Duas Mensagens a Paulô Amorim de Carvalho
Dias atrás, passava por uma rua transversal da Soares Lopes quando vi, sem os óculos, ao longe, o Mano Menezes dando instruções ao seu time de craques. Mais perto, percebi meu engano: era você, que me cumprimentou com a alegria por rever um primo e ex-colega do IME. Afinal, foi você quem me deu a primeira aula de futebol: haviam me colocado numa posição da defesa e, não sabendo eu nada das regras daquele jogo, chegando-me a bola, a chutei para dentro do meu gol. Com didatismo e paciência, V. me explicou esta regra tão básica. Defesa defende o gol das chegadas das bolas. Afinal, meu querido finado pai quase só levava Isaac ao Mário Pessoa, ficando eu no atelier de costura da minha mãe aprendendo “dente de cão”, “ponto atrás” e, até, o bordado “rococó”. Esta prática, em vez de soltar de vez a minha munheca, tornou-a mais firme para pegar nos pincéis e, em cada vinte telas que pinto, uma delas me agrada profundamente. Sempre grato por aquela primeira aula, agora lhe passo a segunda parte desta mensagem.
Nossa prima Maria Luisa Heine (que Deus conserve a sua bôa saúde para ainda governar, por quatro anos, com lisura, a nossa aldeia), no seu afã de historiadora e escritora descobriu, em jornais de 1915, notícias de que foi o benemérito Coronel Virgilio Calazans de Amorim, seu avô, quem doou a frente do seu terreno ao município para a construção do Prédio Escolar General Osório, a pimeira escola mista construída na cidade, pois a escola mista pioneira, mesmo, foi a da nossa tia Mariquinhas, no casarão onde esta viveu alguns anos, ao lado do Cine Teatro Ilhéos. Parece que parte da despesa da obra, também, saiu dos dividendos da “Fazenda Primavera”, criada pelo seu Bisavô João. Perceba que o edificio atrás do General Osório é, ainda hoje, “Edificio Primavera”, também por sua familia construído. Esta gleba saia da praia e se limitava com a fazenda de D. Adelaide Schawn Brasil, hoje convento da Piedade. Entre a “Ladeira do Café” e a escadaria “Sétimo Céu”, tudo era dele, contou-me o finado querido escrivão Tom Lavigne.
Na foto da inauguração do prédio, no topo da escadaria, estava um jovem louro de 35 anos, o doador do terreno e de parte da sua construção, repito.
O prédio serviu por décadas a toda a população local e, eu mesmo, frequentei a pequena biblioteca infantil do seu subsolo, onde trabalhava a D, Olga, a mãe de Ana Fontes.
A típica tradição brasileira de dar manutenção inconveniente às nossas construções, para demolir logo e construir algo novo no seu lugar, arruinou o prédio e este, hoje, se sencontra realmente abandonado pelo municipio, servindo de covil à novíssima classe da sociedade brasileira, os novos “pedreiros”, ou “cracudos”, como chamam por aí estes infelizes abandonados pela sorte; outro dia, me contaram, estes iniciaram um incêndio no interior da ruína.
Finalizando, uma pergunta, pois perguntar não agrava: porque Maria Marta, Toneca, o Arquiteto Dodó, Tuvinha, Você, Alvinho e Virgilinho (mais os descendentes do finado Carlô) não procuram bons advogados e requerem o retorno deste bem à familia que o doou à comunidade com o fim especifico do seu uso como escola municipal? Esta não existe há décadas.
A Conservação, Restauro e Valoriização de prédios históricos é uma realidade nos meios civilizados e, esta jóia da Arquitetura Eclética poderia ser reforçada, renovada, onde funcionariam lojas de luxo. Se a grana do cacau anda curta, porque não uma parceria com algum grupo italiano que detém tecnologia suficiente para por de pé edificios quase pulverizados pelo tempo?
Aquele edificio com tres andares que foram, aos poucos, ampliando do “Centro Municipal de Informações Turísticas”, não pode ser brecha para a urbanização do lado Leste da Avenida Soares Lopes, que deverá, para sempre, ser a grande área livre da cidade para ali armarmos os nosssos circos, parques, feiras e áreas de esporte para a nossa população dos morros que não tem suas casas de praia com piscina para o seu lazer. Este prédio, também, fica na areia que se acumulou na frente do terreno do Coronel, e a lei brasileira é clara em afirmar que novos terrenos ganhos da Natureza em constante transformação pertencem ao dono da antiga terra firme adjacente. Averiguem melhor isso.
Isso tudo é só sugestão mas, por favor, a encaminhe aos seus irmãos e primos para melhores discussões deste assunto de alto interesse comunitário.
Guilherme Albagli de Almeida




















































