Heckel Januário em: UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE ( XII)
(NOTAS DE BELMONTE – ‘BEBEL’ PARA OS MAIS CHEGADOS)
Nesta décima segunda parte do Umas e Outras… abordaremos o Guaiamum Gigante e a Maior Moqueca do Mundo, peças que de prima e de cara mostram o grau de originalidades.
Obra de arte em fibra de vidro de Miguel Angel Bustus, um argentino de Córdoba de muito radicado em Bebel, logo, pela imponência, o crustáceo chama a atenção de quem chega à Praça do Mar Moreno. E a perfeição é tamanha que até os nativos –acostumados com sua forma desde quando havia abundância–, se impressionam com o artificial crustáceo a expor, copias fieis, seus enormes pares de patas (5), notadamente o mais desenvolvido e mais possantedas puãs, que lhe servem de defesa, para a condução de alimento e, como atração da fêmea.
Para se ter a ideia do quanto simboliza o caranguejo de carapaça azul para o belmontense, na cidade costuma-se dele fazer a ceva em viveiros e alimentá-lo de maneira especial para –engordado e consequentemente mais saboroso– ser consumido em bares e restaurantes, constituindo numa de suas típicas iguarias.
A ‘moqueca de peixes’ tida como a maior do mundo, tem origem nos primeiros festivais de gastronomia de cunho turístico da Costa do Descobrimento em Bebel. Sob orientação de um chef e não sei quantos cozinheiros o tamanhão do prato é mesmo fantástico, sendo livre ao participante do evento, desejando, degustá-lo à vontade. E é tão monumental a quantidade que seu corpo organizacional costuma destinar farta porção do comestível a alunos da rede pública de ensino. A invenção deste petisco ‘gigantesco’ possivelmente se finque na tradição de que a cidade é prodiga em prepará-lo saborosamente, claro, no modo normal e com os clássicos ‘leite de coco’ e ‘dendê’, ingredientes básicos da moqueca baiana. Reforçando o conceito, o advogado aqui da Capitania dos Ilhéus, Ivan Gomes, que também é versado em culinária, não hesita afirmar que em Bebel se é possível “comer a melhor e mais apimentada moqueca de robalo do mundo”.
A importância da Maior Moqueca do Mundo se alarga com a panela onde é preparada. De barro, medindo de boca perto de um metro e meio de diâmetro e cinquenta centímetros de altura, ela fora confeccionada pela artesã Dagmar Muniz Ferreira, centro-avante da –no bairro da Visgueira– “Cerâmica 14 Irmãos”, nomeação esta ligada aos filhos vingados dos 19 que tivera. Célebre –pela qualidade e tipo sui-generis dos produtos produzidos– no pedaço e, mais além, Dona Guiomar, como é conhecida, é craque no feitio de potes, bichos entre várias outras esculturas e artefatos, tudinho na mão –e no tamanho– grande, e ainda de tijolos, telha, piso etc., com a matéria-prima retirada das margens do Jequitinhonha, arte que aprendera sozinha, “sozinha e Deus”, como ela costuma repetir. Celebridades, especialmente do mundo artístico televisivo, já o visitaram, inclusive algumas deixando promessas (não sabemos se foram cumpridas) de lhe ajudar num sonho: o de construir uma escola para ensinar aos novos a habilidade de trabalhar a argila cozida.
Notícias, entretanto um tanto descaracterizadoras, apontam que por motivos técnicos, ou seja, em razão do excesso de calor, a ‘panela de barro’ perdera o duelo para a ‘panela de ferro’, ou melhor, para uma ‘farinheira’ que, embora represente um conhecido instrumento da cultura alimentar da Bahia, jamais combinará com a tradicional peixada nossa do dia a dia.
Por ouro lado, outras, desta feita, promissoras, dão conta que o mérito do título ‘Maior Moqueca do Mundo’ está sendo examinado pelo Guiness Book. A nosso ver, tal como a ‘Moqueca’, o ‘Guaiamum’ e a ‘Panela Gigante’ da dona Guiomar, poderiam estar igualmente sujeitas à banca examinadora do livro. No ‘Umas e Outras…’, pelas suas notórias, notáveis e irrefutáveis excentricidades, entraram desde antigamente, e lógico, sem necessitar de testes burocráticos.
Heckel Januário


























































