luiz-castro_novo emaILO JOVEM LENHADOR DE MACAJUBA

Ainda criança já trabalhava arduamente com seu pai nas roças do sertão de Macajuba. Dormia no tempo embaixo de uma arvore esperando seus pais e irmãos trazerem a lenha para ele arrumar ou, seja empilhar. Além da comida a água era bastante escassa, contudo não podia desanimar, pois a vida era aquela mesmo e não tinha esperança de melhoras. Anos se passaram sem até mesmo ir a escola, não havia tempo, era coisa para os avantajados, donos de roças e moradores da cidade longínqua. Certa vez ficou dois anos embaixo da mesma arvore, esperando os irmãos com o carregamento de lenha, tomando sereno, sol e chuva.

Quando já tinha lenha suficiente para vender na cidade, seu pai o levava junto com seus irmãos para descarregar a lenha. Na expectativa de seu pai comprar alguma merenda ou alguma roupinha, nada acontecia, o pai dizia que o dinheiro apurado era  para comprar comida.

Certa vez estando na praça da cidade, avistou um menino chupando quebra queixo. Ficou olhando com vontade louca de saborear o que menino estava saboreando, porém não foi possível, pois não tinha nenhum níquel para comprar aquele doce.

O tempo passou, ficou rapaz e tomou uma decisão: voar, voar, voar para outro lugar e ficar livre daquele sofrimento. Resolveu morar na maior capital do país – São Paulo – selva de pedra, onde  ninguém conhece ninguém,  onde cada um é por sí e Deus por todos. Lá encontrou um parente que lhe deu acolhida por uns dias até que encontrasse um trabalho. Aconselharam que tomasse um curso de barbeiro no SENAI, a chance foi essa e assim fez. Logo já estava trabalhando na arte, ganhando seu dinheirinho, comprando sua roupa, comida e suas próprias ferramentas. Foi aos poucos fazendo amigos e ganhando freguesia, pois além de sorridente e conversador, não deixava transparecer seu sofrimento passado na infância.

Após alguns anos já estabilizados financeiramente, começou a fazer caixa para viajar para o sul da Bahia, pois na época era a terra do futuro devido a produção de cacau.  E por sugestão de um amigo cliente aconselhou que entrasse no comercio de calçados, pois com certeza iria dar certo.                                      Porém antes de vir para as terras de Gabriela, teve que passar na sua terra Macajuba para realizar seu sonho amoroso.                                                                                          Assim concretizado fez uma grande compra de calçados e sua intenção era negociar na feira livre de Ilhéus, não deixando, no entanto sua profissão de barbeiro.

Naquela ocasião o Mercado Municipal era na Avenida Dois de Julho e seu ponto comercial era exatamente no fundo do mercado. Com o passar do tempo e já gozando de prestigio e reputação na cidade, resolveu ampliar seus negócios, alugando uma garagem na subida da Ladeira da Vitoria, onde exatamente iniciou sua grande trajetória na qualidade de pequeno empresário.

Tempos passaram conquistas alcançadas, experiência acumulada partiu para um empreendimento maior, resolveu estabelecer seu comercio no centro da cidade, onde o fluxo de pessoas oferecia melhores oportunidades.

Contando com a assistência administrativa e técnica de seu filho, a empresa cresceu o bastante para que fosse erguido um grande edifício com lojas e salas de alugueis, oferecendo aos clientes e amigos um grande espaço onde todos pudessem desfrutar da amizade desse grande homem idealizador.                                Além das lojas e salas, o pequeno lenhador adquiriu outros investimentos residenciais e comerciais para melhor proteger financeiramente seus familiares.

Como tudo tem inicio, meio e fim, o ex-lenhador e barbeiro, resolveu interromper suas atividades comercial. Os cabelos brancos chegaram junto ao cansaço da vida, sua namorada (maneira que chama sua esposa) precisava de sua presença mais de perto, com família formada, sem nenhuma preocupação e nem compromisso de pagar impostos de sua casa comercial.  Durante toda sua vida de empresário viajou por todo o Brasil, participando de feiras de calçados e congressos. Participou de diversas diretorias do CDL e Sindicato de Comerciantes. Na qualidade de empresário  nunca teve um titulo protestado e não teve nenhuma ação trabalhista contra sua firma.

Hoje ele passa pelo comercio, cumprimentando a todos, sempre sorridente, tomando seu cafezinho com seu amigo Zé Leite, fazendo sua caminhada com sua namorada (esposa), e nas horas vagas vai ao bar do Zequito’s saborear a loura suada, merecidamente…

 

Rogamos ao Senhor!

Oramos com fervor

Que lhe ilumine

Una sempre sua família

E lhe der muitos anos de vida.

 

Faça sempre bem aos outros

Recompense o que Deus lhe deu

Alegre-se com a vida

Gerando esperança a todos

Alcançando a benção de Deus.

 

Parabéns Roque Fraga, você faz lembrar uma grande frase dita pelo apostolo Paulo de Tarso: “ COMBATI O BOM COMBATE E PERMANECI NA FÉ “.

 

Luiz Castro

Bacharel Administração de empresa – Aposentado