Não entendo bem quem ou o quê determina que um país saiu do subdesenvolvimento e entrou na fase de “emergente” para, sabe-se lá quando, virar um país desenvolvido.

Na verdade, acho que essa história de país emergente está mais pra jogada de marketing, propaganda enganosa mesmo, pelo menos no nosso caso.

Como o Brasil pode ser “emergente” diante de tantos problemas e características negativas que detém? Somos um país recordista em violência, burocracia e corrupção. Somos um país sem rodovias dignas, sem ferrovias, sem portos e aeroportos adequados ou suficientes, um país de mazelas sociais onde ainda perduram até nichos de trabalho escravo.

E foi a tal propaganda enganosa de país emergente que serviu de alavanca, na cabeça do então presidente Lula, para conseguir trazer pra cá dois megaeventos internacionais. A Copa do Mundo de Futebol que se inicia e os Jogos Olímpicos Mundiais de 2016.

Não se trata aqui de pessimismo ou de ser “do contra”. Os fatos estão à nossa vista.

Sete longos anos não nos foram suficientes para aprontar tudo para a Copa; um misto de descaso, incompetência e burocracia falou mais alto do que o padrão FIFA. Palco principal do espetáculo, os estádios de futebol quase não ficaram prontos a tempo. Alguns ainda carecem de serviços de acabamento. O estádio Itaquerão, que abrigará a cerimônia de abertura e o primeiro jogo do torneio, precisou instalar arquibancadas provisórias para ampliar  a capacidade de espectadores. Gastaram-se dezenas de bilhões em estádios e não tinha um maiorzinho  e bem acabado para a cerimônia de abertura da Copa?

O que falar, então, das obras de mobilidade e infraestrutura nas cidades-sede? Pouco do planejado foi cumprido.

Faca de dois gumes essa Copa. A máscara de “emergente” pode cair e revelar ao mundo nossa triste realidade. Com um pouco de sorte e Deus sendo brasileiro, pode ser que escapemos salvos da canoa furada e do chicote da FIFA.

Nilson Pessoa