O MAÇOM ANTE DA MORTE.

Leonardo Garcia Diniz
A morte finda a vida material assim como nós a conhecemos e nos transporta para o reino de DEUS, para a vida eterna. Entre a negação da morte e ela propriamente dita, havida, acontecida, viaja-se por uma via de mão única e de estágios distintos.
Não!,… Não!,… Não!,… me nego!,… não aceito!
Porque tem que ser assim!!??… ó Senhor!,… porque?
Esses médicos são uns porcarias!,… eles não sabem de nada!,… querem ser DEUS!
DEUS proteja e sare!,… se houver melhora te prometo; troca-se a morte por vida.
Sofrimento!,… dor!,… morte!,… abrigue ó Senhor o falecido em seus braços.
Aceitar a morte como destino do homem é coisa biológica, fácil, principalmente a dos outros, mas, aceitar a morte pessoalmente, individualmente, a sua própria ou de familiares, é realidade distante e impensável enquanto se está sadio.
A morte se processa ao longo da vida, dentro da vida, morremos aos poucos todos os dias, ela não vem de fora, perdemos dia a dia a nossa força vital; ela, a vida, esvai-se na medida em que o tempo avança.
Fugimos daquilo que não dominamos e tudo só nos é ensinado sobre a vida, mas, sobre a morte e ou o ato de morrer preferimos esconder, jogar para baixo do tapete, calar e tratar como coisa misteriosa. A morte tornou-se uma inimiga do homem a ser combatida a qualquer custo. Precisamos parar de olhar para a morte como coisa hostil e olhar para ela naturalmente, pois, é coisa que pode nos acometer a qualquer momento da vida.
O contrário da morte não é a vida, mas o nascimento. Morrer faz parte desse nosso nascimento. Não podemos razoavelmente aceitar o nascimento de nosso corpo sem aceitar sua morte. A recusa a morrer vem de outro lugar, de outra fonte, de uma outra voz, de nossa profundidade, chama-nos a tender para o aperfeiçoamento infinito como se a única finalidade da vida fosse tornar-se mais humano, de completar o homem no Homem. Essa é nossa liberdade. Essa é apenas, entre muitas, uma nova iniciação.
Para ser um maçom, na estrita razão da expressão, é necessário que se creia em DEUS, qualquer que seja a percepção dele, e, que, também, creia na vida eterna tendo fé numa existência de vida alem desta que conhecemos.
Na construção de si mesmo, no aprofundamento filosófico, na espiritualização, na descoberta do seu próprio “EU”, no estudo e entendimento dos significados dos seus significantes símbolos o maçom indubitavelmente se defrontará com o significado da vida e da morte de seu corpo físico.
A morte do corpo físico como parte da vida e a crença da vida para alem da vida apaga e extingue o medo da morte; a morte, deterioração e sumiço do corpo, é entendida pelo maçom como indispensável ao processo vital, é essência da vida, vida que é feita de energia, mutação e desaparição.
Perder o medo da morte propiciará formas outras de se admirar e sorver a vida com sabedoria; viver sem medos e ou duvidas, sem questionamentos, sem interrogatórios de sobre o quanto durará este bem (vida) que DEUS lhe permitiu desfrutar, viverá, então, o homem de forma melhor e em paz.
O maçom trabalha, incessantemente, sobre si mesmo até que chegue o momento em que sua permanência neste mundo se esgote fazendo-o repousar suas ferramentas; atingi, então, a perfeição, o melhor que fez e que conseguiu ser diante dos homens e de DEUS.
Do meio dia à meia noite trabalha ele para se aperfeiçoar; busca LUZ!
E, a meia noite, ao morrer, ele, o maçom, vê brilhar a LUZ ETERNA e segue em direção ao Oriente Eterno.
Se você verdadeiramente me ama, não chore por mim.
Eu estou em paz.”
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P.S.
Esta semana perdi um filho (35 anos), Leonardo Garcia Diniz Junior, Fisioterapeuta e Advogado, vitimado por Tromboembolia pulmonar; consequência de um acidente de carro. Sua morte trouxe chagas que, creio, jamais cicatrizarão; a família ainda está arrasada. Entretanto, sei ter ele seguido em direção a LUZ eterna. Sua morte, certamente, por crer eu na vida infindável, está explicada; é plano de DEUS!
Dedico o estudo realizado para escrever esta Arq.’. ao meu filho Leonardo Garcia Diniz Junior.
Se você verdadeiramente me ama, não chore por mim.
Eu estou em paz.” (Santo Agostinho)
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Leonardo Garcia Diniz ..’.
M.’.M.’. da Aug.’. e Resp.’. Loj.’. Simb.’. Vigilância e Resistência n° 70 – Ilhéus – Bahia.




























































Eu fiquei sabendo hoje (15-09-2015) sobre a morte do Leo. Eu so queria que vc e Jussara soubessem que seu filho foi muito amado. Fazia quase 10 anos que não tinha mais contato com ele, mas ele sempre teve um espaço especial no meu coração.
Conheci o Leo nos anos 90, nos dois eramos dois adolescentes que se apaixonaram mas nunca puderam viver a historia de amor merecida por causa da distancia. O Leo foi meu primeiro grande amor.
Eu me mudei pro outro lado do mundo, fui estudar cinema na California e meu primeiro roteiro foi baseado na nossa historia de amor que vinha de outras encarnações… A historia tinha um final feliz…
Parabéns irmão.’. pelo belíssimo texto. Continue com sua fé, independente de religião, a cicatriz aberta será cauterizada pela certeza da vida eterna, continue sendo pai amoroso e protetor. O véu que os separam é tênue e o pensamento é portal de comunicação entre as duas realidades.
Que o GADU lhe ilumine juntamente com os seus.
Um TFA.
Irmão Pedro
A vida faz parte da morte, e a morte faz parte da vida…