UMA RELÍQUIA
Transcrição de uma carta histórica
Salvador, 29 de setembro de 1977
Tio Demostinho:
Você sabia que é sobrinho de um príncipe de sangue?
Passei a tarde de hoje conversando com o grande genealogista Arnold Wildberger, cônsul da Bélgica na Bahia que me contou uma história fascinante sobre a qual alguns rumores já haviam chegado aos meus ouvidos.
Eis a história:
Luis Felipe Rei da França achou que já havia chegado a hora de seu país guardar os restos mortais de Napoleão I falecido no exílio em 1821.
Determinou então a um de seus cinco filhos varões o então Duque, depois Príncipe de Joinville, que fosse buscar em Santa Helena os restos mortais de Napoleão I.
Viajou então o Duque, que depois dessa viagem passaria a príncipe, para Santa Helena onde deveria chegar depois de uma viagem recreativa e cultural pelo Império do Brasil.
Foi assim que em 1840 chegou ao Brasil visitando também a Bahia o Príncipe de Joinville. Era um jovem de 22 anos nascera em 1818 e teve estrondosa recepção na Bahia. Um baile inesquecível e foi oferecido onde o belo príncipe foi apresentado entre outras pessoas a 40 donzelas da sociedade baiana.
Uma delas Maria Leonila Bandeira apaixonou-se pelo Príncipe com quem tornou a encontrar-se quando o mesmo fazia uma caçada em Mataripe. (O Príncipe de Joinville confirma tudo isso em suas memórias).
Partindo de Joinville para Santa Helena verificou Maria Leonila Bandeira que estava grávida herança de seu amor pelo Príncipe.
Descoberto a fato pela família Bandeira Maria Leonila foi expulsa de casa indo residir em Feira de Santana onde deu a luz um aloira criança a qual deu o nome de Artur.
Anos mais tarde Maria leonila Bandeira, conheceu o ilustre conselheiro Antônio Luiz Afonso de Carvalho (1828-1892) com quem passou a viver e dele teve 4 filhos: Antônio Luiz Afonso de Carvalho que casou-se com Adélia Ferreira Afonso de Carvalho; Francisco José Afonso de Carvalho que casou-se com Etelvina Afonso de Carvalho; Maria da Glória Afonso de Carvalho que morreu solteira; Maria Rosa Afonso de Carvalho que viveu apenas 10 anos.
Correram os anos quando 1884 o Conselheiro Luiz Afonso de Carvalho já homem de 56 anos foi indicado para Presidente da Província da Bahia mas, sendo ele solteiro não poderia assumir o cargo sem casar-se com a sua companheira, o que fez ainda em 1884. Maria Leonila Bandeira passou a chamar-se Maria Leonila Afonso de Carvalho.
O Presidente da Província legitimou seus filhos.
(Todos morenos) ao mesmo tempo em que adotava o loiro filho da sua mulher que passou a chamar-se Artur Afonso de carvalho (Bacharel em Direito com seus meio irmãos Francisco José e Antônio Luiz)
Esta adoção revoltou os legítimos filhos do Presidente da Província que rompeu definitivamente as relações com seu meio irmão Artur.
E foi esse Artur Afonso de Carvalho neto do Rei Luiz Felipe que casou-se em Ilhéus com Auta Berbert de Carvalho nossa tia.
Desse casamento nasceram: Auta Leonila (Nila), Artur, Augusto, Alina, Aulo, Antônio Alciato, e Antonieta Berbert de Carvalho – Príncipes de Sangue esses Berbert de Orleans – como diz Wildberger – pois que, netos são do Príncipe de Joinville, bisnetos do Rei Luiz Felipe e ainda descendentes diretos de Luiz XIV, D. Manoel I, Os Reis Católicos, entre muitos outros Reis.
O Cônsul Wildberger diz que foi ameaçado de morte quando quis publicar um trabalho sobre os descendentes baianos do Rei Luiz Felipe.
O Príncipe de Joinville sogro de tia Autinha casou-se em 1843 com sua prima D. Francisca irmã de D. Pedro II (1825-1891). O Príncipe de Joinville faleceu na França em 1900 aos 92 anos e juntamente com D. Francisca estão sepultados num castelo D`Eu na França.
Eram tios dos dois gêmeos de D. Pedro II. Era irmão do pai do Conde D`Eu marido de D. Isabel (1846-1921) irmão da genitora do Duque de Saxe marido de D. Leopoldina (1847-1871) ambos primos carnais de tio Artur.
Aulo se parece muito com o avô.
Ramiro
P.S. pergunte aos nossos primos – os príncipes Berbert de Orleans – se estão cientes de tudo?


























































