racionalidade administrativa, a decisão foi tomada pelo governo da Bahia de implantar a ponte Salvador- Itaparica sem que esses estudos preliminares fossem realizados.

Esta forma de promover o desenvolvimento do estado da Bahia é contestável também porque sua abordagem não é sistêmica e não é estratégica. De acordo com a Teoria dos Sistemas, a otimização das partes (integração de Salvador ao sul do Recôncavo, Baixo Sul e oeste do Portal do Sertão) não leva necessariamente à otimização do todo (estado da Bahia). Para haver a otimização do estado da Bahia do ponto de vista do desenvolvimento regional, seria preciso haver um plano de desenvolvimento regional sistêmico e estratégico. Lamentavelmente, o governo da Bahia não possui um plano de desenvolvimento regional que abranja todo o estado da Bahia. O foco das ações do governo do estado da Bahia é pontual como o defendido pelo economista Gabrielli para a integração de Salvador ao sul do Recôncavo, Baixo Sul e oeste do Portal do Sertão.

Esta forma de planejamento do desenvolvimento do estado da Bahia é contestável porque o estado da Bahia tem outras prioridades como, por exemplo, promover investimentos para a mitigação dos problemas da seca, sobretudo no semiárido, a melhoria da precária infraestrutura existente nas áreas de educação, saúde, saneamento básico e transporte e o combate à pobreza com a promoção do desenvolvimento econômico de todas as suas regiões e não simplesmente com o programa Bolsa Família como ocorre atualmente. Investir na ponte e não nessas prioridades é sinônimo de malversação dos recursos públicos.

*Fernando Alcoforado, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, é professor universitário e consultor.

1 resposta para “O VERDADEIRO E O FALSO DESENVOLVIMENTO DA BAHIA”

  • Luiz Ferreira says:

    Agora, Fernando, vai ter um excelente veículo de divulgação de seus escritos, gerenciado pelo colega Rabat, um timoneiro no pedaço, oportunizando aos sul baianos uma reflexão salutar.

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