É percebível como nada alterou.

         Falo da proliferação das promessas em proximidades de eleições, um velho método da política brasileira.

A Bahia não foge à regra. Aqui na Capitania dos Ilhéus o rol das provenientes do Estado já cresce célere. Não incluiria, entretanto, a da Ponte Ilhéus / Pontal visto que, prometida numa dessas “vésperas” bem distantes, já caducara e fora excluída da lista. E mesmo porque, pelo andar da carruagem no canteiro de obras, ela já pulara da fase da dívida para a da realidade. A não ser que, como faz parte também do jeitinho brasileiro de governar, seja apenas aquele auê para ganhar a torcida e…, as eleições, estratégia intrinsecamente ligada ao referido procedimento, muito usada pelos governantes para manter-se no poder.  E aí companheiro, haja sorte, paciência e tudo o mais a combinar para que o mandatário eleito não venha a tocar a obra a passos de cágado ou fazer o pior: abandoná-la por completo. Espantoso!? Infelizmente não é não, pois é assim que a banda toca no país do futebol.

No teclado do micro me dei conta de ter tocado neste assunto em escritos anteriores.  Mas como não novamente, caro e paciente leitor, se tudo continua como dantes, não havendo nem uma brechinha sequer para este escrevinhador grafar em letras garrafais: Mudou! Viva!

De volta do pequeno desvio, me deparo com a mais fresquinha do pedaço: a da Estrada do Cacau e do Chocolate, um projeto de estrada temática entre Ilhéus e Uruçuca e, uma cutucada no turismo com direito a portais, arte arquitetônica, gastronômica regional, quiosque de informações e outros babados para turista ver. Alvissareira, alvissareira a proposta estadual misturada às vontades caseiras das duas administrações municipais. Agora, seria de bom alvitre, que o governo do Estado, antes de meter mão realmente, desse uma geral nas imediações de onde ficará implantado o portal ilheense. Já pensou se um visitante, desses chegado a saber tintim por tintim das coisas, der na telha de conhecer o Pólo de Informática e o Distrito Industrial! Ah! talvez a recuperação dessas áreas esteja inserida no programa e eu aqui me passando!

Às promessas estaduais, a alternativa dos gestores regionais é agarrá-las com unhas e dentes. Conclusão a que chego face os constantes S.O.S emanados desses  mandatários avisando a embarcação capitânia que,  em razão de não contarem mais com a colaboração de generosas safras cacaueiras, seus municípios estão passando  por uma perrengue financeira danada. Mas parece que para os munícipes ou a maioria deles, o problema das finanças é outro: é uma questão de má gestão mesmo.

Como estou nessa de repetitivo, me veio lembrar algumas prometidas realizações de iniciativa da UESC. A Incubadora de Empresas no prédio do ICB(Instituto de Cacau da Bahia) foi umas delas. A implantação do Museu do Antigo Porto oriunda de convênio Codeba/Uesc foi outra. Da Incubadora, datada da década passada, como mais destinada a público direcionado, não sei se vingara ou não.

Bom, se o turista resolver adentrar o portal da Estrada do Cacau e do Chocolate para complementar o conhecimento da história da “Civilização do Cacau” tão bem contada e propagada pelo grandioso Jorge Amado em seus livros, com certeza encontre na cidade à sua disposição, um acervo com mais de 2.500 peças arqueológicas, indígenas, de pintura, de escultura, de cristais, indumentárias etc., no recuperado Museu do Cacau, desfazendo as previsões desse modo, de Gutembergue, museólogo e seu coordenador em 2006 que dizia em entrevista à imprensa regional que “Com o museu fechado há uma perda enorme com relação à história contada por ele através de vários documentos importantes, miniaturas da cacauicultura e muito outros objetos”.

Heckel Januário