Advogada deficiente física necessita de intermediária para ser atendida no fórum de Eunápolis

Foto: Gustavo Moreira/RADAR 64
Advogada que se locomove com cadeira de rodas teve que esperar na recepção

O elementar direito ao trabalho, exercer sua profissão, garantido pela Constituição Federal no capítulo dos direitos sociais, está sendo violado pelo próprio judiciário baiano, em Eunápolis, ao dificultar a atuação de uma advogada deficiente física.

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O flagrante foi registrado pela reportagem do RADAR 64 na tarde de quarta-feira (10), no Fórum Desembargador Mário Albiane, onde uma advogada que se locomove com cadeira de rodas teve que esperar na recepção, enquanto uma colega de profissão tratou dos assuntos pertinentes a ela.

Recém-integrada à subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), onde atua nas áreas Cível, Trabalhista e Previdenciária, a advogada Jamile Novaes Mendonça teve que ir ao fórum na quinta-feira para tratar de alguns processos. Como na primeira vez que foi ao órgão, a advogada esbarrou na barreira imposta por um prédio público de dois pavimentos que não dá acessibilidade a cadeirantes.

Foto: Gustavo Moreira/RADAR 64
Advogada deficiente física necessita de auxílio da colega de trabalho Viviane para ser atendida no fórum

Por isso, Jamile não pôde passar da recepção, no térreo, uma vez que os cartórios das varas em que ela atua ficam localizados no andar superior. Assim, Jamile necessitou da ajuda de uma advogada colega de escritório, Vivane Bomfim, que tratou de tudo o que Jamile teria que resolver.

Sobe, desce e conversa com a colega o que tratara lá em cima, com os servidores. Foi assim, e em incontáveis vezes, consumida boa parte da tarde de Viviane. Enquanto, no térreo, sentada na cadeira de rodas, em meio às pessoas que entravam e saíam, Jamile aguardava o desenrolar dos acontecimentos. Uma situação de desconforto e falta de privacidade, além de constrangedora.

Por fim, às 17h35, mais de duas horas depois, Jamile e Vivane puderam deixar o fórum e voltaram ao escritório onde trabalham.

Indagada pela reportagem sobre como se sentida diante daquela situação, Vivane preferiu não se manifestar, mas sua fisionomia deixava ver, de forma clara, sua indignação.

Por sua vez, Jamile manifestou seu constrangimento: ‘É uma sensação constrangedora, de impotência, porque impede o livre exercício da minha profissão. Eu tive que tratar, por intermédio de outra pessoa, as coisas que vim aqui resolver e isso é muito triste, muito ruim’, disse.

A reportagem tentou falar com o juiz diretor do fórum, Otaviano Andrade de Souza Sobrinho, que estava em audiência e não pode atender. Mas esteve com a presidente da OAB Eunápolis. À reportagem, Roberta Tutrut afirmou que a subseção já fez três ofícios ao Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) pedindo adequação do prédio à necessidade de pessoas que possuem alguma deficiência, além de ter tido, no dia 23 de maio, uma audiência com o presidente da corte, quando reiterou os pedidos feitos por escrito.