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Heckel Januário em: NEM AÍ NEM CHEGANDO

            Aqui na Capitania dos Ilhéus o descaso das autoridades pelo item preservação de memória parece ser mais acentuado do que em outras localidades. Falo especialmente dessas que possuem um relevante passado histórico.

         Dedução imposta pela lembrança do chamado “Trenzinho” expelindo fumaças de recordações, pousado nas imediações do IME e da Avenida Canavieiras. Por volta de 1990 fora parar no pátio da Ciretran.

         Lá se vai mais de 20 carnavais que José Rezende denunciou ao jornal A Tarde o seu abandono; de igual modo à Câmara de Vereadores e ao Executivo Municipal, legais responsáveis, incrivelmente. Mais pra cá Anízio Cruz entusiasmado com as promessas de sua recuperação, imaginou-o, com o emprego de tecnologias modernas, no pedestal de uma praça apitando de hora em hora.

O poeta Heitor Brasileiro, chegara a endereçar sua crônica “Locomotiva”, como incentivo, a Raimundo Mazzei, um ex-Secretário de Turismo do município que propagara e prometera transformá-lo em atrativo turístico. “…velha, esquecida, carcomida pela ferrugem, mas ostentando uma dignidade própria dos que resistem a intempéries sem lamuriar a própria sorte…” é um trecho que bem retrata seu estado no adro do desprezo e, o fio de esperança do autor. Jamais lamuriaria meu caro Heitor, mas me arvoro a dizer-lhe que a esta altura do campeonato os restos mortais do Trenzinho, a última das locomotivas, este ícone da cacauicultura baiana, já tenham sido sepultados em alguma cova rasa, sem uma homenagem ainda que desprovida de cerimônia sequer! E, pasme: como indigente!  Pego de surpresa, este escrevinhador aqui em “Só Um Sonho Sonhado!”, inocentemente também se enchera de expectativa. Sonhou vendo-o claramente todo recuperado e a funcionar um restaurante, como anunciara o referido dirigente público, mas acordou decepcionado com a realidade de ter sido somente um passageiro sonho e nada mais.

Ratificando o juízo registro dois exemplos em cidades mais ou menos do porte da ilheense, os quais anos atrás eu tive a oportunidade in loco de conferi-los: O Vaporzinho da baiana Juazeiro e o Vapor da catarinense Blumenau, símbolos que apesar de enfrentado maus momentos, continuam altaneiros e guardiões da história das navegações dos rios São Francisco e Itajaí-Açu e, a orgulhar suas comunidades.

Portanto, ali ou acolá as evidências indicam certa consciência mesmo se esta não tenha surgido naturalmente mas incorporada aos troncos e barrancos, como se diz das autoridades no sentido da conservação, sobretudo se o “bem comum” for considerado historicamente importante. As daqui…

Bem, as daqui possivelmente não estejam ‘nem aí nem chegando’ para o “cavalo do coronel” o  trem, o transporte do cacauicultor ilheense para o escritor Helio Pólvora em “Ver o trem passar” e, alheando-se, vão negando a interação do passado com o presente na formação da identidade de um povo, rasgando assim um precioso documento.

Heckel Januário

3 respostas para “Heckel Januário em: NEM AÍ NEM CHEGANDO”

  • reinaldo(xuxa) says:

    Parabens janú, vc conhece a história dessa terra!!!!!

  • JOSÉ REZENDE MENDONÇA says:

    Meu grande colega Heckel
    Se alguns nos escutassem, ou se pelo menos tentassem, o nosso patrimônio histórico seria outro. Bom resgate da história.
    Parabéns pela matéria e todo seu conhecimento.
    Seu colega
    Rezende

  • Cezar Charmite says:

    Heckel Januário…Que bom que ainda temos gente capaz de indicar o caminho certo para uma terra esquecida….Parabéns

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