O poder público municipal tem divulgado inúmeras obras que a nossa sofrida cidade poderá se beneficiar, desnecessário citá-las, pois todos já conhecem.

Mas a gente sempre lembra que estas grandes obras dependem de vontade política dos governos federal e estadual, é um ponto importante e que nunca deve ser esquecido.

E o nosso Pólo de Informática como se encontra? O que tem sido feito para melhorar a sua infraestrutura? É interessante para o município de Ilhéus ter um pólo de informática suficientemente forte para atrair investimentos privados? E a geração de empregos? E a demanda de novos produtos nessa área que hoje faz parte integrante da vida das pessoas? O pólo industrial faz parte da agenda que cuida do desenvolvimento de Ilhéus?

O jogo de empurra continua o mesmo. O governo do estado não manifesta nenhuma posição a respeito, a SUDIC não tem poder de fogo para resolver os graves problemas e o que foi criado em 1995, pelo então governador Paulo Souto, está hoje enfrentando sérias dificuldades.

No ano de 2008, o pólo atingiu o número expressivo de 74 empresas instaladas, sendo 68 em plena atividade, com um faturamento de mais de 2,2 bilhões de reais e 2.500 empregos diretos, muito embora a crise americana tenha trazido insegurança ao mercado interno, com os preços disparando e o consequente esvaziamento do pólo industrial.

Atualmente existem em torno de 30 empresas em atividade, com um faturamento aproximado de 1,2 bilhões, mais de 1.100 empregos diretos e contribui mensalmente com aproximadamente 2 milhões em arrecadação aos cofres do munícipio.

Muitos esforços foram feitos pelo SINEC no sentido de realmente transformar o pólo numa atraente área de investimentos privados, mas o governo estadual que é detentor do poder de decisões, não deu o apoio suficiente e real para que o distrito alcançasse vôos mais promissores. E no momento as dificuldades estão rondando seriamente as empresas que ainda tentam permanecer no mercado altamente competitivo.

Um pólo para funcionar e mostrar atrativos de investimentos necessita antes de tudo ter uma infraestrutura viável e que contemple terraplanagem, vias de acesso pavimentado, segurança, iluminação, limpeza, enfim, reais condições de funcionamento para as empresas, para os seus funcionários e principalmente para a sua logística.

A triste realidade que hoje se apresenta é a de um distrito totalmente abandonado, as vias de acesso esburacadas, em dias de chuvas o acesso complica mais e até inviabiliza que os trabalhadores cheguem até os seus locais de trabalho, inclusive não permitindo o tráfego dos ônibus.

A verdade é que a responsabilidade maior sobre o distrito industrial é do governo do estado que alega não dispor de recursos para realizar as obras necessárias.

Da parte do governo municipal nada se vislumbra, devido principalmente a complicada situação em que se encontra o nosso município, muito embora a contribuição das empresas na arrecadação com impostos, IPTU e taxa de iluminação tenha valores consideráveis.

De quem é a culpa maior ou menor não vem ao caso, o que importa mesmo é a junção de todos os envolvidos no problema – indústrias, governos, sindicatos, assumirem uma posição desafiadora e partir para salvar o nosso distrito industrial.

Aconteceu uma coisa interessante com o nosso pólo de informática, foi criado pelo governo do estado e esse próprio estado lhe deu as costas, permitindo que alcançasse esses problemas que podem um dia inviabilizar a sua existência, claro que ninguém em sã consciência quer que aconteça uma tragédia desse nível.

Portanto, o governo municipal tem que se envolver no assunto, procurando formatar uma agenda para discutir com seriedade uma solução, que venha dotar a nossa cidade de mais desenvolvimento, mais geração de empregos, mais atração de novos investimentos.

ZÉCARLOS JUNIOR