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Centenário de Mário Oliveira Reis

Breve biografia

Por Carlos Octávio Nascimento Reis

(E) Hamilton Ignácio de Castro, Jorge Amado e Mário Reis.

(E) Hamilton Ignácio de Castro, Jorge Amado e Mário Reis.

Em 13 de julho de 1926, Mário Oliveira Reis, aos 13 anos de idade, aportou em Ilhéus, acompanhado de sua única irmã, Elza Reis, bem como de sua mãe, Alice Oliveira Santos, e de seu padrasto, Manoel Santos, posteriormente conhecidos como “Dona Lili do Pontal” e como “Manoelzinho Telegrafista”. Mário Reis ficara órfão de pai aos 7 anos, quando faleceu precocemente Octávio Ferreira Reis, um bravo oficial da Polícia Militar.

Mário Reis amou Ilhéus à primeira vista. A partir daí, de corpo e alma, por mais de 73 anos, dedicou-se a esta cidade. Nascido no Distrito de Parafuso, município de Camaçari, no Recôncavo Baiano, ninguém foi mais ilheense do que Mário Reis. Como cacauicultor, não só regou o solo fértil dessa terra com o seu suor e trabalho, como ajudou a plantar no seio da mata virgem a civilização cacaueira.

Mário Reis não se entregou a passagem do tempo. Dedicou-se, no seu crepúsculo, como se fosse um jovem, ao difícil e espinhoso combate às terríveis agruras vivenciadas pela cacauicultura, revivendo, por assim dizer, a disposição, a energia incomum e a laboriosa experiência do seu heróico primórdio. Com têmpera e tirocínio brilhante, levou vitalidade econômica ao Vale do Ouro, quer através de abertura de estrada, que hoje integra a malha viária daquela região, quer liderando a interiorização de energia, tendo como companheiros figuras ilustres: Dr. Paulino Torres, Dr. João Aguiar, Sr. Cordolino Cosme de Oliveira, Sr. Antônio Batista, além de outros pecuaristas tão progressistas quanto ele.

Casou-se muito jovem (Tendo 20 anos incompletos) com uma ilheense de família tradicional, a jovem e talentosa professora Anna Nascimento Reis, com quem teve seis dos seus oito filhos, os dois últimos sendo oriundos do segundo matrimônio com a também ilheense Sirgley Maia.

De origem humilde, Mário Reis tornou-se um autodidata, e, na condição de líder, esteve presente de forma ativa na vida política e social de Ilhéus.

Como político, participou de inúmeras campanhas, sempre obtendo êxito nos seus redutos eleitorais, tais como Laje do Banco Central, Poço Central, Itapitanga, Vale do Ouro e por esse interior afora. Mercê a sua coerência e lealdade, era muito respeitado e conhecido. Popular, um homem simples do povo, que fazia com que, também no trato político, sua palavra adquirisse o maior valor. Colaborou para a eleição de eminentes figuras no cenário baiano e nacional, dentre eles Dr. Vieira de Melo, Dr. Aliomar Baleeiro e Dr. Lomanto Junior. Nas contendas no âmbito do município, muitas vezes era peça chave para a escolha do candidato ao cargo de prefeito. Assim foi Mário Reis: um baluarte de Ilhéus.

Cultivou seus amigos nas famosas SABADEIRAS e DOMINGUEIRAS, quando se discutia o melhor para a comunidade, num ambiente de confraternização e alegria. Colaborou para a organização da “Sociedade dos Amigos de Ilhéus”, da qual fora presidente, e que tinha Dr. Ananias Dórea como presidente de honra, alem de ter como diretores, Dr. Adauto Sales Brasil, Pedro Ribeiro, Dr. Aristeu Campos, o então padre Dorival de Freitas, Alcides Kruschewsky, entre outros.

Mário Reis era amigo de Luiz Gonzaga, que vinha a Ilhéus abrilhantar as suas festas e cujas canções eram muito apreciadas. Outras composições eram admiradas: “Rancho Fundo”, “Cabocla”, “Sertaneja”, identificava-se especialmente com “Naquela Mesa”, canção que, por consagrar a figura paterna, trazia à tona os seus tempos de criança e lembrança do seu pai, um corajoso oficial militar que se distinguia também nas festas de outrora com um vozeirão afinado, dedilhando um violão e com porte de galã.

Foi um apaixonado pelo esporte. Presidiu por muitos anos a sua agremiação favorita, o Flamengo de Ilhéus, do qual, posteriormente, tornou-se presidente de honra. Vigoroso remador, brilhou nas competições náuticas até a década de quarenta. Era apaixonado pelo seu grande Botafogo (RJ), desde os tempos memoráveis de Carlito Rocha.

Foi um autêntico poeta ao escrever as páginas da sua estória, apenas vivendo e amando intensamente.

Hoje, repousa ao lado da sua primeira mulher, Anna Reis, e do seu filho, Paulo Henrique Nascimento Reis, no mausoléu da família no Campo Santo, em Salvador.     

1 resposta para “Centenário de Mário Oliveira Reis”

  • arnaldo gonçalves pereira says:

    Carlos parabéns por essas lembranças, tive o prazer de conviver com essa pessoa maravilhosa que era seu Mario, tudo que descreveu acima é a pura verdade, homem de uma liderança fantástica, nunca se candidatou a cargo político, mas era um verdadeiro político, só queria o bem para Ilhéus. êle unia e nunca pregou desarmonia em nossa cidade, que felicidade em ler esta pequena biografia de um verdadeiro Homem de bem de nossa cidade , abraço do amigo arnaldo.

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