Meu eterno amigo JAYRÃO tinha como meta um dia construir um grande espaço, tipo uma casa de passagem, para acolher pessoas que não tivessem onde morar era um objetivo que ele gostava de comentar e traçar como realizar o projeto.

Infelizmente, a sua vontade não foi a vontade do Senhor de Todos os Exércitos, e partiu sem concluir a obra que estava no seu pensamento.

JAYRÃO morava em frente ao Bar de Leleco, onde tinha o prazer de jogar partidas de dominó e como era guloso, comia de todos os tira-gostos, sempre com a gelada sem esquentar no copo.

Ao lado do bar tinha uma pequena barraca onde morava o nosso amigo Cunergunes, também conhecido na alta roda como Bruno, que Jayrão tratava com todos os cuidados, em vista de alguns problemas de saúde que Bruno enfrentava.

Desse convívio, eis que o Jayrão resolveu construir uma pequena casa de alvenaria para que o amigo Bruno tivesse maior conforto, dando-lhe o nome de casa de passagem.

Portanto, uma parte do seu projeto teve início.

Por essa casa de passagem, que teve Bruno como primeiro hóspede, também por lá passaram Titonho (irmão de Leleco) e mais recentemente o grande garçom Ódio e seus filhos Ira e Raiva, e de vez em quando um rabo de saia.

O tempo passou e chegou o momento trágico do fechamento do lendário Bar do Leleco, um assunto que até hoje é motivo de comentários e revolta dos numerosos pacientes/clientes frequentadores do tradicional bar, de memoráveis encontros etílicos.

Fechou o bar. A casa de passagem foi danificada pela construção de um edifício. Tristeza geral. Muito choro e lamentações. Jayrão já não estava por aqui quando do fechamento do bar e da destruição da casa de passagem.

Mas para surpresa geral, alguns assíduos frequentadores não se deram por vencidos e resolveram adotar o bar, mesmo com as portas fechadas. Comedor de água tem cada estripulia que o diabo duvida.

No salão principal onde funcionava o dominó, a turma revoltada com o fechamento assumiu o lugar e mesmo sem a logística necessária, de terça a sábado fincam os pés no espaço e aí rola fofocas, muita cerveja, cachaça da boa, dominó, tira-gosto comunitário e tendo o antigo dono Amaral como garçom vip.

Os insistentes e persistentes clientes: Paulo Moreira, Dr. Antônio Madureira (tem a chave), Gil Badaró (tem a chave), Zequinha, Governador Valadares (tem a chave), Délio Santiago, Mamau, Dermeval PT, Edinho, Edson, Telo, Dr. Lacrose, Martoni Café, Diu.

Como alento, a construtora recuperou a casa de passagem e ninguém sabe o que vai acontecer.

Os fofoqueiros de plantão já comentam que a dita casa de passagem poderá ser utilizada por algum desses resistentes clientes, quem será o escolhido e bem vindo ao novo lar é segredo de estado.

Dessa maneira os amigos continuam unidos, fortalecendo os laços de amizade e resistindo de todas as maneiras à triste idéia do fechamento do saudoso BAR DO LELECO.

O povo unido jamais será vencido, neste caso, os inveterados comedores de água. O que cachaça não fizer…

ZÉCARLOS JUNIOR