A descoberta do Pré-Sal pelo Brasil e a capacitação dos Estados Unidos na extração de gás de xisto reconfirmam respectivamente as condições de potencialidade e de superpotência econômicas mundiais.

À primeira vista induz uma disputa pela hegemonia energética, mas não é essa a questão que quero chegar, é outra, mesmo porque um sendo apenas crescidinho e o outro vivendo a maturação, o desenvolvimento, o páreo seria desigual.

Antes disso, fazendo um rasteiro comentário, é bom dizer que o gás é extraído utilizando sobre a lâmina da rocha, jatos d’água (mas, haja água!) mais areia e produtos químicos misturados sobre pressão para sua quebra, processo este chamado de “fraturamento”. Outras notícias dão conta que com este método a importância estratégica petrolífera do Oriente Médio poderá ser desbancada e gerar uma nova geopolítica no planeta, haja vista o custo de produção do barril deste fluente ser significativamente menor do que o do petróleo e a ele se equivaler.

Já se diz até que pela reserva e volume produzido consideráveis uma nova matriz energética está a caminho nos EUA, aliás, muita festejada neste país porque é (ou foi) meio mirrado no quesito energia. No da América de cá, o combustível encarregado de comandar a economia não mudará de nome, mas a superprodução, a abundância aguardada do “ouro negro” encheu de euforia o governo brasileiro porque acredita que a 7ª economia do mundo derrube de um só golpe a persistente fase potencial e o eterno estigma de ser bonzinho somente de estatura.

Até aí nada a questionar, pois a busca incessante pelo progresso parece fazer parte da natureza das nações. Agora, só não consigo entender, chegando ao ponto desejado, o fato de elas propagarem e glorificarem tanto a sustentabilidade e não estarem tudo me levando a crerpreocupadas nem um tiquinho assim com a qualidade de vida de suas gerações futuras! Como acreditar que realmente estão se o “fraturamento” causa de acordo os noticiários, uma poluição danada, podendo provocar mudanças ambientais irreparáveis comprometendo lençóis freáticos, reservas hídricas, com o risco de o gás escapar para a atmosfera e ajudar no aquecimento da Terra e, contaminar moradores adjacentes de usinas!? E que dizer da excelentíssima contribuição poluidora do Pré-Sal com a queima de cerca de 100 bilhões de barris de petróleo conforme cálculos de pesquisadores?

Além do mais, o todo-poderoso norte-americano exalta o feito da captura do gás como uma “revolução energética” de consequências positivas em sua economia, já o emergente latino-americano, como as autoridades locais encontram-se entusiasmadas com o êxito do nortista e como detém a experiência de trabalhar anteriormente com o xisto, por sinal igualmente abundante no território verde-amarelo, não perdeu tempo em abrir licitação internacional para explorá-lo no Recôncavo Baiano, região não muito longe daqui da Cacaueira.

Tal cenário fizera vir a mente o Protocolo de Kioto, pauta da Eco  92 em que os chefes de Estados assumiram o compromisso de viabilizar políticas para reduzir a emissão de CO2 na atmosfera e a Rio + 20 do ano passado, uma  reafirmação da responsabilidade dos governos nacionais com o Desenvolvimento Sustentável.

Deste modo saio da questão convencido de que as boas intenções ambientais não passam de boas intenções. E de que os signatários e os propagadores do “ecologicamente correto” detentores de potencialidades, uns maiores outros menores de fontes renováveis de energia porém alguns necessitando crescer, outros de, como o nosso país das Américas, sair dessa urgentemente e chegar ao nível de desenvolvido que elegeram, entretanto, as poluentes, as contradições inevitáveis mostram discursos hipócritas governamentais.

                                                        Heckel Januário